Baiana eleita Miss Itália no Mundo é vítima de racismo em site nacionalista

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A baiana Silvia Novais de 24 anos, que foi eleita na semana retrasada Miss Itália no Mundo 2011, passou a sofrer ataques racistas de grupos de intolerância pela internet desde que venceu o concurso na Europa como a mais bela descendente de italianos, segundo informações do G1 São Paulo.  O bisavô materno da modelo nasceu em Florença, mas isso não impediu que ela escapasse do preconceito.Ainda de acordo com a publicação, logo após superar outras 39 candidatas na final, Silvia teve sua foto como miss reproduzida em um fórum de discussão de um site internacional de nacionalistas brancos, alguns adeptos de Adolf Hitler e contrários à escolha dela como miss. Abaixo da imagem da baiana foram feitas diversas ofensas racistas. Num dos insultos, ela foi xingada em inglês de “negra nojenta”.

Segundo informações, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo, investiga o Stormfront (frente de tempestade) por suspeita de ser uma comunidade neonazista que recruta brasileiros. O grupo foi criado na internet nos Estados Unidos no início dos anos 1990 e já arregimentou muitos paulistas com o slogan “White Pride World Wide” (Orgulho Branco Mundo Amplo).

Procurada pelo G1 para comentar as mensagens racistas que sofreu na web por ter ganho o concurso de Miss Itália no Mundo, Silvia afirmou que ficou bastante triste com as ofensas. “Minha mãe é negra, mulata e meu pai é branco. Me considero negra e tenho orgulho da minha cor. Por esse motivo, não gostei dos comentários”, disse a miss, que mora com a família em Campinas, no interior de São Paulo.

O próximo passo da miss será estudar junto com seu advogado a possibilidade de registrar queixa crime de injúria racial contra quem a ofendeu no site.

Ofensas – Em outro post do site Stormfront, um participante, que disse morar em São Paulo, chamou Silvia de “criada” de Nero (imperador romano, considerado tirano por alguns historiadores). “Isso é beleza italiana? Se fosse na Roma antiga, essa ‘italianinha’ seria uma criada de Nero!”, escreveu um integrante da comunidade.

“Era só o que faltava… Alguém está vendo alguma ‘beleza italiana’ nessa brasileira do dia a dia? A mulher que me atende na padaria da esquina da minha casa é mais bonita que a vencedora desse concurso… As pessoas em geral não têm mais o conceito de beleza, nem isso se tem mais! Estamos definitivamente perdidos … O que deseja essa horda de escravos, de traidores, de reis conjurados?”, disse outro integrante.

Esta não foi a primeira vez que a Silvia sofreu preconceito. “Em 2009, quando fui escolhida Miss Campinas e depois Miss São Paulo sofri preconceito. Algumas pessoas que conheço também fizeram comentários racistas por causa da minha cor. Disseram que eu estava mais para empregada doméstica. Na plateia do Miss São Paulo, minha mãe também escutou insultos, como que a empregada dessas pessoas era mais bonita do que eu. E que era um absurdo uma negra ganhar. Mas por mais que eu tenha sofrido ao escutar essas coisas, fiquei na minha e venci”, disse a modelo. As informações são do G1 São Paulo.

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