Primeira audiência do garoto sumido há mais de um ano é realizada na BA

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Testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas na quarta-feira (18), na primeira  audiência do caso do menino Maicon, desaparecido há mais de um ano, em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. Policiais militares são acusados de serem responsáveis pelo sumiço da criança.

Parentes e amigos do menino chegaram juntos ao local. “Espero que o juiz dê uma solução para esse caso do meu filho que está desaparecido já faz um ano e essa demora, e nada”, disse Rosa Batista, mãe de Maicon. O avô do garoto quer justiça. “Eu sei que o menino eles não vão dizer onde é que está, então eu espero que a justiça seja feita, porque o que eles fizeram não pode ficar impune”, disse João Novais, avô de Maicon.

caso_maiconMaicon estava brincando com amigos no condomínio onde morava, no bairro Airton Sena, quando policiais entraram no matagal em busca de adolescentes que estariam envolvidos com o tráfico de drogas. Testemunhas ouviram tiros no local e, depois disso, o menino desapareceu. O inquérito policial indiciou seis policiais militares, três deles são acusados por homicídio e ocultação de cadáver, e outros três por ocultação de cadáver. O Ministério Público quer que o caso seja levado a júri popular.

Segundo a promotora, a base da acusação é o laudo que comprova que o sangue encontrado no local é mesmo do menino Maicon. “Todas as testemunhas são coerentes em afirmar que esses disparos foram oriundos da Polícia Militar. E foi identificado qual era a viatura e quais policiais estavam naquela viatura”, disse a promotora de Justiça Soraia Meira.

Já a defesa diz que novas provas devem apontar que os policiais não foram responsáveis pelos disparos. “O laudo será contestado nos autos. Nós vamos demonstrar, ao longo do processo, de que, na verdade, aquilo foi um laudo muito mal feito. E o laudo, na verdade, não traz a verdade real dos fatos. O que traz a verdade real dos fatos são os depoimentos. Nós, através de depoimentos, provamos e vamos provar, ao longo do processo, que meus clientes são todos inocentes”, disse o advogado de defesa Leonardo Mascarenhas.

Caso

O desaparecimento do garoto Maicon, de 9 anos, em Vitória da Conquista, completou um ano no dia quatro de dezembro. Ele brincava com outras crianças quando desapareceu durante uma operação policial.

Segundo o laudo da reconstituição do desaparecimento, os únicos tiros disparados durante o episódio partiram dos policiais militares. A polícia indica que seis PMs informaram que foram até o local atender uma denúncia de agressão a um adolescente, que teria sido cometido por traficantes. Após avistarem um grupo caminhando e, por suspeitarem tratar-se de criminosos, dispararam as armas, informou a Polícia Civil.

O delegado Neuberto Costa informou que as pessoas que estavam com o garoto Maicon foram impedidas pelos soldados de voltarem ao matagal para procurarem o menino. Segundo Neuberto Costa, a proibição foi feita também aos moradores da região, “que só tiveram acesso ao local uma hora depois”.

Exame e reconstituição
No dia 8 de maio, o delegado Neuberto Costa informou que a mancha de sangue encontrada no matagal pertencia ao menino. No dia 7, o Departamento de Polícia Técnica de Vitória da Conquista recebeu o laudo da reconstituição do desaparecimento do menino, realizado no dia 19 de fevereiro.

O momento do desaparecimento foi refeito por peritos do Departamento de Polícia Técnica de Salvador e envolveu parentes de Maicon e as crianças que estavam com o menino no dia do desaparecimento. O delegado Neuberto Costa e o promotor Carlos Robson Leão, da Vara do Júri, acompanharam o procedimento.

O avô de Maicon foi o primeiro a entrar no local, que foi isolado por policiais. Ele mostrou aos peritos onde foi encontrada a mancha de sangue. Policiais militares que também estiveram no local no dia do desaparecimento de Maicon foram ouvidos.

Investigação
Um menino de 12 anos, que estava com o garoto na última vez em que ele foi visto, contou uma versão de como tudo aconteceu. “Teve uma hora que nós olhamos para trás e não vimos ele, foi a hora que começamos a correr e a polícia começou a atirar. Teve uma hora que passou pelo policial e ele mandou abaixar”, disse.

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