Freira é indiciada por torturar idosa em Santa catarina

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A Polícia Civil concluiu nesta quarta-feira (9) o inquérito que investiga uma freira por agressões em uma asilo de Laguna, no Sul de Santa Catarina. Conforme o delegado Flávio Costa Gorla, a religiosa de 44 anos será indiciadas por tortura de três idosas, mas é suspeita de agredir cinco.   O delegado também pede à Justiça a prisão preventiva da freira.

A Polícia informou que deve encaminhar o inquérito ao Ministério Público ainda nesta quinta-feira (10). Ao G1, uma representante do asilo disse que, por enquanto, não vai se manifestar sobre o caso.

Outra funcionária do abrigo, de 43 anos, também será indiciada por suspeita de agressão a uma das idosas. A freira e a outra suspeita são técnicas em enfermagem.

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Até 29 de fevereiro, a suspeita era que três idosas haviam sido agredidas. Nesta semana, a polícia encontrou indícios das outras duas vítimas.

Segundo o delegado, o inquérito foi concluído pois “as circunstâncias do fato delituoso foram demostradas”.  “Não era só a questão física, mas também o tratamento. As idosas que prestaram depoimento não relataram as dores, mas a tristeza que sentiam”, detalha Gorla.

Segundo ele, há denúncias que a freira agredia cinco idosas, uma delas de 93 anos. “Uma das vítimas admitiu e uma testemunha confirmou duas agressões. As outras duas ainda precisamos ter certeza. Contra a outra técnica de enfermagem, há denúncia de agressão contra uma idosa”, diz Gorla.

“Ela [a funcionária] foi apontada por uma testemunha como sendo também agressora. Ela obedecia a freira. No depoimento ela disse que a freira amarrou uma idosa na cadeira de rodas, com lençol”, conta Gorla.

A freira relatou em depoimento à polícia que uma das idosas fantasiou as chineladas.

Novas vítimas
A previsão era que o inquérito fosse concluído na semana passada, mas surgiram novas denúncias contra as duas suspeitas. A freira teria agredido outras duas idosas. Nesta quarta, o delegado ouviu a quarta vítima.

“Ela prestou um depoimento confuso, às vezes confirmava, outras negava as agressões. Não conseguiu se expressar bem. Encerramos o termo”, afirma o delegado. Essa idosa teria sido agredida pelas duas suspeitas, mas a vítima não conseguiu confirmou as agressões no depoimento.

“A quinta vítima tem 93 anos e não poderia vir à delegacia. Este foi só o inicio. Acredito que em juízo essas pessoas ouvidas irão poder fornecer mais elementos. Vamos deixar para que sejam ouvidas pelo promotor, juiz”, diz o delegado.

Funcionários que denunciaram foram demitidos
Conforme o delegado, as agressões teriam ocorrido entre setembro de 2014 e janeiro de 2015 e também entre setembro de 2015 a janeiro de 2016. Neste período, o asilo teve três diretoras diferentes.

De acordo com o delegado, a atual diretora informou em depoimento que uma funcionária denunciou as agressões, mas as idosas não confirmaram à diretora o ocorrido. Ela também disse à polícia que não notou hematomas nas idosas, decorrentes de possíveis agressões.

A Polícia Civil também ouviu duas cuidadoras, uma assistente social e uma enfermeira que trabalhavam no local, além de outras testemunhas. Elas confirmaram que os idosos relataram que eram agredidos durante a noite. Uma das cuidadoras, inclusive, viu a freira agredindo os idosos. Essa cuidadora e a enfermeira foram demitidas do asilo no início deste ano, após o início das investigações policiais.

“Segundo a enfermeira, a diretoria do asilo disse que seria melhor assim. Depois que elas foram demitidas, pudemos ouvi-las melhor”, detalha Gorla. As outras continuam trabalhando no local.

As cinco vítimas continuam no asilo Santa Isabel. A funcionária de 43 anos também trabalha no local. A freira, desde janeiro, trabalha em um asilo de freiras em Nova Veneza, no Sul do estado.

“Vou pedir a prisão preventiva da freira e uma medida cautelar para o afastamento da outra mulher do asiloenquanto não haver uma decisão judicial sobre o caso, pois ela continua trabalhando lá”, diz o delegado.

Asilo atende pessoas de 48 a 98 anos
O caso chegou até a Polícia Civil após uma denúncia anônima feita ao Ministério Público. De acordo com o relato do denunciante, uma idosa de 72 anos recebia chineladas no rosto e apanhava com toalhas molhadas quando desobedecia alguma ordem da freira.

O Asilo Santa Isabel, no bairro Magalhães, é uma instituição filantrópica sem fins lucrativos que recebia recursos dos governos federal e estadual através do Fundo Municipal de Assistência Social, conforme o delegado. O local abriga 37 pessoas de 48 a 98 anos. 24 funcionários cuidam de 18 homens e 19 mulheres.

Inicialmente apenas uma idosa era conhecida como vítima das agressões. Porém, após depoimento de uma ex-enfermeira, outras duas senhoras também confirmaram os maus-tratos. Após os depoimento delas, surgiu as denúncias de agressões contra outras duas idosas.

De acordo com testemunhas e os relatos das próprias vítimas, todas as agressões aconteciam em casos de desobediência: “Elas eram agredidas quando não queriam tomar banho, ou ir dormir. Em geral quando não obedeciam a alguma ordem”, explica o delegado.

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