Aos 10 anos, atleta mirim representará o Brasil em mundial de pole dance

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Aos 10 anos, Lis Laura não para quieta um minuto. Está sempre correndo, pulando, subindo em árvores e até nos móveis de casa. As habilidades não foram adquiridas nas brincadeiras com os amigos, mas com perseverança. Atleta profissional, a menina de Ribeirão Preto (SP) é campeã brasileira de pole dance e representará o país no mundial em Londres em junho deste ano.

A pequena conta que sempre foi muito agitada e descobriu a aptidão pelos esportes quando tinha 6 anos. A mãe encontrou a garota sentada no chão da sala, com os pés atrás da cabeça, assistindo televisão sem nenhuma dificuldade.

“E lembro que eu assistia as menininhas fazendo na TV e tentava fazer igual. Para mim, era normal. Minha mãe ficou assustada, ‘nossa, como ela consegue fazer isso?’, mas depois se acostumou”, relembra a atleta mirim.

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Após o espanto da mãe, veio o pedido da menina para ser matriculada em um curso de ginástica olímpica. Foram dois anos e meio de aulas em um projeto social em Ribeirão, até ser convidada para um curso gratuito de artes circenses, onde ficou por mais um ano e meio, dividindo o tempo com aulas de balé.

“Eu adoro brincar de ser atleta. Na minha casa não tem árvore, mas uu gosto de afastar o sofá da sala, coloco um colchão e fico virando mortal. Meu irmão, às vezes, brinca comigo. Daí a gente coloca meu avô sentado como se fosse jurado, dando nota para os saltos”, diz.

ra Raquel Winnie, que a convidou para aprender pole dance. Em pouco tempo, a garota passou a surpreender as instrutoras com os resultados obtidos.

“A Lis chegou pronta. Um movimento que um aluno demora três, quatro meses para fazer, ela consegue fazer na primeira tentativa. Ela já tem uma flexibilidade boa, que ela ganhou na ginástica, ela tem força, que adquiriu nas aulas de circo, e tem um pouco da dança de balé. Então, ela é completa”, afirma Raquel.

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Modalidade esportiva
A instrutora explica que, apesar de ainda não ser reconhecido como modalidade esportiva, o pole dance vem conquistando espaço e sendo respeitado pelo desenvolvimento motor e cognitivo dos atletas. Por isso, o trabalho desenvolvido com a Lis é voltado para o preparo físico e não tem qualquer cunho sexual ou erótico.

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“O pole dance permite tonificar os músculos, adquirir força nos braços, pernas e abdômen, além de coordenação motora. Muita gente troca a academia por pole fitness porque na academia você trabalha as séries, enquanto no pole dance você trabalha o mesmo músculo sem a repetição. Obtém o mesmo resultado, de outra forma”, explica Raquel.

Campeonato brasileiro
Em novembro de 2015, Lis participou do Campeonato Brasileiro de Pole Sports e levou medalha de ouro na categoria “Elite-Novatos” (10 a 14 anos), sendo destaque entre os 56 atletas de todo o país inscritos na competição. A colocação fez com que ganhasse ainda uma bolsa de estudos em um colégio particular.

“A nota dela ficou por décimos de quem venceu a categoria individual masculina e feminina. Até em comparação com o ranking das crianças de outros países, a nota dela é muito mais alta. Ela compete no mesmo nível dos adultos, apesar de ser criança”, diz Raquel.

O desempenho permitiu que a pequena atleta também fosse classificada para o mundial, que acontecerá em junho deste ano na Inglaterra. A participação no torneio, no entanto, ainda depende de um patrocinador, já que os custos com viagem e hospedagem estão orçados em R$ 12 mil.

“A gente percebe que a Lis nasceu com esse talento. Ela é daquele tipo de criança que nasceu pronta, então a gente não pode deixar passar essa oportunidade. Estamos dando todo o apoio”, diz a empresária Pamela Gomes, proprietária do estúdio onde a menina faz as aulas de pole dance sem custo nenhum.

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Voando mais alto
Pamela lançou uma campanha na internet para conseguir arrecadar o valor necessário à viagem de Lis para o mundial. O objetivo é que a premiação do campeonato seja totalmente investida nos estudos da garota. “O nível dela é comparado com atletas estrangeiros. A gente tem certeza de que ela volta com o título”, afirma.

A confiança e o entusiasmo da empresária são compartilhados pela pequena atleta, que treina durante cinco horas, dois dias por semana. Lis confessa, porém, que está ansiosa, já que será a primeira viagem para outro país, uma experiência que ela classifica como “imperdível”.

“Eu estou ansiosa, mas não estou com medo. No campeonato aqui no Brasil eu também estava calma. Eu não sei dizer, estou confiante. Eu faço sem pensar em nada. Eu entro no palco e quando eu vejo, já acabou. Parece que é automático. É só ir lá, me apresentar e, no final, agradecer”, diz.

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