Com seca, site de empresa de água divulga oração para pedir chuva na Bahia

0

Após mais de nove meses de estiagem na cidade de Itabuna, sul da Bahia, a Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa) divulgou, no site oficial, uma “Oração para pedir chuva”. A autoria da mensagem é atribuída ao Papa Paulo VI e foi postada na página da empresa em um vídeo.

A cidade está em estado de emergência por conta da seca desde dezembro do ano passado.

“Tu, Pai bondoso, que sobre todos fazes brilhar o sol e fazes cair a chuva, tem compaixão de todos que sofrem duramente pela seca que nos ameaça. Faz cair do céu, sobre a terra árida, a chuva desejada”, diz a mensagem.

emasa_oracao

A assessoria de comunicação da empresa justificou que a oração foi publicada no site porque a cidade de Itabuna tem grande número de católicos e de outras denominações religiosas.

Questionada pelo G1 sobre as ações empregadas pela empresa para superar a crise hídrica, a Emasa afirmou que estudos técnicos constataram capacidade de ampliação da captação de água bruta no manancial de Castelo Novo, que abastece a cidade. A Emasa afirma que nos últimos 30 dias a empresa tem empenhado esforços para cumprir esse objetivo.

O presidente da Emasa, Ricardo Campos, afirmou, em nota, que são investidos aproximadamente R$ 150 mil na aquisição de materiais para captação de água na cidade. Segundo a empresa, a captação de água era de 850 litros por segundo antes da crise hídrica e atualmente é de apenas 350 litros.

A estação de captação de Nova Ferrada, que captava 300 litros, atualmente capta apenas 50 litros. A Estação de Rio do Braço, que é a principal da Emasa e permitia captar 550 litros por segundo, no Rio Almada, secou completamente, conforme a empresa.

A Emasa diz que, desde o final do ano passado tem tomado várias providências necessárias para amenizar os problemas da falta de água. Inicialmente foram investidos R$ 89 mil na compra de mangotes e bombas que foram instaladas nos pontos de captação, aquisição dos 130 tanques comunitários, com capacidade de dez mil litros cada, e a ampliação da quantidade de caminhões pipa, que eram oito e agora são 45.

A empresa afirma ainda que conta com o apoio da Defesa Civil do Município e da Secretaria de Infraestrutura do Governo do Estado, que está perfurando 13 poços artesianos na cidade e já entregou outros cinco.

Ocupação
No meio da crise hídrica, surge ainda um projeto de lei polêmico que foi enviado pela prefeitura da cidade à Câmara de Vereadores e pode determinar a concessão pública da Emasa. A Casa foi ocupada na segunda-feira (13) por um comitê em defesa da empresa, que critica a proposta.

“Somos contra a privatização da empresa de água, que a prefeitura tenta aprovar sem debate. A empresa será transformada em autarquia. O patrimônio será concedido para a empresa que levar a concessão e as obrigações e dívidas irão para a prefeitura, sem previsão orçamentária de como vai pagar. Tem várias irregularidades. Não definiram o calendário de tramitação do projeto”, afirma o representante do comitê, Érick Félix.

Érick critica que o projeto não contempla soluções para a falta de abastecimento de água na cidade. “No projeto, não é oferecida solução para crise de abastecimento. O que eles apresentam de solução é para a gestão da empresa e investir em distribuição e esgotamento sanitário”, diz.

O presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna, Aldenes Meira Santos, diz que a tramitação do projeto de lei ocorrerá somente após o projeto ser lido em sessão na Casa. A leitura estava marcada para esta quarta-feira (15), mas por conta da ocupação, foi adiada para a próxima semana. A matéria ainda será enviada para comissões e debatida em audiências públicas antes de ser votada pelos vereadores.

Segundo Aldenes, a Justiça determinou em liminar a reintegração de posse da Câmara, com a saída da ocupação. A notificação ocorreu ao meio-dia desta quarta. Os manifestantes têm 12 horas para deixar o local.

O presidente da Câmara ainda diz que a prefeitura justificou o projeto afirmando que a empresa não tem capacidade de enfrentar a crise hídrica. “A empresa não se capacitou ao longo dos anos e precisaria de investimentos. O projeto apresenta como solução para abastecimento a construção de diques e a dessalinização. O projeto ainda dá garantia de que não haverá demissão dos servidores concursados”, afirma.

Aldenes Meira disse ainda que a promessa de pagamento de dívidas da empresa pela prefeitura é um ponto polêmico da proposta e que deve ser negado na Câmara.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here