Vítimas contam como estuprador de seita demoníaca

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Renato Reis Fragata, o homem que a polícia diz ter estuprado mais de 60 adolescentes e ter realizado rituais satânicos com as jovens em dois municípios do interior do Amazonas, já foi coroinha da igreja católica. A informação foi confirmada por pessoas que conviveram com ele na cidade de Parintins, a 369 km de Manaus.

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Uma dessas pessoas é a dona de casa Bibiane Ramos, de 34 anos, que hoje mora em Manaus. Ela contou ter tomado um susto ao ver a imagem de Renato nos jornais. “Em 2003 eu frequentava a igreja católica Nossa Senhora de Lourdes, que fica no bairro Palmeiras, em Parintins. Na época ele era coroinha, mas tinha uma personalidade meio estranha. Tanto que nós chamávamos ele de Máscara, porque a cada momento ele mudava sua personalidade”, contou a dona de casa.

Renato morou em Parintins até o meio do ano. Na cidade ele chegou a ser preso cinco vezes pelo crime de estupro, contudo conseguiu na Justiça o direito de responder aos crimes em liberdade. Mas, segundo a polícia, como a vontade de cometer os crimes era maior, ele precisou mudar para uma cidade onde não fosse conhecido.

“Como a imagem dele lá em Parintins ficou conhecida, o golpe dele não funcionava mais. Aí ele resolveu vir para Iranduba, onde não era conhecido. E, aqui, conseguiu enganar as adolescentes”, contou o delegado Paulo Mavignier.

Vítimas
O Terra ouviu duas vítimas e o pai de uma terceira adolescente. Uma delas tem 15 anos e mora com os pais no bairro Morada do Sol, em Iranduba. A jovem conta que conheceu o suspeito há cerca de um mês na porta da escola onde estuda. Foi nesse local que ela diz ter recebido o convite para participar do grupo que seria liderado por Renato.

Os rituais satânicos eram realizados no Cemitério São Geraldo, o maior da cidade de Iranduba.

“Inicialmente ele me chamou para o grupo que ele criou para falarmos sobre bandas de rock and roll. Depois, na primeira reunião que participei, ele já foi me falando desse grupo satânico. Lá ele nos ensinava orações, nos ensinava a conquistar namorados, a fazer vudu. Mas quando ele veio com esse papo de que eu teria que transar com ele para ganhar mais poderes, eu me irritei. Não sou boba. Sei que não seria transando com ele que iria virar uma bruxa. Mas teve outras meninas que acreditavam”, relatou a adolescente que confirmou ter participado de outros rituais com Renato. “Uma vez fizemos um ritual onde bebi sangue um gato num cemitério”, concluiu.

Na mesma rua dessa vítima, a reportagem encontrou outras duas adolescentes que também participaram do grupo de Renato. Uma das garotas tem 12 anos e a outra 14. Só a mais velha aceitou dar entrevista. No entanto, a garota não detalhou como eram as reuniões lideradas pelo suspeito. “Eu não fiz nada disso que estão dizendo. Eu apenas ia aos encontros com as outras garotas para aprender as orações”, resumiu a jovem.

O pai de outra vítima, de 15 anos, contou que a filha se envolveu com Renato há uns 20 dias, e que desconfiou do suspeito desde o princípio. “Ele veio aqui em casa uma vez, mas achei muito estranho o comportamento dele e o jeito como se vestia. Quando ele saiu daqui, perguntei da minha filha quem era aquele homem. Ao saber o que ele fazia, eu a alertei. Disse para ela que um homem que mexe com magia negra, macumba ou essas coisas aí, são envolvidos com exploração sexual. Mas como sou um homem doente, não pude impedir o convívio dos dois”, contou o pedreiro de 41 anos.

Seguindo orientação de uma das vítimas, o Terra localizou o cemitério onde aconteciam os rituais. Ele fica no bairro Alto e é o maior da cidade. O muro é baixo e de fácil acesso. O local era usado sempre durante a noite e madrugada para não levantar suspeitas. A administração do cemitério não quis dar entrevista mas informou desconhecer o uso do lugar para as práticas citadas na investigação da polícia.

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