Wagner, Lençóis e Palmeiras estão entre as 10 cidades com maior incidência de dengue na Bahia

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Das 10 cidades com maior incidência de dengue na Bahia, três estão na Chapada Diamantina. Wagner, Lençóis e Palmeiras aparecem no ranking divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e tiveram grandes crescimentos em comparação ao boletim divulgado no início de fevereiro deste ano.

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A conta do coeficiente de incidência leva em consideração o total da população. Se a ocorrência da dengue for maior que 100 casos a cada 100 mil habitantes, há estado de alerta. Os dados são de 30 de dezembro de 2018 a 12 de março deste ano.

Wagner é a segunda cidade com maior número de casos quando se leva em consideração a quantidade de pessoas que lá vivem. O coeficiente é de quase 1,4 mil. Palmeiras aparece com o quinto maior índice, de mais de mil casos. Lençóis é a sétima cidade com maior incidência, com índice de 654.

O número de incidência aumentou em comparação com o relatório divulgado pela Sesab no início de fevereiro, que corresponde a levantamento realizado até o dia 2 do mês. A cidade campeã da Chapada, Wagner, possuía índice de 631, 55% menor do que a atual.

A variação de Lençóis foi de crescimento de 45% nos casos. A campeã em variação foi Palmeiras, que tinha coeficiente de 178 e subiu para 1.026, uma variação de 476% casos a mais.

No número de casos, a cidade de Wagner apareceu em oitavo lugar no ranking, com 130 notificações. Palmeiras é a 10ª cidade, com 92 casos e Lençóis a 18ª com 74 notificações.

Macrorregião
Apesar das três cidades estarem com os maiores índices com relação à incidência, o coordenador da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) Gabriel Muricy afirmou que a questão não está relacionada com a macrorregião.

“Não tem nenhuma determinante da macrorregião que esteja interferindo. O que interfere, basicamente, é a presença do mosquito aedes aegypti no local, determinante para a circulação dos vírus”, afirmou.

O coordenador afirmou que a questão pode estar relacionada ao controle do foco de larva do mosquito no município.

“Se não se tem instalado uma sala de controle de arboviroses ou um espaço para discutir estratégias entre saúde, saneamento e educação, não há como controlar o foco do mosquito”, disse.

Gabriel Muricy ainda destacou que o maior número de casos já era esperado para 2019 porque as doenças possuem uma dinâmica de a cada três ou cinco anos, ter um ano com caráter epidêmico.

“Como 2017 e 2018 teve poucas notificações, a gente já esperava que 2019 seria maior, mas tudo varia de acordo com a dispersão e densidade do mosquito e a susceptibilidade da população ao vírus”, explicou.

Por conta da presença do vírus nas três cidades, outros municípios da Chapada poderiam até correr o risco de também desenvolver mais casos da dengue, por conta da presença do município, mas o coordenador não aposta nisso.

No início de fevereiro, o CORREIO falou com o prefeito de Lençóis, Marcos Airton Alves de Araújo (PRB), que afirmou à época que o município está em parceria com a Sesab. “O carro fumacê já está passando de madrugada nas áreas da cidade e de dia na zona rural”, afirmou.

Os 32 agentes de endemias também estavam atuando junto à população para fazer trabalhos educativos. No Verão, a cidade recebe de 8 a 10 mil turistas por dia. O prefeito recomenda o uso de repelentes, sobretudo na zona rural.

Na Bahia
Os casos de dengue na Bahia aumentaram 322% neste ano em comparação com o mesmo período de 2018. Foram 5.871 casos notificados em 158 municípios do estado.

O município com a pior situação é Feira de Santana, a segunda maior cidade do estado, que teve 2.264 casos prováveis de dengue no período, quase 40% de todas as notificações da Bahia, de acordo com dados da Sesab. Feira também concentra a maior parte das mortes: foram quatro na cidade, uma em Salvador e uma em Candeias.

Luís Eduardo Magalhães ficou em segundo lugar, com 310 casos, seguido de Paramirim com 244, Macaúbas com 206 e Riacho de Santana com 172 notificações.

O município campeão no coeficiente de incidência é Ipupiara, seguida de Wagner, Tanquinho, Paramirim, Palmeiras, Serrolândia, Lençóis, Caturama, Riacho de Santana e Santa Bárbara.

Ação
Para combater o crescimento das arboviroses, a Sesab distribuiu 7,4 kits com 26 itens para combater o mosquito. Cada kit é composto de pesca larva, pipetas de vidro, tubos de ensaio, álcool, esponja, lanterna de led recarregável, bacia plástica, dentre outros materiais. Ao todo, foram investidos R$ 2,6 milhões na ação.

Um alerta ainda foi emitido pela pasta em janeiro de 2019 para os municípios do estado sobre o alto índice da doença.

“A Sesab solicitou que os municípios realizassem mutirões de limpeza, com atividades de vistoria e remoções de focos do vetor nas residências, juntamente com caminhadas de conscientização e distribuição de materiais informativos. A Sesab também distribuiu repelentes para as gestantes dos municípios com maior incidência do mosquito”, disse a pasta, em nota.

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