Quadrilha usa tragédia em Mariana para furtar máquinas, diz prefeito

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A Prefeitura de Mariana e comerciantes foram lesados por criminosos que se aproveitaram da tragédia na cidade para furtar máquinas usadas em obras de estradas, de acordo com o prefeito Duarte Júnior. Suspeitos se apresentaram como voluntários da prefeitura de Mariana e usaram o nome de uma empresa do Rio para alugar 11 máquinas.

O golpe foi revelado pelo prefeito de Mariana em coletiva nesta quinta-feira (14), em Belo Horizonte. Segundo Duarte Júnior, quatro das máquinas ainda não foram encontradas e o prejuízo, para a empresa dona dos equipamentos, ultrapassa R$ 2 milhões.

A Barragem de Fundão, da mineradora Samarco, cujas donas são a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, se rompeu no dia 5 de novembro de 2015. O distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, foi o mais afetado. A enxurrada de lama também atingiu cerca de 40 cidades em Minas e no Espírito Santo. O desastre ambiental deixou 17 mortos e dois desaparecidos.

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Duarte informou que os suspeitos voluntariamente procuraram a secretaria responsável por intervenções em estradas e se dispuseram a realizar serviços sem custos. Um contrato da prestação de serviços foi assinado com a prefeitura para a retirada de lama e entulho, abertura de estradas e colocação de cascalho nas vias.

A prefeitura afirmou que o contrato é uma prática adotada com todas as empresas que realizaram trabalhos após a tragédia em Mariana, mesmo prestando um serviço voluntário, sem contrapartida financeira do município. Neste golpe, os suspeitos usaram o nome da construtora e transportadora HCS, com sede no Rio de Janeiro. A prefeitura também se considera vítima, porque teve o nome usado por falsários.

Para realizar as intervenções, na primeira quinzena de dezembro, 11 máquinas foram locadas pelos suspeitos da Lafaete Locações, com sede em Belo Horizonte, com pagamento a ser feito em janeiro. Dez foram entregues no ato do contrato de locação e uma seria entregue no dia 11 deste mês, o que não chegou a se realizar.

A Lafaete informou que, justamente no dia 11, o GPS de monitoramento das máquinas parou de funcionar, levantando suspeitas. Os rastreadores teriam sido quebrados pelos ladrões, o que facilitaria no deslocamento dos equipamentos.

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Já o advogado da HCS, Alexandre Félix de Resende, disse que a construtora foi surpreendida quando soube do crime por um representante da Lafaete. Este funcionário foi até a sede da HCS, no Rio de Janeiro, na última segunda-feira (11) para saber onde estavam as máquinas que estavam com os GPS desligados.

De posse do suposto contrato, o dono da HCS, segundo Resende, rapidamente identificou que a assinatura tinha sido falsificada de forma grosseira. O advogado registrou um boletim de ocorrência nesta quinta-feira (14), na capital fluminense.

Seis máquinas já foram recuperadas, segundo o prefeito de Mariana e a empresa de locação. Três caminhões estavam no pátio da prefeitura, duas máquinas em um posto de gasolina e outra abandonada perto de uma obra. Outras quatro continuam desaparecidas. A Polícia Civil investiga o caso.

Outros prejudicados
Dois dos suspeitos se hospedaram em um hotel de Ouro Preto e fugiram sem pagar as diárias e o consumo do frigobar. O prejuízo de acordo com o proprietário, Júlio Pimenta, chega a R$ 1,7 mil. Ainda segundo Pimenta, os homens aparentam ter cerca de 45 anos, têm sotaque carioca e ficaram hospedados de 4 a 10 de janeiro.

O golpe começou a ser descoberto porque o dono do hotel disse que os hóspedes consumiam, diariamente, todos os itens do frigobar – entre comidas e bebidas.

O responsável pela controladoria da empresa locadora, Rogério Marques, disse que os suspeitos apresentaram toda a documentação exigida para fazer o aluguel dos equipamentos. A empresa teria sede no Rio de Janeiro.

Os suspeitos também deram calote em um posto de gasolina no valor de R$ 18 mil. Uma lavanderia também foi contratada para lavar as roupas dos criminosos, mas o valor do golpe não foi divulgado.

O dono de uma locadora de carros também teve a própria caminhonete furtada. De acordo com Paulo Henrique Della Valentina, o prejuízo é de R$ 90 mil. Ainda segundo ele, outros dois veículos foram alugados, tiveram o rastreador estragado, mas não foram levados pelos criminosos.

Não houve representante da Polícia Civil na coletiva, que ocorreu no prédio do Ministério Público Estadual. Segundo o prefeito de Mariana, o imóvel foi apenas emprestado para a entrevista e a promotoria não tem participação na apuração do caso.

A Polícia Civil informou que o caso é investigado pelo delegado Marcelo de Castro, de Mariana. O inquérito foi aberto nesta terça-feira (12). A polícia não deu detalhes sobre o andamento da investigação.

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