Cientista da Ufba critica falta de investimento para combate ao zika

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O pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Gúbio Soares, um dos cientistas que descobriram o vírus causador da zika, reclama que a falta de investimento financeiro em pesquisas não está colaborando para o combate ao vírus no estado. Segundo ele, o laboratório do Instituto de Ciências da Saúde da Ufba não tem condições estruturais para que as pesquisas possam avançar.

Gúbio, junto com a pesquisadora Silvia Sardi, descobriu em abril de 2015 o vírus causador da zika, cujos sintomas são semelhantes aos da dengue porém, na época era considerado mais fraco e os sintomas mais brandos. Atualmente, o vírus preocupa mais a população, pois está relacionado a outras duas doenças graves: a síndrome de guillain barre e a microcefalia, que impede o desenvolvimento do cérebro de bebês ainda no ventre materno.

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Com relação à estrutura física do laboratório, o cientista aponta cupins, ar condicionado quebrado e a quebra de uma das estufas onde os vírus são cultivados. O freezer que conserva material de pesquisa, inclusive o vírus, deveria ficar a -80°C, mas está quebrado há 20 dias. O material está todo misturado neste refrigerador doméstico que fica a apenas vinte graus negativos.

Outra pesquisadora que utiliza o laboratorio fala sobre os problemas. “É bastante frustrante quando a gente não tem os insumos e os materiais necessários para a pesquisa. Aqui é um laboratório de virologia, que a virologia básica começa com o cultivo de células e vírus e o básico que a gente precisa para realizar isso, a gente não tem”, relarou Juliana Torres, doutoranda em biotecnologia.

“Nós testamos recentemente o ensaio biológico aqui [no laboratório], e que funcionou como um teste diagnóstico. Se nós tivéssemos dinheiro, se tivéssemos investimento, já teríamos desenvolvido um teste rápido, por exemplo, igual a qualquer outro país, porque nós temos o conhecimento e a capacidade científica”, disse Soares.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde disse que trata como prioridade o desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias que contribuem para o combate ao mosquito aedes aegypti. Ainda segundo o Ministério da Saúde, a casa tem firmado importantes parcerias e comprometido recursos financeiros. Eles ainda destacam que o investimento em pesquisas e novas tecnologia é uma das diretrizes do Plano de Enfrentamento ao Aedes e à Microcefalia, lançado em dezembro do ano passado pelo governo federal.

Ainda na nota, o ministério revelça que está firmando parceria com os ministérios de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Educação (MEC) para o lançamento de uma série de editais que vão financiar pesquisas nesta área. Ressaltou que a pasta já está realizando reuniões para definição das áreas prioritárias e a seleção de projetos de médio e longo prazo que receberão estes investimentos.

 

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