“Vivemos enjaulados”, diz moradora sobre toque de recolher na Liberdade

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Ônibus atravessado na pista, bandidos respondendo a tiros a presença da polícia e toque de recolher. No centro de tudo isso, a população sitiada em suas casas. Durante 14 horas, o bairro da Liberdade abrigou o medo. O motivo da tensão foi a morte do traficante Wellington Silva Fernandes, conhecido como Piloto, baleado com um comparsa, em Santa Mônica, durante ação de policiais militares da 37ª Companhia Independente (Liberdade) no início da noite de sábado.

Segundo o major Edmilton Reis, comandante da unidade, guarnições foram recebidas a tiros por três homens em um Fiat Palio prata. Os bandidos estavam com um revólver calibre 38 e uma pistola calibre ponto 40. Piloto e Ronaldo Barreto dos Santos foram baleados e levados para o hospital Ernesto Simões Filho, onde não resistiram aos ferimentos. Já Jerferson Ribeiro de Oliveira foi preso e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Pituba.

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Segundo o major Edimilton, Piloto era um dos líderes do tráfico de drogas na Liberdade e possuia mandado de prisão por homicídios. O comandante disse que um carro oficial da unidade foi atingido seis vezes no confronto e encaminhado à perícia. Ainda de acordo com ele, o policiamento no bairro foi reforçado com guarnições das Rondas Especiais (Rondesp) e pelo Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer).

Ônibus
Era por volta das 20h de sábado, quando um bonde de homens encapuzados, cerda de 15, armados de pistolas, revólveres e escopetas, caminhavam atirando para o alto na Rua Doutor Eduardo Santos, a principal de Pero Vaz.“Estavam com panos cobrindo todo o rosto, parecendo presidiários, como se fossem brigar com outra facção, e tocaram o terror aqui. De minha casa, ouvi muito muitos tiros”, contou uma dona de casa. Ela disse ainda que na região há constantes confrontos entre gangues. “Vivemos enjaulados. Não podemos sair daqui até ali que corremos o risco de ser mais uma vítima de bala perdida, que na verdade encontram inocentes”, concluiu.

Alguns estabelecimentos comerciais, como bares e farmácias, que ainda estavam abertos, foram obrigados a fechar por determinação dos bandidos. “Não tiveram escolha. Ou fechavam ou morriam”, disse um morador da região há mais de 30 anos. Quando se aproximou da entrada da Liberdade, o bonde cercou um ônibus que faz linha no Pero Vaz. “Sob a mira das armas, o motorista foi obrigado a atravessar o ônibus da rua, bloqueando o acesso de carros. Os passageiros, em pânico, desceram às pressas. Foi terrível”, contou uma moradora.

Cerca de meia hora depois, policiais da 37ª CIPM chegaram ao local e houve um segundo confronto. “Os bandidos não temeram a presença da polícia. Foram quase três minutos de troca de tiros”, contou um comerciante. De acordo com a população, os bandidos recuaram à medida que foi aumentando o número de policiais. Inicialmente eram apenas duas guarnições, mas o efetivo foi reforçado com a chegada de outras guarnições da própria 37ªCIMP.
Feira do Japão

Quem foi ontem pela manhã à tradicional Feira do Japão encontrou bancas vazias e lojas fechadas. Não foi para menos. Dois jovens usando blusões e armados com pistolas ordenaram que os comerciantes não trabalhassem na Rua Gonçalo Coelho. “Chegaram aqui às 6h mandando fechar tudo. Subiam e desciam para intimidar. Diziam que era em respeito à morte de Piloto”, contou uma das feirantes. Alguns comerciantes cogitaram em não acatar a ordem. “Sustento minha família vendendo hortaliças e pensei em não fechar, mas um deles é conhecido como matador e não tem nada a perder”, relatou o feirante.

Somente às 10h, a Feira do Japão voltou à normalidade. “A polícia chegou e nos deu sensação de segurança. Chegam a pé e patrulhando por cima”, disse um comerciante, apontado o mão para o céu, fazendo referência ao helicóptero do Graer.

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