Homem vai cumprir pena em regime aberto por tentar matar a ex com 57 facadas

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Acusado de tentar matar a ex-namorada com cerca de 57 golpes de faca, em Feira de Santana, e também uma prima da vítima, Luiz Henrique Cerqueira de Oliveira, 27 anos, foi condenado a quatro anos e três meses de reclusão em regime aberto, isto é, em liberdade. Ele aguardou o julgamento preso e deverá sair do Conjunto Penal de Feira de Santana nos próximos dias. O júri foi realizado ontem (1) no Fórum Desembargador Filinto Bastos.

Segundo a denúncia, morador do bairro Parque Ipê, por não aceitar o fim do relacionamento tentou matar a ex-namorada Thainá Ellen Santos de Oliveira em agosto do ano passado. A prima dela, Aline Silva de Jesus, tentou impedir as agressões e também foi ferida.

A promotora Semiana Cardoso afirmou em entrevista ao Acorda Cidade que este não foi o resultado esperado pelo Ministério Público e por isso vai recorrer da decisão, solicitando um novo julgamento. Como a vítima está viva a pena e o acusado ficou preso por um ano e dois meses, a pena foi atenuada.

A defensora Manoela Passos informou que espera a absolvição do réu e que usou a tese de desnecessidade da pena por conta do tempo de prisão temporária e por ele ter deficiência física.

“Esperávamos a absolvição por entender ser desnecessária a aplicação da pena no caso. Todavia, os jurados reconheceram que inexistiam as qualificadoras do recurso que impossibilitou a defesa da vítima e do meio cruel, razão pela qual a pena aplicada foi de regime inicial aberto, que corresponde ao que foi produzido nos autos e que pesa na tese principal da defesa, que foi a da desnecessidade da pena, seja pelo período de prisão provisória, já cumprido pelo acusado de um ano e dois meses, seja pela deficiência a qual lhe acometeu em razão do fato em si – ainda que não provocada pelas vítimas ou provocada pelas vítimas – é inconteste que o acusado é acometido por uma deficiência física e está impossibilitado de receber tratamento médicos dado a ausência da efetiva tutela e fatal. A pena inferior a quatro anos é incialmente cumprido em regime aberto”, explicou a defensora pública ao Acorda Cidade.

Trauma

Thainá acompanhou o julgamento e relatou ao Acorda Cidade um pouco dos que ainda passa por conta do que aconteceu.

“Eu não queria está aqui, não queria olhar para ele mais uma vez. quando eu o vejo eu me lembro daquela cena. Hoje eu estou viva graças a Deus e a Aline, mas por bem pouco eu quase morri. Nada ameniza os problemas de saúde e psicológicos que ele causou em mim. Foram 57 golpes de faca. Ele não era meu namorado, na verdade a gente ficou algumas vezes e ele queriam um relacionamento serio e eu não queria. O que ele fez surpreendeu todo mundo, ninguém esperava que ele agiria assim. Hoje eu não escuto direito, por causa de alguns golpes no ouvido no lado esquerdo, uma das perfurações atingiu o olho direito. Hoje meu olho está aparentemente normal, mas na espoca os médicos disseram que eu teria que usar tapa olho pelo estado que estava. Minha visão não é mais a mesma, passei 27 dias internada”, recordou.

O crime

O crime aconteceu por volta das 6h da manhã do dia 25 de agosto de 2017, na residência da prima da vítima, Aline Silva de Jesus, no bairro Monte Pascoal. O motivo da tentativa de homicídio, segundo a denúncia do Ministério Público, é que Thainá Ellen Santos de Oliveira, recursou a reatar o namoro de dois meses, iniciado em 2 de julho de 2017.

Consta na denúncia que no dia do crime o acusado foi à residência a procura da ex-namorada e bateu insistentemente no portão, até que Thainá foi atendê-lo, momento em que o denunciado ao adentrar à residência deferiu-lhe diversos golpes de facas na cabeça, pescoço, barriga, tórax, braço e virilha. Ao ver a cena, Aline tentou cessar as agressões e também foi ferida. Dois dos golpes atingiram a barriga de Aline. Em seguida ele fugiu a pé abandando a faca e foi localizado pela Polícia Militar, na Expansão do Feira IX, após ser espancado por populares.

“Eu estava na casa da minha prima. De manhã cedo levantei para ir ao banheiro, o telefone tocou via WhatsApp aí eu atendi. Era ele dizendo que precisava falar uma coisa comigo, urgente. Ele perguntou onde eu estava e eu caí na besteira de dizer que estava na casa da minha prima. Ele apareceu lá uns 20 minutos depois, a gente conversou normalmente perto do portão, depois ele pediu para ir ao banheiro. Eu fiquei esperando apoiada em pé no sofá quando fui surpreendida pelos primeiros golpes. Ele tapou minha boca, eu ainda tentei correr, mas ele conseguiu me derrubar no chão. Ele nunca foi agressivo, nunca fez ameaça nem nada”, relatou Thainá na época do ocorrido.

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