João de Deus teria retirado R$ 35 milhões do banco após denúncias

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Médium, que é considerado foragido, foi acusado de abusos sexuais por mais de 350 mulheres

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A retirada de R$ 35 milhões de aplicações que o médium João de Deus tinha em bancos motivou a aceleração do pedido de prisão dele pela Polícia Civil de Goiás e pelo Ministério Público de Goiás.

De acordo com informações do jornal carioca Extra, as movimentações teriam sido realizadas após as primeiras denúncias de abuso sexual terem sido divulgadas, na última quarta-feira (12).

O médium, acusado de abuso sexual de mais de 350 mulheres, incluindo sua filha, é considerado foragido pela Justiça. Ele é acusado de abusar sexualmente das mulheres durante sessões espirituais na cidade de Abadia. A ordem de prisão já foi emitida e está disponível no sistema do Conselho Nacional de Justiça. O advogado do médium está negociando a apresentação dele com a Polícia Civil.

Ao Extra, o delegado da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, confirmou a rendição do médium. Até agora, ele não foi localizado pela polícia. Ele acredita que o médium não esteja em Goiás. Foram dois telefonemas. “Assim que o local e horário forem fixados, será preparada a logística”, disse o delegado. Ele afirmou que a apresentação de João de Deus não deve acontecer antes das 20h deste sábado (15).

João de Deus foi visto em público pela última vez nesta quarta, quando visitou a Casa Dom Inácio de Loyola, onde faz os atendimentos. Em um pronunciamento de poucos minutos, disse ser inocente e estar a disposição da Justiça.

Relembre o caso
Desde que a prisão preventiva foi realizada, a Polícia Civil afirma já ter procurado o médium em mais de 20 endereços. Na casa dele de Goiás, no entanto, as buscas não foram feitas. Os endereços já investigados estão sob sigilo. “Há pontos que também estão sendo vigiados”, disse o delegado geral.

A Força Tarefa montada para investigar as denúncias de abuso sexual que teriam sido cometidas pelo médium já reuniu mais de 330 relatos em vários Estados do País. Mulheres que se dizem vítimas também se apresentaram em seis países. João de Deus atende cerca de 10 mil pessoas por mês, das quais 40% são estrangeiras. Os abusos teriam sido cometidos depois do atendimento espiritual feito pelo médium. As mulheres relatam que, depois do atendimento em grupo, eram convidadas para uma consulta individual, onde os abusos seriam cometidos. O Ministério Público afirma ainda que quatro funcionários são suspeitos de ter envolvimento nos crimes.

A mulher de João de Deus, Ana Keila Teixeira, apareceu há pouco em público, durante uma festa de distribuição de brinquedos para criança carentes de Abadiânia e pediu que todos rezem para que a verdade prevaleça. A festa de distribuição de brinquedos é realizada todos os anos. É um dos acontecimentos de Abadiânia, cidade a 112 quilômetros de Brasília, patrocinados pelo médium. Um toldo é estendido em frente da casa do líder espiritual, brinquedos são dispostos na rua. Depois do almoço, há distribuição de bonecas, bolas e outros brinquedos.

Todos os anos, cerca de 2 mil pessoas participam do evento. Na edição deste ano, no entanto, a movimentação está muito abaixo da média. Há, neste momento, cerca de 200 pessoas no local, a maioria crianças. Ana Keila não deu entrevistas.

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