Câmera de posto flagrou jovem antes de ser morta após carona combinada pelo WhatsApp

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A morte de Kelly Cristina Cadamuro, 22 anos, que viajou de São Paulo para Minas Gerais dando carona ao próprio assassino, foi premeditada, acredita a polícia. Jonathan Pereira do Prado, preso nesta sexta-feira (3), confessou o crime e disse que entrou em um grupo de WhatsApp de carona solidária com intenção de escolher alguém para roubar. O criminoso afirma que iria escolher alguém aleatoriamente, mas o delegado Fernando Vetorazo, que investiga o caso, acredita que Kelly foi visada. Imagens de um posto de gasolina mostram os últimos momentos de vida da jovem.

“O Jonathan entrou no WhatsApp e chamou a menina para a carona, disse que ia com a esposa. Mas ele premeditou o crime porque levou uma corda. Chegando perto de Itapagipe (MG), ele cometeu o crime. Disse que foi aleatória a escolha da vítima, mas não acreditamos, porque ele entrou no grupo, esperou ela oferecer a carona, se fosse apenas para roubar o carro teria feito com outro”, afirmou o delegado à TV Tem. Jonathan já responde por furto, roubo, estelionato, extorsão, ameaça, lesão corporal, apropriação e uso de moeda falsa. Ele estava foragido desde março, quando teve uma saída temporária e não retornou ao Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de São José do Rio Preto (SP).

Kelly fazia parte há 3 anos do grupo de WhatsApp e de um de Facebook com intenção de oferecer caronas, já que viajava constantemente entre Guapiaçu (SP) e Itapagipe (MG), onde morava seu namorado, o engenheiro civil Marcos Silva. A viagem é de cerca de 100 km e com a carona ela dividia os custos de combustível e pedágio. “Vou de Rio Preto para Itapagipe., quarta (1/11) às 18h”, postou ela no grupo do app Carona Rio Preto-Itapagipe. Jonathan leu essa mensagem. A carona foi marcada como sendo para um casal, mas na hora só ele apareceu.

Desaparecimento
Kelly se comunicou com familiares e com o namorado às 19h23, informando que estava abastacendo o veículo na BR-153. Na conversa iniciada cerca de 1h antes da última comunicação, Marcos chegou a pedir que a namorada tivesse cuidado na estrada. Depois disso, ninguém mais conseguiu entrar em contato com a jovem e o WhatsApp mostrava que ela tinha ficado online pela última vez às 19h24. No aplicativo de mensagens, ela contou ao namorado o momento que pegou Jonathan na praça Cívica de Rio Preto, revelou que a mulher do “casal” teria desistido da viagem e por fim contou que tinha parado no posto. Depois disso, nada. O namorado manda mensagens perguntando por ela e não tem resposta.

“Ela era acostumada a viajar e compartilhar carona e, geralmente, me mandava foto de quem era a pessoa que iria acompanhá-la. Dessa vez, como foi uma moça que ligou para ela combinando por telefone, não tinha imagens. Na ligação, ela me contou que iria esta moça e o namorado dela, mas, na hora de embarcar, só o rapaz apareceu. Eu sempre ficava preocupado com ela e mandei mensagem pedindo para ela tomar cuidado. Às 20h23, voltei a procurá-la e ela não apareceu mais”, explica o namorado.

“Assim que percebi que ela estava demorando muito eu comecei a procurá-la e como não achei acionei a polícia. Durante as buscas em uma mata perto da MG-255, eu achei a calça dela, que estava do avesso, bem suja e um pouco molhada. Depois disso, os militares encontraram o corpo”, lamenta.

Câmeras de segurança de um pedágio em Minas Gerais registraram o momento em que ela passa por uma das cancelas dirigindo o carro. Cerca de uma hora depois, o veículo retorna no sentido São Paulo, agora dirigido por um homem. O carro foi encontrado sem pneus nem rádio, abandonado no interior paulista. Na manhã de ontem, o corpo de Kelly também foi achado, perto de um córrego em Minas, entre Frutal e Itapagipe, seminu e com a cabeça dentro da água. Ela tinha braços e pescoço amarrados e tinha sinais de estrangulamento.

Os três suspeitos foram presos nesta sexta. Jonathan foi o primeiro a ser detido, em Rio Preto. A polícia chegou até ele com ajuda das imagens de câmeras do pedágio. Preso, ele indicou os dois comparsas. Daniel Teodoro da Silva, dono de um lava-jato em Rio Preto, foi acusado de ajudar Jonathan a roubar e matar Kelly. Ele tinha objetos da vítima. Já Wander Luis Cunha foi preso por receptação. A polícia usou o sistema de rastreamento do celular da jovem para localizá-lo. Além do aparelho telefônico, Wander estava com as rodas do carro de Kelly. “Um veículo (foi) apreendido com as rodas furtadas, não achamos os pneus nesse veículo, a bolsa da Kelly e uma necessaire. E com um dos indivíduos foi localizado o celular da Kelly, com fotos dela, já confirmado pela família que é o telefone dela”, explica o comandante da PM de Rio Preto.

“(Jonathan) Pegou a carona sozinho, foi até o local onde ocorreu o homicídio e teve ajuda de outro indivíduo para consumar o fato”, explica o PM. “Ele disse que entrou no grupo justamente para cometer esse crime”, diz. A PM afirmou que existe a possibilidade de uma quarta pessoa estar envolvida no crime. “No momento da abordagem, ele (Jonathan) já sabia que estava sendo procurado, não só pelo fato anterior, mas pelo homicídio, pelo fato da grande comoção social… No momento da abordagem já confessou o crime e indicou outros indivíduos que tinham participado com ele no homícidio da Kelly”, conta.

Enterro
O corpo foi velado durante a manhã desta sexta-feira em Guapiaçu, onde Kelly morava com a família, e o enterro foi realizado no cemitério da cidade por volta das 13h.

Emocionado, o namorado de Kelly diz que foi medicado ao descobrir que ela estava morta. Eles namoravam há cerca de dois anos e iriam juntos para o rancho da família de Marcos em Itapagipe celebrar o aniversário da mãe dele. “A Kelly era tudo de bom. Uma menina meiga, brincalhona, companheira e sensível. Aquela pessoa alegre, que gostava de se vestir bem. Ela era batalhadora, estava fazendo estágio e trabalhava como atendente em uma loja de conserto de óculos. Sempre responsável, ela corria sempre atrás dos seus sonhos”, conta.

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