Servidores em greve darão resposta ao governo na terça

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Braslia – Com muita conversa e poucos resultados, terminou hoje o mutiro de dois dias de negociaes do governo com categorias do servio pblico que reivindicam melhores salrios, em meio a uma onda de greves e protestos que trazem transtornos economia e populao h trs meses. Foram realizadas 12 rodadas de negociaes com os sindicatos no fim de semana. Todos rejeitaram a proposta do governo, de 15,8% de reajuste, fatiado em trs parcelas, mas, mesmo assim, comprometeram-se a dar a resposta final na tera-feira, depois de apresentar os nmeros oferecidos pelo governo s categorias. O secretrio de Relaes do Trabalho do Ministrio do Planejamento, Srgio Mendona, disse que aqueles que no aceitarem ficaro sem reajuste em 2013 e s voltaro a negociar salrio no prximo ano. “Ponto final: de agora at tera, o governo s vai aguardar retorno (dos sindicatos) e fechar acordos para mandar o projeto do Oramento ao Congresso, com reajuste apenas para as categorias que aceitaram a proposta”, afirmou. “Saio bastante satisfeito e confiante que a grande maioria aceite o reajuste.”Mendona admitiu que o governo reverter a deciso de cortar os dias parados para as categorias que fecharem acordo, mediante compromisso de reposio do servio acumulado. Ressalvou, porm, que a anistia no automtica e as negociaes so distintas. “Uma a negociao da reposio do trabalho, das horas que foram decorrentes da greve. Se houver a possibilidade de acerto sobre a reposio das horas de trabalho, faremos acordo, mas um no depende do outro”, observou. Nessa hiptese, segundo ele, o governo devolver o dinheiro descontado dos grevistas.A expectativa de Mendona que a grande maioria feche acordo e retorne ao trabalho. O governo jogou duro na negociao e conta com o fim do movimento, desgastado pela longa paralisao, o corte dos dias parados e a falta de perspectiva, alm do risco real de ficar sem aumento algum no prximo ano.Na prtica, a maior parte das categorias deixou a resposta para a ltima hora como ttica de ganhar tempo. Uma ficou esperando pela outra, na esperana de conseguir algo a mais no contracheque. Desde o incio das negociaes, porm, o governo se manteve firme na proposta de reajuste linear de 15,8%, dividido em parcelas de 5% de 2013 a 2015.Pelos clculos dos sindicatos, 350 mil servidores – 70% do universo de ativos – participaram das paralisaes nos ltimos trs meses, entre os quais os das universidades federais. O governo avalia que entre 75 mil e 80 mil continuam paralisados. Entre estes esto auditores e analistas da Receita, policiais federais e rodovirios e outras carreiras de elite, chamadas de sangue azul, que lutam por reestruturao de suas carreiras.A primeira categoria a fechar acordo foi a do pessoal do grupo educao, que inclui docentes e tcnico-administrativos das instituies federais de ensino, que representam 40% do universo da negociao. Durante o esforo concentrado do fim de semana, sinalizaram em favor do acordo as categorias de fiscais agropecurios e as dos servidores do Instituto Nacional de Pesquisa Industrial (INPI) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE). As demais pediram para dar a resposta entre segunda e tera.Desde o incio das negociaes, o governo realizou 190 reunies com 31 categorias. Hoje, ltimo dia, foram ouvidas as de controladores de voo e analistas de infraestrutura, que comandam reas estratgicas das obras do Plano de Acelerao do Crescimento (PAC) e esto em rota de coliso com o governo por conta de defasagem em relao s demais profisses de nvel superior e mesmo grau de complexidade. Eles pedem 38% para alcanar equiparao. Sentaram tambm mesa os representantes do Instituto Colonizao e Reforma Agrria (Incra) e do pessoal de sade e seguridade social.

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