Odebrecht assina acordo com Caetano, Gil e Tom Zé

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Depois de notificações (e críticas ácidas) dos mentores do Tropicalismo, a Odebrecht Realizações Imobiliárias recuou e decidiu abandonar o uso do nome “Tropicália” no batismo de um condomínio de luxo, em Salvador. É uma rara derrota da holding, um dos mais influentes grupos empresariais do País.

 

Nesta terça-feira (28), representantes da Odebrecht assinaram um acordo amigável com Caetano, que iniciou a reação, no Rio de Janeiro. Gilberto Gil e Tom Zé também referendaram o texto cuja a íntegra garante que não será cobrada nenhuma indenização, embora, desde o início, os artistas ressaltassem que não desejavam dinheiro: queriam apenas o fim da associação do movimento ao megaprojeto de construção civil. Pelo acordo, a construtora se compromete ainda a não citar qualquer canção tropicalista nas ações de marketing.

 

Localizado no bairro de Patamares, ao lado do parque ecológico de Pituaçu, o luxuoso (ex-) “Tropicália” oferece vista para o mar e suas coberturas têm 305,96 m², com quatro suítes, gabinete e quarto de empregada, além de vagas para veículos. A obra se incorporou à tendência de construir espigões na orla da capital baiana, após a polêmica elevação do gabarito. “Se este lugar fosse uma canção, o refrão seria: Viver, Viver, Viver”, diziam os folhetos promocionais. “Onde o Divino encontra o Maravilhoso”, meditava a propaganda, citando a música de Gil e Caetano.

 

Os tropicalistas se mobilizaram para obrigar a construtora a desistir do regalo honoris causa. Caetano, Gilberto Gil, Tom Zé e os herdeiros de Helio Oiticica manifestaram o descontentamento com a “homenagem” e acusaram a Odebrecht de fazer “uso comercial” do Tropicalismo. 

 

Algumas das vozes de protesto:

 

“Manifesto-me aqui, como membro do movimento tropicalista e artista da música brasileira, para requerer aos senhores que cessem o uso indevido dos nomes das obras artísticas que foram e são referência no cenário artístico nacional e internacional, posto que tal uso, além de não autorizado, vai contra toda a filosofia desse movimento, cujos participantes jamais autorizariam vincular sua obra a um empreendimento imobiliário desse porte” (Tom Zé, em sua notificação).

 

“Fiz parte do movimento tropicalista, e tanto quanto meus amigos Caetano, Tom Zé, Rita Lee, e demais membros da Tropicália, além de César Oticica, representante do Projeto Oiticica, agradeço e dispenso a homenagem. Mais ainda, recuso a homenagem, por não entendê-la nesse sentido, e ratifico o pedido feito a V. Sa. de que reveja essa V. decisão e mude o nome do condomínio e de seus prédios” (Carta de Gilberto Gil a Marcelo Odebrecht, diretor-presidente da Odebrecht).

 

“Se a construtora queria de fato referendar o movimento tropicalista deveria começar por respeitar a vontade de seus criadores” (…) “Prefiro apelar para o bom senso de executivos da Odebrecht, uma empresa baiana, pedindo que retirem os nomes do movimento e das canções a ele ligadas. Não quero dinheiro nenhum deles” (Caetano Veloso, em entrevista a Terra Magazine, 29/02/2012). 

 

Numa nota de esclarecimento, em 27 de fevereiro, a Odebrecht Realizações Imobiliárias relatou que seu objetivo “foi o de referendar um importante movimento artístico, de grande representatividade na Bahia e no Brasil”. E ponderou: “Foram feitas as devidas consultas prévias ao INPI, órgão competente, e ficou constatado que não há impedimento para o uso do nome ‘Tropicália’ em um empreendimento imobiliário. Vale destacar ainda que o termo Tropicália figura como nome de vários produtos, serviços e estabelecimentos no pais. Por fim, é importante ressaltar que a OR não utilizou, tampouco sugeriu nem autorizou o uso dos nomes dos integrantes do movimento para promover o empreendimento.”

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