Suspeito de atacar Tia Má é identificado pela polícia

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A polícia identificou o homem que ameaçou de morte e cometeu crime de injúria racial contra a jornalista e influenciadora digital Maíra Azevedo, a Tia Má. O nome do suspeito não foi divulgado, mas ele e alguns familiares já foram intimados para comparecer na 1ª Delegacia (Barris) e prestar esclarecimentos nesta terça-feira (6).

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A titular da unidade, Maria Dail, disse que já conversou com o homem por telefone. “Nesse primeiro contato ele negou as acusações, disse que não foi ele que cometeu os crimes, mas temos o número dele. Intimamos ele e alguns familiares e vamos ouvi-los a partir de hoje”, afirmou a delegada.

Nesta terça, Maíra comentou o caso. “Tenho certeza que essa pessoa (que fez as ameaças) será presa pela polícia. Foram dois crimes. Racismo e ameaça contra a minha vida. Eu vou seguir lutando contra as mais diversas formas de discriminação. Não posso permitir que um racista dite as regras da minha vida. Para que eu pudesse falar hoje, milhares foram silenciados e eu não vou me calar”, disse.

Agressões

A primeira agressão aconteceu durante uma transmissão feita por Tia Má, ao vivo, no instagram. O agressor chamou a vítima de ‘Monkey’ (macaca em inglês). A palavra foi seguida do emoticon do animal. No dia seguinte, Maíra foi ameaçada de morte. Ela denunciou o caso ao Ministério Público da Bahia e prestou queixa na 1ª Delegacia (Barris).

Não satisfeito, o autor das injúrias raciais voltou a atacar. Na sexta (2), postou nas redes sociais da jornalista a seguinte frase: “Sou hacker, vou acabar com a sua vida. Não passa de hoje”.

Assustada, Maíra não permitiu que o filho fosse à escola naquele dia. “A gente não sabe quem é o agressor. Pode ser uma pessoa distante, mas também pode ser alguém próximo”, disse, na época.

O criminoso estava usando o celular para fazer as publicações, e a polícia chegou até ele depois de solicitar a quebra do sigilo telefônico através da operadora.

Os investigadores descobriram que o homem usava um nome falso nas redes sociais. Após trabalho de apuração policial, chegaram à identidade verdadeira do suspeito e onde ele morava – os detalhes não foram divulgados para não atrapalhar a investigação.

Crime

Injúria racial é crime e, geralmente, está associada ao uso de palavras depreciativas referentes à raça ou a cor com a intenção de ofender a dignidade ou o decoro da pessoa.

O Código Penal Brasileiro estabelece no parágrafo 3º do artigo 140 que “se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência” a pena é de reclusão de um a três anos e multa.

Essa é a segunda vez que Maíra é discriminada na internet. A primeira vez foi em maio de 2016. “Na época eu registrei queixa na 1ª Delegacia. Aqui na Bahia não existe delegacia especializada para crimes de racismo ou crimes virtuais levando como provas prints que precisam ser autenticados no cartório”.

Depois da nova ameaça, Tia Má passou a tomar certos cuidados, como evitar sair sozinha. O agressor chegou até a ligar para Maíra para tentar intimidá-la a não prestar queixa. Ele fez contato através do telefone profissional que fica disponível nas redes sociais da jornalista. Ela contou que atendeu as primeiras ligações, mas parou de falar com o criminoso logo depois.

A Polícia Militar também foi acionada e passuo a fazer rondas no entorno da casa de Maíra por conta das ameças de morte.

Jornalista

Maíra é jornalista, formada há 12 anos. Em 2014, recebeu o prêmio de jornalismo Abdias do Nascimento, pelo caderno Especial da Consciência Negra, publicado no jornal A Tarde. Em 2015, foi eleita uma das 25 negras mais influentes da internet. Em vídeos curtos, de dois a três minutos em média, ela trata de assuntos do cotidiano, como relacionamentos, trabalho, sexo, auto estima, empoderamento feminino e mecanismos de defesa contra formas de discriminação.

Atualmente, Maíra Azevedo, a Tia Má, faz parte do time de parceiros do programa Encontro com Fátima Bernardes, na Rede Globo. É a única baiana a fazer parte da equipe. Maíra, no ano passado, foi madrinha da Parada LBGT da Bahia.

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