Família de paciente morta em Franca acusa PS de atendimento negligente

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A família de uma mulher que morreu nesta quinta-feira (20) na Santa Casa de Franca(SP) alega que a paciente de 31 anos foi atendida com negligência em um posto de saúde da cidade dias antes de ser encaminhada em estado grave para o hospital. Um boletim de ocorrência por lesão corporal foi registrado no 5º Distrito Policial. A Secretaria Municipal da Saúde informou que instaurou uma sindicância para apurar o caso.

Clésia de Araújo Novais, que tinha diabetes, morreu nesta quinta às 13h10, segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, depois de ficar em coma. Ela estava internada em estado grave na unidade desde domingo (16), após ser atendida emergencialmente pelo Hospital São Joaquim e de passar duas vezes pelo Pronto-Socorro Municipal Álvaro Azzuz. As causas da morte não foram divulgadas.

Segundo Maria José Cabral, sogra de Clésia, a paciente foi levada pela primeira vez ao pronto-socorro no sábado (15), mas foi liberada. Em casa, ela voltou a piorar e foi novamente levada ao PS, mas recebeu alta novamente, mesmo sem estar em condições de andar por conta própria e sem ter sido submetida a exames, relatou Maria José. “Ela passou a noite lá e a mandaram de volta para casa pela manhã. Ela não fez nenhum exame. Quando saiu do pronto-socorro, ela já não estava andando. Foi piorando, piorando, e aí chamamos o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência]”, disse.

Mas a equipe do Samu, segundo ela, orientou que a família esperasse a medicação recebida no PS fazer efeito antes de voltar a procurar atendimento. Mesmo com a recusa, na tarde do domingo Maria José encaminhou sua nora ao Hospital São Joaquim, onde, de acordo com ela, um médico informou que a paciente já estava em coma. “Disse que o caso dela era de emergência, que ela tinha levado um choque devido ao medicamento, porque ela é diabética”.

Por falta de condições financeiras para bancar a estadia no hospital particular, Clésia foi transferida para a Santa Casa ainda no domingo, onde, desde então, estava internada em coma. “Está todo mundo sem entender o que aconteceu. Todo mundo inconformado. Registramos boletim de ocorrência, mas ainda não sabemos se vamos processar alguém”, afirmou.

Secretaria Municipal da Saúde
A secretária municipal da Saúde Rosane Moscardini Alonso disse que abriu uma sindicância para investigar a postura adotada pelo corpo médico do pronto-socorro e pela equipe do Samu. “Todos os médicos envolvidos no atendimento em questão serão analisados. Tanto que foi feito um processo administrativo com a abertura de uma sindicância para apuração, tanto através da comissão de ética médica, uma sindicância administrativa e também através da polícia, onde foi registrado um boletim de ocorrência, para que possamos apurar se houve ou não alguma falha no atendimento prestado”, afirmou.

Segundo Moscardini, no pronto-socorro a paciente foi medicada com insulina regular para abaixar o nível de glicose, que, de acordo com exames realizados na unidade, estava alterado. “Ela chegou no nosso PS, passou, foi solicitada a transferência para um ambiente hospitalar e, enquanto ela aguardava a vaga, houve uma troca de plantão. O profissional que assumiu o plantão seguinte entendeu que ela tinha melhorado e deu alta. Infelizmente ela depois não melhorou”, disse.

Hospital São Joaquim
O departamento de comunicação do Hospital São Joaquim confirmou que Clésia recebeu o atendimento “de acordo com todas as condutas médicas necessárias”, mas não passou detalhes sobre as medicações tomadas pela paciente. Os detalhes do atendimento, segundo o hospital, estão descritos em prontuário disponível para a família e para a Justiça.

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