Guardadores de veículos em Salvador revelam insegurança com zona azul digital

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A zona azul de Salvador passou a operar em esquema digital nesta segunda-feira (15). Por 12 meses, o motorista vai poder optar entre a cartela de papel e uma versão por aplicativo, que dispensa a versão física. Depois de 1 ano, somente a versão digital será válida na cidade. Com a alteração, os guardadores de veículos ficaram apreensivos e incertos quanto ao futuro.

Cláudio Demarques, 59, trabalha como guardador de veículos há cerca de 1 ano. Ele afirma que é necessário regulamentar a questão da comissão para que a classe não termine prejudicada: “O justo é o guardador ter uma parte da comissão do aplicativo“. Segundo Cláudio, há boatos que o guardador também terá um aplicativo.

Caso a situação não seja resolvida, Cláudio afirma que precisará procurar outro emprego: “A gente simplesmente vai perder o emprego. A prefeitura diz que não vai tirar o guardador. Isso é o que eles estão dizendo. Mas a verdade é que eles iriam tirar a gente e deixar somente o aplicativo. Depois da pressão pública que fomos inseridos no modelo“, afirmou.

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Já o guardador Iago Ferreira, 22, contou que, dos mais de cem motoristas atendidos no dia, até o momento da entrevista, somente dois afirmaram ter o aplicativo: “Até agora, o que eu vi foi que o pessoal ou não está querendo usar o aplicativo ou não está informado. Muitos afirmaram que preferem pagar ao guardador que ao empresário do aplicativo. Muitas pessoas não sabiam que começaria hoje“, afirmou

Iago disse ainda que ficou sabendo do aplicativo quando chegou ao local de trabalho: “Ninguém me informou nada. Cheguei aqui hoje e me disseram que o aplicativo havia começado. Fiquei sabendo assim“. Ele disse ainda que irá procurar outra fonte de renda, mas se preocupa com os guardadores que passaram décadas na profissão: “Pra mim, que tenho 22 anos, não é tão complicado quanto será para quem tem 20, 30 anos sendo guardador“.

Ele contou que o Sindguarda-Ba (Sindicato dos Guardadores e Lavadores de Veículos do Estado da Bahia) acionou a prefeitura junto ao Ministério Público para tentar ajustar itens da alteração da zona azul e “pra não acabar com o emprego do guardador“. O presidente do sindicato, Melquisedeque Souza, conversou com o VN e informou detalhes da ação judicial: “A ação está protocolada. Pedimos que o Ministério Público acompanhasse a legitimidade do processo, em relação aos guardadores“.

Melquisedeque deixou claro que o sindicato não é contra o aplicativo, e sim contra aos prejuízos que poderão atingir o guardador: “O que estamos reivindicando é o percentual do guardador. Não somos contra a tecnologia. Seria errado. Reivindicamos a questão dos guardadores. Há um legado rico deixado por nós. Toda vez que a prefeitura necessitou dos guardadores para carnaval, réveillon, por exemplo, o guardador sempre esteve ali. Regularizamos flanelinhas que assustavam a população, educamos e demos qualificação“, conta.

Segundo o presidente do sindicato, há alguns itens que não estão claros na zona azul digital: “Com essa questão de aplicativo quem vai perder é o usuário. Se o motorista chegar e dizer que está com aplicativo, como vamos comprovar? A gente não pode copiar outras cidades sem ter estrutura para isso. E digo mais: É a única cidade do Brasil que tem esse trabalho organizado“, finaliza.

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