Aécio Neves e Renan Calheiros são citados em delação premiada

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O assunto é Operação Lava Jato. Um novo delator citou os nomes dos senadores Aécio Neves e Renan Calheiros como destinatários de propina.
Esse novo delator trabalhava para o doleiro Alberto Youssef como entregador de dinheiro. Ele fazia as entregas de dinheiro vivo a mando do doleiro Alberto Youssef.

E em depoimento de delação premiada, citou os nomes dos senadores Aécio Neves, presidente do PSDB, Renan Calheiros, presidente do Senado, que é do PMDB, e Randolfe Rodrigues, do Partido Rede, como destinatários de propina.
Também foram citados outros quatro políticos, que eram filiados ao PP, o Partido Progressista, e do Solidariedade. Todos negam ter recebido o dinheiro. O senador Aécio Neves, do PSDB, foi citado na delação de Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará. Ceará entregava dinheiro a pessoas indicadas pelo doleiro Alberto Youssef.
Aécio Neves
O jornal Folha de São Paulo publicou parte do depoimento. Nele, Ceará diz que, em 2013, foi ao Rio de Janeiro para entregar R$ 300 mil a um diretor da UTC Engenharia, conhecido como Miranda. E que o executivo teria dito que o dinheiro era para o senador Aécio Neves, do PSDB. Miranda seria o diretor comercial da UTC no Rio, Antônio Carlos D’Agosto Miranda.

A TV Globo também teve acesso à delação, que foi validada pelo Supremo Tribunal Federal. No depoimento, Ceará diz que estranhou a ansiedade do executivo, que sequer conferiu o valor ao receber o dinheiro. Segundo o delator, Miranda teria dito: “ainda bem que esse dinheiro chegou, porque eu não aguentava mais a pessoa me cobrando tanto.”
Ceará quis saber quem era a pessoa. E conta que Miranda respondeu, na hora: “Aécio Neves.”

Ceará disse que ficou surpreso porque nunca tinha ouvido falar em Aécio Neves no esquema criminoso relacionado a Alberto Youssef. E que o diretor da empreiteira afirmou: “Aqui, a gente dá dinheiro para todo mundo: situação, oposição, pessoal de cima do muro, pessoal do meio de campo, todo mundo.”

Em nota, a assessoria de Aécio Neves disse que a citação do nome dele é falsa e absurda. E que além de não ter nenhuma comprovação, já foi desmentida três vezes pela UTC, pelo presidente da empreiteira e pelo doleiro Alberto Youssef.
A nota diz, ainda, que essa é uma tentativa de confundir a opinião pública, ao citar nomes de políticos da oposição em um escândalo que pertence ao governo e ao PT.
E, que, como outras tentativas de fraude, essa também será desmascarada.

O delator citou, ainda, outros dois senadores, como destinatários da propina: o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, e Randolfe Rodrigues, que era do PSOL e hoje é filiado à Rede Sustentabilidade.

No depoimento, Ceará contou que Youssef estava preocupado com movimentações no Congresso para a criação de uma CPI para investigar a Petrobras. Ele diz que ouviu Youssef dizer que iria disponibilizar R$ 2 milhões a Renan Calheiros para evitar a instalação da CPI.

Ceará perguntou: “Mas Renan Calheiros não é da situação?” e Youssef respondeu:
“Tem que ter dinheiro pra resolver.”

A assessoria de Renan Calheiros afirmou que o senador não conhece Alberto Youssef e nega todas as acusações. Nessa mesma conversa, Ceará disse ao doleiro que havia gente séria no Congresso e citou como exemplo o senador Randolfe Rodrigues. E Youssef teria respondido: “Para esse aí já foram pagos R$ 200 mil.”

Ceará disse que insistiu com Youssef. “Você tem certeza, aquele do ‘oclinho’, do PSOL? “Absoluta”, respondeu Youssef.

O senador Randolfe Rodrigues reagiu com indignação. “Descabido, inaceitável, uma declaração de ‘ouviu falar’. Ele mesmo diz que nunca viu, nunca entregou nada. É desprovido de qualquer matéria fática, de qualquer prova. Como é que alguém que nunca teve nenhum tipo de relação nem proximidade, em um depoimento, cita o meu nome? Não há razão, não há fato nem há circunstância. Tanto que o próprio Youssef não fez nenhuma citação e é em decorrência disso que eu estarei pedindo acareação entre ambos e interpelando judicialmente ambos”, afirmou Randolfe Rodrigues, líder do partido (REDE-AP).

O delator também disse que entregou dinheiro em um apartamento funcional em Brasília para o ex-ministro das cidades, Mário Negromonte do Partido Progressista.
Ceará afirmou ainda que entregou dinheiro nas mãos de Pedro Correa e João Pizzolatti, que também foram deputados do Partido Progressista. E contou que Pizzolatti preferia pegar o dinheiro pessoalmente para não pagar a taxa de entrega.

Carlos Alexandre Rocha confirma o que disse na delação premiada. A defesa de João Pizzolatti também negou que o ex-deputado tenha recebido propina de Youssef ou de pessoas ligadas a ele. O ex-ministro Mário Negromonte considerou o depoimento absurdo, vindo de um criminoso que tenta se livrar do crime acusando sem provas.
A defesa de Alberto Youssef nada declarou. A UTC afirmou que a declaração de Carlos Alexandre não tem fundamento e negou que o diretor Antônio Carlos Miranda tenha recebido dinheiro distribuído por Youssef. O Bom Dia Brasil não conseguiu falar com os advogados do ex-deputado Pedro Corrêa.

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