Baianos denunciam dificuldade de atendimento na rede pública de saúde

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Dois gêmeos que nasceram prematuros na segunda-feira (7) passaram a noite esperando vaga em uma UTI neonatal na cidade de Feira de Santana, localizada a cerca de 100 km de Salvador. Os bebês ficaram 12 horas em uma bandeja de uma bandeja usada para guardar material cirúrgico. Eles passaram as primeiras horas de vida em busca de atendimento médico.

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Os gêmeos nasceram na cidade de Mundo Novo, situada a cerca de 290 km de Salvador. Como o parto foi prematuro, aos sete meses, os bebês precisavam de uma UTI neonatal e foram transferidos com a mãe para Feira de Santana, distante 200 km, onde chegaram por volta das 23h. “Como as crianças precisavam de cuidados rápido, serviço pediátrico e encubadora, nós adiantamos, pegamos a estrada e aqui disseram que não tinha vaga. Procuramos em outras unidades aqui em Feira de Santana. Todo  os hospitais estavam sem vaga”, afirmou a técnica de enfermagem Luziana Mendes.

Ainda de madrugada, a ambulância retornou ao Hospital Estadual da Criança. Mas só na manhã desta terça-feira (8) os bebês e a mãe conseguiram vaga na unidade de saúde. Foi o motorista da ambulância quem carregou os bebês, ainda dentro da bandeja. Mas os recém-nascidos não foram para uma UTI neonatal. Segundo o coordenador da emergência do hospital, não havia necessidade. “Eles [os bebês] não estavam com risco de vida e as colegas que estavam de plantão, que atenderam as crianças, recomendaram ir para uma unidade mais adequada”, afirmou o médico Celso Santana.

O Hospital da Criança informou que vai acionar o Ministério Público para tomar providências contra o médico do hospital de Mundo Novo, que encaminhou os bebês sem confirmar se existia vaga na unidade de Feira de Santana.

Grávida

Em outro caso, uma mulher grávida de nove meses saiu de casa durante a madrugada para tentar ter o filho no hospital da cidade de Teodoro Sampaio, mas não conseguiu. Ela foi para Feira de Santana, distante 60 km, e passou por três hospitais onde foi atendida por médicos, mas foi encaminhada para outra unidade por falta de vaga, mesmo com a bolsa rompida. Ela foi internada no Hospital Dom Pedro, e teve o bebê no final da tarde desta terça-feira.

Salvador
Uma mulher que estava com hemorragia passou cinco horas procurando ajuda e voltou para casa sem atendimento nesta terça-feira (8), em Salvador. Ela diz que passou por dois hospitais, mas não conseguiu atendimento.

Dona Dejanira tem 52 anos e reclama de uma hemorragia constante. Diz que nesta terça-feira o problema piorou e buscou atendimento médico. Depois de mais de cinco horas de espera, ela desistiu de buscar ajuda. Em casa, ainda sentindo dores, ela diz que está revoltada com a falta de atendimento médico e com o descaso. “Eu fui no hospital o hospital São Jorge, cheguei lá na emergência e não tinha médico para me atender e aqui, no hospital Sagrada Família, eu vim e chegando na recepção e a menina me disse que não tinha atendimento”, disse.

Depois de mais de cinco horas de espera ela desistiui de buscar ajuda. Em casa, ainda sentindo dores, ela diz que está revoltada com a falta de atendimento médico e com o descaso. “A única coisa que eu quero é que eles [os médicos] me ajudem. Me dê o atendimeto que eu mereço, porque eu sou uma cidadã, pago meus impostos”, afirmou.

O Hospital da Sagrada Família informou que desconhece o caso de Dona Dejanira. Já a direção do hospital São Jorge confirmou que uma mulher deu entrada na unidade nesta terça-feira com um problema idêntico ao da aposentada, mas não sabe se foi ela. O caso está sendo apurado.

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