Suspeito de transmitir HIV de propósito é indiciado

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O suspeito de transmitir de maneira intencional o vírus HIV para mulheres foi indiciado na noite da quinta-feira (8) no Rio de Janeiro após denúncias. Renato Peixoto Leal Filho, de 43 anos, negou as acusações através do advogado, embora tenha assumido ser soropositivo. A pena para o crime é de até quatro anos de prisão, além de pagamento de multa.

A polícia começou a investigar o caso no fim de agosto, depois que uma das mulheres procurou a delegacia para denunciar o caso. Logo depois, outra mulher apareceu relatando o mesmo modo de agir do suspeito. Segundo elas, Renato abordava mulheres pelas redes sociais. Depois, marcava de sair e conhecer as mulheres. Sem informar nada sobre a doença, ele insistia para fazer sexo sem camisinha.

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Uma jovem de 23 anos morou no apartamento dele no início deste ano e acabou descobrindo que ele tem Aids. Depois de conhecê-lo pela internet, ela deixou o estado em que morava com os pais para ir ao Rio de Janeiro. Dois meses depois, achou um exame e descobriu que ele era soropositivo. “Eu o confrontei, mas primeiro ele negou. Só com muita insistência admitiu”, contou ela ao Extra.”Ele era muito obsessivo e agressivo verbalmente. Eu tinha medo. Acabei voltando para o meu estado escondida, com a ajuda de uma amiga”, acrescenta.

A jovem procurou outras mulheres que se envolveram com Renato para alertá-las da doença. Outras duas confirmaram que fizeram sexo sem preservativo com o suspeito, sem saber que ele era soropositivo. Nenhuma das três testou positivo para HIV. “O contágio, nesse caso, é secundário. São pessoas expostas a um risco grave”, afirma o delegado Marcus Vinícius Braga, à frente do caso.

Em áudios, Renato aparece ameaçando as mulheres e dizendo que não tem remorso de nada. “Infelizmente eu peguei essa p… (doença). Peguei tem um tempo atrás. Tem quase 15 anos. Outra coisa: eu estou cagando para esse exame agora. Não quero saber de p… nenhuma. Negativo ou positivo? Eu quero que se f… Prejudiquei quem? Quem que eu prejudiquei? Não tenho remorso. Assim, não prejudiquei. Não infectei nenhuma. As pessoas que eu infectei, no caso, elas me aceitaram. Foi a mãe da minha filha, e uma outra namorada que tive. Ficamos oito anos juntos. Tu quer me processar? Me processa. Só que antes de ir pra cadeia, eu me mato. Você acha que eu vou pra cadeia? Eu vou pra favela. Quero ver me pegar lá dentro. Quem se aproximar de mim eu meto bala. Não tenho nada a perder. Sua pir.., vagabunda. Denuncia lá”, é ouvido em um dos áudios.

“Revanchismo”
O advogado de Renato, Rafael Faria, nega as acusações e diz que tudo se trata de um “revanchismo” de uma ex-namorada dele. “O Renato vem sendo perseguido por uma ex-companheira. Ele é portador do HIV, mas se cuida e não tem intenção de passar o vírus para ninguém. Ele está sendo difamando por conta do término de um relacionamento”, garante.

Em depoimento ao Extra, uma das jovens diz que ficou irritada quando Renato a obrigou a não usar camisinha. “Então pensei: “Nunca mais vou estar com esse cara”. Ele ainda insistiu, mas acabei cortando relações. Dois meses mais tarde, recebi uma mensagem dessas meninas dizendo que eu corria o risco de estar contaminada. Hoje, as vejo como anjos de Deus, mas foi um choque. Aí, entendi a insistência pelo não uso do preservativo, as coisas que ele dizia, que ia marcar a minha vida. Eu, por sorte, por força divina, não fui contaminada”.

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