Hilda Furacão pode ter enterro modesto na Argentina

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Figura mítica da boemia de Belo Horizonte, Hilda Furacão, ou simplesmente Hilda Maia Valentim, pode ter uma despedida solitária e simples. É o que acreditam os funcionários do asilo Guillermo Rawson em Buenos Aires, na Argentina, lugar onde ela viveu até sua morte nesta segunda-feira (29). De acordo com o diretor da instituição, Jorge Stolbizer, o corpo de Hilda está em um necrotério da cidade e ninguém apareceu para reclamá-lo. Os custos para permanência dele no local são cerca de $200, pouco mais de R$400 por dia, e ainda estão sendo bancados pelo asilo.

“Nós vamos esperar até esta quarta (31). Por causa do Ano Novo, é possível que o corpo só seja entregue no dia 2. É uma lástima. Pobre mulher. Fez tanto durante a vida e agora não há ninguém para que possa lhe prestar homenagens”, desabafou o diretor. Ainda de acordo com Stolbizer, caso ninguém apareça, o sepultamento será custeado pela prefeitura de Buenos Aires e deverá acontecer no Cemitério Municipal de Chacarita.

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O serviço de assistência social da Argentina já foi acionado para tratar dos trâmites. Porém, Stolbizer ainda tem esperança que pelo menos um admirador reclame o corpo. “Com esta divulgação, esperamos que alguém se sensibilize e nos procure”

Na manhã desta terça-feira (30) uma funcionária do asilo entrou em contato com a reportagem doG1 pedindo indicação de alguém no Brasil para assumir a responsabilidade pelo traslado do corpo e do enterro de Hilda. Ela afirmou que ninguém havia entrado em contato ainda e que, desta forma, daria prosseguimento aos trâmites para que fosse enterrada em Buenos Aires mesmo, a cargo do governo local.

O G1 procurou o Itamaraty sobre o caso, mas ainda não obteve resposta.

Hilda Maia Valentim, conhecida como Hilda Furacão, morreu na manhã desta segunda-feira (29) no asilo Guillermo Rawson, em Buenos Aires, na Argentina, segundo informou ao G1 o diretor da instituição, Jorge Stolbizer. Ela foi eternizada em um livro escrito por Roberto Drummond. A história virou minissérie, exibida em 1998 pela TV Globo, na qual Ana Paula Arósio representou a personagem.

Hilda era viúva do ex-jogador do Boca Juniors Paulo Valentim. O jornalista Ivan Drummond, parente de Roberto Drummond, foi quem localizou Hilda no país vizinho. Uma assistente social brasileira entrou em contato com Ivan após elucidar a história da paciente. Em agosto de 2014, a reportagem do Fantástico foi até o asilo e conversou com Hilda, que na época estava com 83 anos.

De acordo com Jorge Stolbizer, a morte aconteceu às 10h10 por “causas multiorgânicas” – ela começou a ficar debilitada por um problema respiratório, depois agravado por uma falha renal. Hilda era mantida numa ala de internação há oito meses devido à saúde frágil. Até um mês atrás, estava totalmente lúcida. Depois, passou a ter “flashes” eventuais de lucidez.

Segundo Stolbizer, ela nunca foi visitada por familiares enquanto esteve no asilo.

Viúva desde 1984, ela morava com um filho até que ele morreu, no ano passado. Hilda sofreu uma queda e ficou internada seis meses em um hospital público em Buenos Aires. Depois ela foi levada para o asilo mantido pela prefeitura.

Na obra de Roberto Drummond, Hilda é descrita como uma mulher linda, jovem da alta sociedade mineira que larga a família e se transforma em uma das mais famosas prostitutas de Belo Horizonte na década de 1950. A rainha da zona boêmia deixava os homens loucos, entre eles, até um frei dominicano, papel de Rodrigo Santoro.

O autor do livro, Roberto Drumond, morreu em 2002. Em 1991, ele deu pistas sobre a personagem. “Hilda existiu. Agora de tal forma ela foi mitificada, e mistificada que ela se transformou em um boato. Um boato festivo, colorido, maravilhoso, então o livro é contado através desse boato”, contou o criador de Hilda Furacão.

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