Dono de Porsche chora ao falar sobre acidente em SP, diz delegado

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O empresário Marcelo Malvio Alves de Lima, de 36 anos, motorista do Porsche que se envolveu em um acidente no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, chorou ao prestar depoimento na noite desta quinta-feira (21) no 15º Distrito Policial, segundo o delegado Noel Rodrigues de Oliveira Júnior.

Ele deixou o local por volta das 19h25 sem falar com os jornalistas. A colisão provocou a morte da advogada Carolina Menezes Cintra Santos no dia 9 de julho. “Ele chegou a chorar na hora que ele falou de quando ele tomou conhecimento que a menina tinha falecido”, afirmou o delegado.

Segundo Oliveira Júnior, o empresário contou que na data do acidente teve um dia normal de trabalho, foi para casa e de lá ele saiu com uma pessoa cujo nome o policial não quis revelar.

O empresário disse à polícia que foi a um restaurante no mesmo bairro e tomou uma taça de vinho. “Ele informou que ingeriu uma taça de vinho, que nem chegou ao final da garrafa de vinho e que tomou bastante água”, afirmou o delegado.

No depoimento, o empresário disse ainda que não se recorda de nada do momento do acidente. Oliveira Júnior disse que ele se lembra apenas que, momento antes, acelerou o carro porque sentiu a aproximação de duas pessoas. “Ele só se recorda de ter arrancado da Rua João Cachoeira. Arrancou de uma maneira um pouco mais contundente. Havia duas pessoas ali e ele desconfiou que poderia ser vítima de assalto”, afirmou o delegado. O empresário disse à polícia que viu apenas um vulto antes da colisão. “Ele chega a dizer que viu um vulto, mas já era tarde demais, não tinha mais tempo para qualquer reação dele.”

Segundo o delegado, o empresário ainda paga quatro prestações de R$ 80 mil do Porsche, que não tinha ainda nem mil quilômetros rodados. “Esse veículo estava com ele há menos de um mês e ele rodou menos de mil quilômetros. Ele deu um outro carro de entrada, assumindo quatro parcelas de R$ 80 mil e isso demonstra que ele é inexperiente com o carro, que nunca fez um curso de pilotagem, que acho que é pré-requisito para quem dirige um carro desses”, disse o delegado. Apesar disso, o veículo já tinha uma multa por passar a 86 km/h no litoral de São Paulo em um local onde a velocidade máxima permitida é 80 km/h.

Laudo
O laudo que deve identificar a velocidade do carro no momento do acidente deve ficar pronto em 15 dias. A suspeita era a de que ele estava a 150 km/h. “Ele nega veementemente que estava naquela velocidade”, afirmou o delegado. “Pelas fichas técnicas que eu li, esse veículo é capaz de atingir essa velocidade”, disse. “Aproximadamente ele estava em uma velocidade de 50 metros por segundo. A vítima pode até ter visto o veículo dele, mas não esperava velocidade tão grande assim. Por isso, ela cruzou a via”, afirmou. Segundo o delegado, esse laudo, mais preciso, deverá medir a velocidade levando em consideração o peso dos dois carros e a velocidade com que o carro da vítima foi arremessado no poste. A polícia constatou que o velocímetro do carro não travou após o acidente.

O delegado, que esteve no local da colisão, disse que não sentiu hálito etílico no motorista do Porsche. Ele não fez teste do bafômetro e não permitiu a coleta de sangue para exame. O delegado estranhou o fato de o advogado ter chegado ao local do acidente quando equipes de emergência ainda prestavam atendimento.

“Conversei com os médicos e eles disseram que o choque e o trauma, em si, deixam a pessoa um pouco letárgica. As testemunhas afirmaram que ele tinha sinais de embriaguez. Odor etílico não tinha. Não foi recolhido sangue porque existe princípio geral do Direito Penal de que você não é obrigado a produzir provas contra você mesmo. Ele já estava orientado. No acidente já tinha advogado lá. Não é comum você atender acidente tão grave quando o Corpo de Bombeiros ainda está no local e já tem advogado lá orientando o cliente”, afirmou.

Defesa
O advogado do empresário, Celso Vilardi, disse que o empresário não alcançou 150 km/h. “Existe uma prova bastante consistente de que ele não estava alcoolizado. Além disso, ele demonstrou hoje que estava abalado, que é mentira que ele não estava preocupado com a vítima. Ele teve um quadro de confusão mental que durou até sábado. Ele não está dormindo. Está em profundo estado de luto. Ele estava parado mais ou menos 200 metros antes [do local do acidente].”

“Não é possível que ele tivesse alcançado essa velocidade [de 150 km/h]. Não existe comprovação pericial. Quem vai apurar isso é a perícia. Esse moço é trabalhador, não saiu na rua para matar ninguém. Ele não passa em sinal vermelho”, afirmou Vilardi.

A Justiça concedeu liberdade provisória ao empresário com fiança fixada em R$ 300 mil. O Porsche se chocou com o Hyundai Tucson conduzido pela advogada na Rua Tabapuã, próximo à esquina com a Rua Bandeira Paulista. Os dois carros foram parar em um poste, um em cima do outro. Carolina, de 28 anos, morreu na hora.

O empresário foi indiciado por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Isso porque, segundo a polícia, ao dirigir em alta velocidade ele assumiu o risco de causar um acidente. Segundo o delegado, ele só deverá falar novamente diante do juiz.

As testemunhas disseram que a advogada avançou o farol vermelho devagar, por volta das 2h45, quando houve a colisão. Após o acidente, o carro da advogada foi lançado a uma altura de 50 centímetros até bater no poste. Câmeras de segurança flagraram o Porsche em alta velocidade momentos antes da colisão. As imagens foram registradas pelas câmeras de um prédio da via.

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