Ao ver filhos sem comida, homem sai para roubar cobre em galpão e dasaparece

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Além de conviver com a miséria e precisar enganar a fome diariamente, a dona de casa Tamires Cristina Costa, de 29 anos, vive um outro drama há 18 dias: o marido desapareceu após sair de casa, no Rancho Novo, em Nova Iguaçu, para furtar cobre num galpão desativado na Via Dutra. Segundo a jovem, a intenção dele era vender o material para comprar comida.

— A gente estava sem nada em casa. Ele é camelô, mas a situação apertou e ele disse que ia pegar esse cobre num galpão desativado da Dutra. Brigamos porque eu não queria isso, mas foi mesmo assim — conta Tamires.

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A investigação está com o setor de descoberta de paradeiros da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Em uma ida ao galpão, policiais encontraram uma camisa, que, segundo Tamires, é do marido, Carlos Alberto Machado Filho, de 28 anos, com quem ela mora há cerca de dois anos. No dia em que desapareceu, Carlos Alberto também vestia short verde e um casaco.

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A mulher disse que ele já havia furtado um galpão no início deste ano. Na ocasião, chegou em casa com R$ 50. Mas desde o dia 28, Carlos Alberto não voltou. Segundo a polícia, ele já tinha passagem por roubo.

— No ano passado, ele chegou a ser preso por furtar outro galpão, mas acabou sendo solto porque não tinha nada com ele. Sempre discordei em relação a isso. Aprendi com a minhã mãe que, por mais pobre que a gente seja, temos que trabalhar para termos o nosso dinheiro — ressaltou Tamires, que tem feito biscates para sustentar os três filhos de 5, 7 e 9 anos:

— Ontem, tirei entulho da casa de um vizinho para ganhar R$ 50. Comprei leite, achocolatado, feijão, arroz e salsicha para as crianças. Agora estou vendendo aipim. Ganho R$ 1 por cada quilo vendido.

Tamires mora com os filhos e o marido no quintal da casa de parentes. É com eles que ela também pode contar quando fica sem ter o que dar para alimentar os filhos.

— Minha mãe tem ajudado, mas já ficamos sem ter o que comer — lembrou.

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Sem dinheiro para fazer buscas ao marido

Tamires esteve no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu assim que o marido desapareceu, em maio, mas conta que não conseguiu voltar por falta de dinheiro para a passagem:

— Sair para reconhecer corpo é uma coisa que acaba comigo. Não sei o que fizeram com ele, mas queria apenas enterrar o meu marido, se ele estiver morto. Meus filhos choram de madrugada pensando nele.

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Carlos Alberto não era pai biológico dos filhos de Tamires, mas ela conta que ele assumiu as três crianças e registrou a mais velha, de 9 anos.

A dona de casa lembra ainda que o companheiro, que havia deixado a prisão, estava procurando um emprego com carteira assinada:

— Era um amor de pessoa. Estava sonhando com um emprego fixo para tirar a gente daqui.

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