Chegou um novo cão em casa. E agora?

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Já falamos neste espaço sobre quando o cão ganha um irmão humano. Agora é a vez de vermos o que fazer quando o peludo deixa de ser o único peludo da casa e como acostumá-lo à ideia evitando e minimizando traumas e ciumeiras.

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Se para humanos, em princípio racionais, nem sempre é fácil aceitar dividir carinho, espaço e posses, imagine para um cão, eterna criança de dois anos e meio e com percepção bem mais simples da realidade, mas nem por isso um bobão, estando sempre pronto a marcar território, defender o que é dele e reagir quando julga seu espaço ameaçado, com maior ou menor violência conforme seu temperamento e, muito importante, sua socialização (que, nunca é demais lembrar, deve ser extremamente bem feita). Pois bem, vejamos.

Preparativos

Para começar: não importa se o novo habitante da casa será um ou muitos cachorros, filhote (s) ou adulto(s), tua cunhada, tua sogra e/ou um papagaio, é preciso preparar o ambiente e os outros habitantes. Diz o provérbio que “onde comem um comem dois”; pois bem, lembre-se de que as despesas com alimentação, veterinário, petiscos e briquedos irão aumentar. Da mesma forma, você vai precisar de mais tempo para socialização, escovação, atenção ao temperamento de cada peludo; afinal, você é uma mãe ou pai presente, certo?

E o ideal é que o cão que já more com você esteja bem socializado e seja mínima a possibilidade de ele puxar encrenca com o recém-chegado. Uma sugestão é pedir a pessoas amigas donas de cães que os tragam para visita; verá então como teu canino reage à presença de outros e se ele precisa ter melhor socializado.

Se o novo inquilino está sendo adquirido em um pet shop, feira ou abrigo, você pode levar teu cão antigo para conhecê-lo já desde antes de aquele vir à nova casa, a fim de verificar se eles se darem bem de cara ou não. Mas não vá sozinho(a) com o cão! Vai que ele e o novo companheiro de casa se estranhem a ponto de quererem se pegar na rua e até no carro… Vá com pelo menos mais uma pessoa amiga disposta e apta a apartar briga, e não esqueça as coleiras (para os cães, bem entendido) – mas mantenha-as apertadas apenas o suficiente para não fazer com que a tensão mecânica aumente a tensão nervosa do peludo; afinal, mudar radicalmente de casa e companhia já causa excitação o bastante.

O bicho NÃO vai pegar!

Embora você seja o líder da “matilha”, observe bem se o novo peludo se contentará em ser o líder peludo ou disputará a liderança com o antigo habitante. Bem, quem socializa um cão socializa dois… Obviamente, a tarefa será um pouco mais difícil se o novo cão vier morar contigo contra tua vontade, seja por pressão de filhos ou marido/esposa ou por ter sido salvo da rua ou algo assim. De qualquer modo, em cerca de duas semanas os peludos devreão ter se tornado amigos de infância, e em um no máximo um mês a rotina da casa estará normal, se tudo correr bem e as sugestões abaixo forem seguidas direitinho. (Ah, sim: não tenho nada com isso, mas uma casa onde houver muitas brigas, um grande trauma ou outro problema não está em seu momento ideal para receber um novo morador canino.)

O ideal é que os peludos sejam apresentados um ao outro em campo neutro, ou seja, algum local que o morador antigo não frequente muito, e que pode ser algum canto da casa ou um terreno ou pracinha próximos, ou ainda, como já mencionamos, o abrigo ou endereço anterior do novo habitante, e na presença de uma pessoa neutra, ou seja, que não more na casa. Não estranhe nem force a barra se o primeiro encontro não for dos mais cordiais e os cães se ignorarem ou um demonstrar relutância em “cumprimentar” ou “brincar” com o outro; logo ambos se acostumarão com o fato de não estarem sozinhos. Logo que eles começarem a interagir, normalmente começando por se cheirarem (o equivalente canino de beijos e abraços) e daí relaxando boca aberta e músculos e me mexendo rapidamente (sinal de que estão despreocupados, inclusive um com o outro), incentive e elogie. Sinais de tensão, rosnados e olhares tortos significam que eles não estão à vontade um com o outro; nesse caso, dê uma bronca leve, afaste-os, pratique obediência com eles em separado e coloquie-os juntos por menos tempo; repita tudo até desapareceem as demonstrações de hostilidade. O ideal é que estes primeiros contatos, mesmo que amigáveis, sejam breves, não além de uns dez minutos, para evitar o risco de virarem briga por disputa de território, antipatia pura e simples ou pura energia e empolgação; interrompa-os gentilmente, não esquecendo de premiá-los com afagos, petiscos e/ou brinquedos pelo bom comportamento.

Por falar em brinquedos, se os peludos tiverem de ficar juntos por muito tempo durante as primeiras duas semanas, esconda os brinquedos e petiscos preferidos do morador mais antigo, para evitar “invejas”, rivalidades e brigas; não se trata de “nivelar por baixo”, e sim precaução necessária para o bem-estar e segurança dos bichos e até das pessoas da casa; teu cão veterano há de “entender” que ficará sem estes briquedos por apenas cerca de duas semanas. O ideal é que, neste período de adaptação, cada canino tenha seu espaço, seja em caixinhas ou espaço físico mesmo (separado por grades, tapumes ou similar), para dormir, brincar, comer e beber, cada um com suas próprias gamelas e brinquedos, para evitar brigas do tipo “pô, teu brinquedo ou ração são melhores que os meus”. Se eles tiverem de ficar sós, sem mais ninguém na casa, “prenda”-os em lugares distintos da casa, para evitar o risco de que briguem sem ninguém para apartar. E se a hostilidade mútua ou de um para outro não ceder, infelimente não terá jeito, ambos nasceram para ser tão inimigos quando os vizinhos daquele conto do escritor português Gonçalo Fernandes Trancoso, devendo ser mantidos separados.

Cães muito diferentes

Se o novo morador for um filhote (com até quatro meses de idade), o morador antigo o verá mais como uma praguinha meio chata que como uma ameaça disputadora ou roubadeira de atenção, território, comida e pertences, mas toda atenção é pouca para que o morador antigo não o machuque mesmo sem querer – exatamente o mesmo risco para bebês humanos. E por mais que o novo morador, seja por ser filhote, adoentado ou o que seja, mereça muita atenção, não roube atenção alguma do canino antigo, para que ele não se sinta menos amado e incentivado a chamar atenção de forma negativa, roendo tudo que vê, latindo alto ou marcando território.

Caso os peludos sejam muto diferentes em termos de idade ou disposição, dê mais espaço para repouso ao mais velho ou mais “pata choca”, independente de ser ou não o mais antigo na casa.

Enfim, como já afirmamos, cão é como carro, computador, marido ou mulher, o ideal é ter mais de um. Dois cães fazem companhia um ao outro, foram sua própria turminha, reduzem a carga do dono humano. E não leve a mal se eles só lembrarem de você para cobrar comida, brinquedos ou passeios.  No fundo eles gostam de você, e carinho, teu e deles, sempre consegue abrir filiais…

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