‘Estou viva e feliz por contar minha história’, diz vítima de estupro coletivo

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Após passar 36 dias internada, uma das três sobreviventes do estupro coletivo em Castelo do Piauí falou com exclusividade a TV Clube nesta sexta-feira (10) sobre a sua recuperação e o que espera para o futuro. A adolescente de 17 anos sofreu traumatismo craniano e chegou a ser submetida a uma cirurgia na cabeça, além da reconstrução das orelhas.

“Não tem pra quê ficar dizendo, ai meu Deus, por que isso aconteceu? Deus não tem culpa de nada, ele me salvou disso. Eu estou viva e bem. Feliz por estar aqui contando a minha história”, declarou.


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A adolescente contou que antes caminhava segurada no pai e que agora consegui só pegando na mão da sua mãe. “Isso é bom porque já tenho quase o equilíbrio do meu corpo. Eu sou muito bem tratada e também eu faço as caminhadinhas que sempre tenho que fazer. É muito bom estar aqui, que nem dá vontade de ir para Castelo. Eu tenho muita saudade de muita gente. Mas estou muito bem aqui”, comentou.

Sobre os planos para o futuro, a garota diz que pretende fazer o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e cursar faculdade de medicina veterinária. “Próximo ano eu vou estudar muito, muito pra passar, pra fazer o Enem. E aí, faculdade e me formar em veterinária. Eu estou viva e bem graças a Deus. Bola pra frente!”, disse animada.

Condenação
Na noite dessa quinta-feira (9), o juiz Leonardo Brasileiro sentenciou os quatro  adolescentes a cumprirem internação de três anos como medida socioeducativa no Centro Educacional Masculino em Teresina. O prazo para cumprimento da medida pode ser estendido, já que os menores serão avaliados a cada seis meses.

Na decisão, o magistrado reconheceu a participação de cada um dos menores na prática de pelo menos oito atos infracionais. Foram imputados individualmente a cada um deles os atos infracionais equivalentes aos seguintes crimes: prática de quatro estupros, três tentativas de homicídio e um homicídio.

A Justiça tem até a próxima segunda-feira (13) para proferir a decisão obedecendo ao prazo de 45 dias estipulado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente para o julgamento de casos envolvendo menores infratores. Caso não fossem julgados dentro desse prazo eles poderiam ser soltos. A decisão ainda cabe recurso.

Já o processo do único adulto acusado de participar do crime, Adão José da Silva Sousa, 40 anos, ainda tramita na Justiça e aguarda decisão.

A mãe da sobrevivente de 17 anos comentou a decisão do juiz e disse esperar uma punição maior para Adão. “Vamos dar um tempo para ver como fica. Cada um tem um coração, mas seria bom se pelo menos eles mudassem, mas isso vai depender deles. Se houver uma mudança seria bom”, declarou ela sobre os menores.

Entenda o caso
No dia 27 de maio, quatro adolescentes foram brutalmente agredidas, estupradas e depois amarradas em Castelo do Piauí, a 190 km de Teresina. Uma das jovens morreuapós 10 dias internada no Hospital de Urgência de Teresina (HUT). As outras três também ficaram hospitalizadas e já receberam alta.

Os quatro adolescentes suspeitos de participação no crime foram apreendidos horas após a barbárie. Um quinto suspeito, Adão José de Sousa, 40 anos, foi preso dois dias depois. Atualmente os quatro menores estão recolhidos no Centro de Internação Provisória de Teresina (CEIP).

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