Policia mata seis durante operação em Salvador

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A polícia matou seis pessoas e prendeu nove durante uma operação nos bairros de Valéria e Fazenda Coutos, na manhã desta sexta-feira (7). Cerca de 300 policiais civis e militares participaram da ação, que começou por volta das 3h.

A área também será ocupada pelos próximos dias pela PM, informou José Alves de Bezerra, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). “A ocupação será mantida hoje e durante todo o fim de semana. Iniciou sem prazo para ser concluída”, afirmou o diretor.

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O motivo da operação seria as últimas mortes ocorridas na região – entre elas a chacina que envolveu as mortes do sargento Osvaldo Costa Filho, 49 anos, e do filho dele, Railander da Silva Conceição, 24 anos, além dos episódios das morte do comerciante Edgar da Lima Filho e a morte de dois adolescente de 17 e 13 anos, no dia 23 de julho.

A quantidade de mandados de busca e apreensão que serão cumpridos durante a ação ainda não foi divulgada pela polícia. Entre as nove pessoas detidas para averiguação até às 10h de hoje estão duas mulheres e um adolescente de 16 anos, que foi apreendido em casa, enquanto dormia. A mãe do jovem entrou em desespero e precisou ser amparada pelos amigos.
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Seis morreram em confrontos na operação
Além das nove pessoas presas, seis homens foram mortos em confronto com a polícia durante a operação. De acordo com o posto de Polícia Civil do Hospital do Subúrbio, os suspeitos teriam mandados de prisão em aberto e trocaram tiros com a polícia.

O comandante da 19ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Paripe), no entanto, só identificou uma das vítimas. “Um meliante de nome Lucas faleceu em confronto com a polícia”, disse o major Elson Pereira, comandante da 19ª CIPM, em entrevista ao CORREIO. O rapaz, Lucas Santos Cruz, de 23 anos, tinha mandado de prisão contra ele, e morava no Jardim Valéria. O corpo dele foi reconhecido pela irmã no hospital.

Os dois primeiros suspeitos foram mortos em um confronto na localidade do Iraque, por volta das 6h. De acordo com a polícia, a dupla reagiu ao ser presa, e trocou tiros com policiais da Rondas Especiais (Rondesp/BTS). A dupla é suspeita de expulsar moradores da região da Lagoa da Paixão para transformar o local em um ponto de tráfico.

Já os outros quatro suspeitos foram mortos em um outro confronto, ainda na localidade do Iraque, algumas horas após o primeiro. O grupo estava atrás da fábrica da Tidelli quando reagiu à voz de prisão dada pela Polícia Militar.

Eles tentaram fugir por um matagal e foram perseguidos por policiais do Bope, da Polícia Civil e por um helicóptero da Graer, que monitorou a tentativa de fuga. Ainda na versão da polícia, houve confronto, os suspeitos foram baleados e socorridos para o Hospital do Subúrbio, mas não resistiram aos ferimentos e morreram.

Com o grupo foram apreendidos uma quantia de R$ 1.000, uma pistola de calibre 40, dois revólveres de calibre 38, um revólver calibre 32 e uma quantidade de crack que ainda não foi divulgada pela polícia, assim como aparelhos de som roubados de veículos.

Lucas está entre os suspeitos mortos durante o segundo confronto, assim como Rato e Pinha. Os corpos das vítimas estão no Hospital do Subúrbio, e serão encaminhados posteriormente para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Salvador.

Bairros permanecerão ocupados durante o final de semana; coletiva vai divulgar resultado
Muitos tiros foram ouvidos na área desde o início da operação, ainda de madrugada. Os bairros de Fazenda Coutos e Valéria permanecerão ocupados durante o fim de semana, e os suspeitos detidos serão conduzidos à sede do DHPP.

“A polícia vai permanecer na área durante estes próximos dias para realizar a manutenção da ordem, e não há previsão de quando vai sair”, revelou o major Pereira. No local estão equipes da Rondesp, Bope, 19ª CIPM, 31ª CIPM (Valéria).

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, um balanço será divulgado ainda nesta sexta-feira. Havia previsão de realização de uma entrevista coletiva, mas ela não foi confirmada.
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Estatuto da Katiara, clima de insegurança e toque de recolher: bairro vive em temor
Os moradores dos bairros estão com medo, e preferiram não falar com a imprensa. O clima de insegurança no bairro é grande desde que uma chacina na Nova Brasília de Valéria, no dia 26 de julho, matou um sargento da PM, o filho dele e mais duas pessoas.

Esta semana, boatos de um toque de recolher fizeram com que os ônibus fossem recolhidos e deixassem de circular em Nova Brasília de Valéria, só retornando no dia seguinte. A morte de duas pessoas pela Polícia Militar no dia 3 de agosto – segundo informações da Central de Polícia, se tratam de suspeitos de tráfico de drogas que receberam viaturas da Rondesp a tiros – deu origem a boatos de retaliação.

O local seria regido por uma facção que obedece ao Estatuto da Katiara. O texto estabelece diversas diretrizes que devem ser seguidas pelos membros da facção – desde critérios para novos membros até regras para empréstimos, luto, caixinha mensal e até ajuda às famílias.

A Katiara, que controla o tráfico em diversos municípios do Recôncavo, é liderada por Adílson Souza Lima, o Roceirinho, que está preso desde 2012, mas, segundo a polícia, controlava, de dentro do presídio de Serrinha, no Centro-Norte do estado, o tráfico em Maragojipe, Salinas da Margarida, Itaparica, Nazaré das Farinhas, Vera Cruz, Santo Antônio de Jesus e Santo Amaro, no Recôncavo.

Desde maio, o traficante se encontra no presídio federal de Campo Grande (MS). Em Salvador, Roceirinho domina parte do bairro de Valéria, Águas Claras e Lobato.
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O texto de introdução do Estatuto da Katiara diz que o documento foi idealizado por três integrantes, chamados de “irmãos 33, 01, 35” e que o já criado Primeiro Comando do Recôncavo passava a se chamar Katiara a partir de 16 de outubro de 2013, em “prol de trazer uma nova imagem com transparência e verdade para fortalecer o crime no estado da Bahia”.

A todo momento, o grupo de criminosos se intitula uma facção e segue os moldes de outras organizações criminosas do país, com quem mantém laços estreitos: a A.D.A (Amigos dos Amigos), a maior do Rio de Janeiro, e o PCC (Primeiro Comando da Capital), em São Paulo.

Em dezembro, depois da morte do traficante conhecido como Mamano, o número 3 da Katiara, o bairro viveu uma onda de protestos, com três ônibus incendiados. Na época, moradores de Nova Brasília também ficaram sem coletivo.

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