Hoje é dia da maconha: tem lubrificante, roupa, vinho, festa… Confira

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Nesta sexta-feira (20/4) é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Liberdade do Uso e Legalização da Maconha – mais conhecido como Dia da Maconha. A data é considerada a mais importante da cultura canábica.

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Para comemorar, listamos 10 curiosidades e notícias relacionadas à data e ao tema. Confira

Por que 20 de abril?
A história que contam é que 20 de abril se tornou, de forma não oficial, o “Dia Internacional da Maconha” na década de 70 na Califórnia. Diz-se que jovens encontraram um suposto mapa de uma plantação de maconha e iniciaram uma busca diária, sempre às 4:20 da tarde…

“Logo 4:20 se tornou uma senha usada por integrantes de rodas de maconha até chegar a banda Greatful Dead que disseminou de uma vez a cultura do 4:20, perpetuando até os dias de hoje”, conta Jeff Beltrão, empresário, sócio da tabacaria Sr. Haxi.

“O que eu acho mais surpreendente nessa história é ser um movimento não oficial que por duas décadas é celebrado por milhares de comunidades em quase todo o mundo. E um movimento tão genuíno, com marchas redor do mundo todo ano, nos desperta sempre questionamentos. Será mesmo a maconha a grande vilã? Ou seria, em parte, uma solução? Vale a reflexão”, pontua ele.

Lubrificante íntimo
Resultado de uma mistura caseira de óleo de coco e flores de maconha, o lubrificante brasileiro agraciado com o nome de Xapa Xana promete 15 minutos de orgasmos para mulheres.

Segundo o fabricante, o produto deve ser aplicado na mucosa vaginal uma hora antes do sexo. Além do prazer sexual, o produto ainda ajuda a cuidar da região íntima: tem ação antifúngica, anti-inflamatória e antibacteriana.

Apesar do alto índice de THC (principal componente ativo da maconha) no lubrificante, a empresa esclarece que ele não é capaz de deixar a pessoa “chapada”, nem mesmo com o sexo oral.

Para os homens interessados, as notícias não são boas: o efeito não é o mesmo para os rapazes. A única diferença a ser sentida é uma sensibilidade um pouco maior ao toque.

O produto pode ser comprado na página do Facebook da empresa e é vendido a partir de R$ 30 (a versão com 15ml).

Head shops
Esse é o nome das lojas dedicadas a produtos da cultura canábica. Em Salvador, fomos conhecer duas: a Sr. Haxi, que fica na Pituba (e tem filiais no Rio Vermelho e em Stella Maris) e a Isso é um cachimbo? no Rio Vermelho.

Uma está escondidinha no fundo de um pequeno shopping na Avenida Paulo VI. A outra está na cara da Rua Fonte do Boi. À primeira vista, poderiam passar batidas, como tabacarias, camiseterias, lojas de decoração e até sex shops, por conta de alguns apetrechos com formatos fálicos. Mas os prazeres potencializados são de outra natureza. Mais, digamos, etérea.

O que parece mais concreto é o pé-atrás de alguns passantes. “Às vezes, noto que umas senhoras puxam os filhos para longe da loja quando percebem do que se trata”, conta Jeff Beltrão, sócio da Sr. Haxi. E olhe que só havia folha de maconha impressa em roupas. A única erva à venda nas lojas que visitamos era tabaco.

Sr Haxi
Em viagens, o publicitário Jeff Beltrão, 29 anos, conheceu head shops, lojas de produtos ligados ao consumo de maconha e tabaco. De volta ao Brasil, se juntou com o amigo Rodrigo Hohlenwerger, 35, e criou a Sr. Haxi.

Isso em meados de 2015, no Instagram (@srhaxi) e na Feira da Cidade. “Percebemos a demanda e resolvemos encarar uma loja física. Com menos de 20 dias, o resultado já foi ótimo”, conta Jeff. Eles optaram por um cantinho do Shopping Paulo VI.

Em seis meses foram para uma loja com o triplo do tamanho e mezanino, no mesmo local. Tudo mantendo a discrição dos clientes. “Ainda há preconceito. Minha avó ficou horrorizada com a loja. Mas gosto de quebrar paradigmas e fomentar o debate. Sou consumidor de tudo que vendo”, diz o rapaz.

Isso é um cachimbo?
Lucas Moura é formado em Análise de Sistemas, mas trabalha com distribuição de produtos ligados à tabacaria e à cultura canábica. Junto com a companheira, Luna Nery, e um casal de amigos, criou a Isso é um cachimbo?. A loja fica na Rua Fonte do Boi (Rio Vermelho). O público, segundo ele, surpreende.

“Outro dia, entraram duas senhorinhas de 70 anos com echarpe. Pensei que elas tinham se confundido com a loja de roupas que tinha aqui antes. Pois compraram muito mais de R$ 200. Uma delas se despediu dizendo que fuma há 57 anos, por isso comprou logo material para seis meses”, lembra ele.

Daí a preocupação de não explorar visualmente estereótipos. Não fossem os produtos, a loja poderia vender decoração. Na trilha sonora tinha Nina Simone e o próprio nome da loja vem do mais famoso quadro do pintor surrealista belga René Magritte.

Mal inaugurou, a trupe já tem planos de expansão. “Queremos usar o andar de cima para vender itens de cultivo. Tipo um kit já com fertilizante, terra, vaso e lâmpada. Tudo pronto para um leigo conseguir desenrolar”, explica Lucas.

Produtos
Além dos mais simples e óbvios, como tabaco orgânico, sedas e cachimbos, as lojas vendem coisas inusitadas para quem não fuma. Bongs são aparelhos que filtram com água. Vaporizadores, que extraem o que importa das ervas – “quaisquer ervas, inclusive camomila e erva doce”, sinaliza Lucas – e cujos preços variam entre R$ 160 e R$ 2 mil na loja dele.

Até roupas rolam, e a Sr. Haxi investiu em diferenciais como marca própria de camisas, com frases engraçadinhas como The Beck is on The Table. Também tem revenda de produtos orgânicos do Vale do Capão, como cachaça e mel.

Vinho
Vinho que deixa bêbado sem ter álcool e não dá ressaca parece impossível. Mas ele existe, é de maconha e vem da Califórnia, nos Estados Unidos. A iguaria foi produzida pela vinícola Rebel Coast.

Uma garrafa do vinho, que se asemelha ao branco e é feito de maneira tradicional, incluindo a fermentação de uvas, contém cerca de 16mg de THC, componente responsável pela onda na maconha. Em cerca de 15 minutos os efeitos começam a ser sentidos.

O sabor, segundo os fabricantes, além da erva, reúne tons herbáceos, de capim limão, lavanda e tons cítricos. Uma garrafa custará cerca de 60 dólares, cerca de R$200, e a venda vem junto com a liberação do uso recreativo da maconha, que é permitido no país. Uma taça tem 35 calorias.

Em Salvador: Bate-papo
Por conta da data, a tabacaria Sr. Haxi, que tem unidades na Pituba, no Rio Vermelho e em Stella Maris, promove, na loja da Pituba (Rua Alexandre Herculano, 54), a partir das 20h, um bate-papo sobre a descriminalização da maconha assim como o seu uso medicinal.

Vão participar da conversa o professor de sociologia, antropólogo e ativista antiproibicionista Fabiano C. Santos e também Jefrrey Sidi, secretário geral da CANNAB (Associação Para Pesquisa e Desenvolvimento da Cannabis Medicinal no Brasil).

Na sequência, Isa Conçalves, ativista antiproibicionista da RENCAA (Rede Nacional de Coletivos Ativistas Antiproibicionistas) e a Nadja Carvalho, fundadora do projeto Revista Vírus e também ativista antiproibicionista da RENCAA, comandam um debate tendo como tema central o Feminismo Canábico.

O evento ainda vai contar com uam apresentação do artista Magnata King Faya, que recebe como convidados o produtor musical e DJ paulista Jeff Boto e o rapper baiano Fall Clássico e terá entrada gratuita.

Em Salvador: Festinha
“Pra comemorar esse dia tão especial, vai ter bolo! A partir das 4:20 na Cachimbo Rio Vermelho, vem acender a velinha com a gente?”, postou outra headshop baiana, a ‘Isso é um cachimbo?’, que fica no Rio Vermelho (Rua Fonte do Boi, 176).

Famosos que adoram
Rihanna: no clipe da música Diamonds, aparece enrolando um cigaro recheado de brilhantes. Fashionista, sempre ostenta brincos, camisas e até bolsas com a estampa da verdinha.

Miley Cyrus: Em seu perfil no Instagram, a cantora já postou diversas fotos fumando. Slém de roupas que usa no cotidiano, ela também usa a estampa em figurinos de shows, como na Bangerz tour (2014).

James Franco: O ator californiano foi eleito maconheiro do ano em 2009 pela revista especializada High Times. Em entrevista, contou que fumava na adolescência.

Na forma da lei
“A Constituição garante a liberdade de manifestação do pensamento. Não é crime defender a legalização do uso de maconha, desde que se respeite o limite da razoabilidade. Se tais acessórios e objetos transmitirem a ideia de que a criminalização é ilegítima, não há apologia a crime”, diz o advogado Gamil Föppel.

Ele é mestre em Direito Penal, doutor em Direito Penal Econômico, e integrante da comissão de juristas nomeada pelo Senado Federal para a reforma do Código Penal e da Lei de Execuções Penais.

“Ainda é considerado crime, no Brasil, o uso de maconha. Contudo, não existe mais pena de prisão. Desde 2006 há a descaracterização do crime de uso de maconha. Ou seja, quem é usuário não tem contra si a pena de prisão”, afirma ele.

Mas a coisa deve mudar de figura. “No projeto de reforma do Código Penal o uso de drogas deixará de ser crime e haverá critério objetivo para diferenciar o usuário do traficante”, pontua Gamil.

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