Justiça manda soltar ator preso por engano

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A Justiça do Rio decidiu pela liberdade provisória do ator Vinicius Romão, preso no dia 10 por ser suspeito de assaltar uma mulher. A decisão foi tomada pela 33ª Vara Criminal após o delegado Niandro Lima, titular da 25ª DP (Engenho Novo), pedir um habeas corpus logo depois de ouvir da vítima do roubo, a copeira Dalva Moreira da Costa, que ela se enganou ao fazer o reconhecimento do ator como suposto ladrão.

“Ela admite a hesitação no primeiro reconhecimento dele, o que é natural, porque foi uma ação violenta e ela pode ter se confundido”, explicou Niandro.

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Dalva chegou na delegacia por volta das 12h30, sozinha. No depoimento, ela disse que pensou em ir à polícia no dia seguinte para retirar a queixa, mas não tinha dinheiro para passagem. O delegado disse que não acredita em má fé. “Ninguém dos dois teria interesse em prejudicar uma pessoa inocente.”

Pai aliviado

A caminho do presídio para buscar o filho, Jair Romão falou sobre como reagiu ao saber da notícia da liberdade de Vinicius. “Graças a Deus ocorreu tudo bem como eu esperava. Em momento algum eu admitia ele ter sido o culpado de cometer esse roubo”, disse, sem saber explicar como vai reagir ao reencontrá-lo. “Ah, emoção a gente só pode dizer no momento o que vai ocorrer.” (Veja a entrevista no vídeo acima.)

O crime
Vinicius, de 26 anos, foi levado no dia 10, data do suposto crime, no Presídio Patricia Acioli, em São Gonçalo, para cela com outros 15 detentos. O assalto teria acontecido nas proximidades do Hospital Pasteur, no Méier, onde trabalhava a copeira, que registrou a ocorrência, trabalhava.

“A vítima trabalhava no hospital. Ela tinha saído de lá e estava no ponto de ônibus. Um policial viu o ocorrido e a colocou no carro para tentar procurar quem a tinha roubado. Quando ela viu meu filho, disse que tinha sido ele. O policial abordou o Vinícius com uma arma em punho. O meu filho é pacífico, se não fosse, teriam matado ele”, contou o tenente-coronel.

G1 teve acesso ao registro de ocorrência do caso. No registro, a vítima contou que após o assalto o homem teria pulado o muro da estação de trem para fugir e que dentro da bolsa roubada havia a quantia de R$ 10, um crachá, um celular e documentos. Ela contou que o homem estava de camiseta e bermuda preta, era negro e tinha o cabelo estilo black power.

No registro de ocorrência, o policial militar que fez a prisão afirma que nenhum pertence da vítima foi encontrado com o ator. “No depoimento, o policial disse que o Vinicius tinha passado o material para uma pessoa conhecida como ‘Braço’, só para justificar a prisão dele, mas não fez nenhuma diligência para procurar essa pessoa”, disse Romão.

1 COMENTÁRIO

  1. A lei diz que todo cidadão é inocente até que se prove o contrário, infelizmente no Brasil isso não acontece quando o cidadão é uma pessoa negra ou de classes mais baixas. O que impera nitidamente é o preconceito e fazem de tudo para incriminá-lo.

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