Gêmeos baleados em Cosme de Farias são enterrados em Salvador

0

Os irmãos gêmeos Silvio Cezar Carvalho Santos e Cezar Silvio Carvalho Santos, de 45 anos,mortos a tiros no bairro de Cosme de Farias, na quarta-feira (17), foram enterrados na tarde desta quinta-feira (18), em Salvador. O sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal de Itapuã.

Familiares e amigos que compareceram à cerimônia para se despedir dos irmãos não quiseram falar com a imprensa.

Os gêmeos foram mortos na localidade conhecida como Baixa do Tubo, onde Silvio, que era advogado, tinha um escritório. A outra vítima era cinegrafista. Conforme as informações iniciais da polícia, dois homens chegaram no local e um deles chamou por Silvio. Quando ele apareceu, foi baleado. A vítima morreu no local.

enterro

Ao ouvir os disparos, Cezar tentou dar socorro ao irmão, mas acabou baleado. Ele chegou a ser socorrido por vizinhos para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas já chegou à unidade de saúde sem sinais vitais.

A Polícia Civil investiga o caso e apura se o crime foi cometido por vingança. Os suspeitos fugiram. Até agora, ninguém foi preso.

Vingança
O motivo da morte dos gêmeos, assassinados na localidade conhecida como Baixa do Tubo, pode ter sido vingança. A informação foi divulgada pela delegada Andréa Ribeiro, responsável pelo caso, durante coletiva na manhã desta quinta-feira (18), na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A polícia trabalha com a hipótese do crime ter sido cometido por um grupo de ciganos, com o qual o irmão das vítimas, Jailton Carvalho Santos, teria uma dívida. Por causa dessa dívida, Jailton matou o cigano Jair Ferraz de Almeida, que atuava como agiota, durante uma briga, em 2014. Jailton se entregou e continua preso. Ele foi condenado a 14 anos de prisão.  “Desde então, a família disse que não teve mais paz. A vingança não para. Esse foi o recado que eles [os ciganos] quiseram dar”, afirmou Andréa Ribeiro.

A família dos gêmeos informou em depoimento à Polícia Civil que sofreu ameaças desse grupo ligado a Jair Ferraz. Logo após a morte do cigano, outras três pessoas da família dos gêmeos foram mortas. Conforme a polícia, as vítimas foram a mulher, um filho e um sobrinho de Jailton.

O advogado Abdon Abade, que atende a família do cigano Jair Ferraz, morto durante a briga em 2014, informou nesta quinta-feira (18), que nenhum parente do cigano tem ligação com a morte dos irmãos gêmeos. Abade detalha que pretende conversar com a delegada responsável pelo caso na sexta-feira (19) a fim de conseguir detalhes a respeito das suspeitas da polícia contra familiares de Jair.

morte_gemeos

Crime
O filho de Cezar Silvio Carvalho Santos contou que o pai dele ouviu tiros próximo ao escritório do tio, que era advogado, e ao tentar dar socorro também foi atingido pelos disparos. O rapaz ainda informou que o suspeito de atirar seria um cliente da vítima.

Cezar Silvio, que era cinegrafista, chegou a ser levado para o HGE por um dos filhos e um vizinho, mas já chegou morto na unidade de saúde. Silvio Cezar Carvalho Santos morreu no local do crime.

Durante o socorro, o suspeito que estava em uma moto com outro homem, chegou a perseguir o carro onde estava a vítima baleada e ainda disparou contra o veículo, mas ninguém ficou atingido.

Briga com ciganos
Em 2014, o comerciante Jailton Carvalho Santos, irmão das vítimas, foi preso acusado de matar o cigano Jair Ferraz de Almeida, que atuava como agiota. O crime ocorreu na cidade de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. A polícia investiga se as mortes de Silvio e Cezar têm relação com o caso.

À época, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) informou que a ex-mulher de Jailton teria contraído empréstimo de R$ 7 mil com o cigano, valor que em quatro meses subiu para R$ 122 mil. Ainda segundo a SSP-BA, a dívida teria sido o motivo de Jailton ter matado o cigano, em 14 de agosto, em um trecho da rodovia BR-324.

Após a morte do cigano, três familiares de Jailton foram assassinados: a ex-companheira de dele, a professora primária Nilda Maria Fiuza, 52 anos, que foi quem contraiu a dívida; David Santos, 19, filho do comerciante com outra mulher; Uanderfon Alves dos Santos, 23, sobrinho de Jailton. Dois ciganos conhecidos como Bira e Gilmar foram apontados por uma testemunha como participantes desses três crimes.

Jailton foi preso depois de se apresentar no Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), onde confessou o crime, na presença de um advogado.

A SSP-BA destacou que, no depoimento prestado ao Depom, Jailton informou que ele e Nilda passaram a ser pressionados pelo cigano para saldar a dívida. Segundo ele, o casal já havia pago R$ 43 mil, mas o agiota exigia mais R$ 79 mil. Jair chegou a exigir a casa da professora, avaliada em R$ 400 mil, como pagamento do empréstimo.

Para se livrar da pressão do agiota, o comerciante planejou o assassinato. Garantindo que iria liquidar a dívida, Jailton atraiu o cigano até sua loja, na Avenida Bonocô. O cigano chegou ao estabelecimento em companhia de sua mulher, de prenome Clarisse, e dali o casal seguiu com o comerciante para o município de Simões Filho. Ao chegar em um local pouco movimentado, Jailton sacou um revólver calibre 38 e efetuou dois disparos contra o cigano e depois obrigou Clarisse a sair do veículo. O carro foi encontrado queimado, duas semanas depois, na cidade de Coração de Maria.

A polícia ainda apurou que dois cheques no valor de R$ 28 mil, que estavam em poder do cigano, foram depositados na conta de Jailton.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here