Desempregado há 7 anos, homem pede trabalho em site de anúncios

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Helton de Souza Ladeira, de 40 anos, está desempregado há sete anos, desde quando deixou o estado natal do Rio de Janeiro para viver em Salvador. Casado e com uma filha de dois anos, fez um apelo em um site de anúncios classificados: “Me ajudem. Eu preciso de trabalho. Estou desesperado. Não sei mais o que fazer”.

Helton vive no bairro de Pernambués. Ele explica o motivo do apelo. “Já fiz diversas entrevistas no SineBahia, no Simm [órgãos de intermediação de mão de obra]. Já foram mais de 40 cartas e até agora nada. Acordo 1h da manhã para pegar as filas, sou um dos primeiros a ser atendido, mas ainda não tive uma oportunidade. São noites de sono perdidas”, relata.

Com dificuldades de manter os custos com alimentação e manutenção da família, Helton tem uma preocupação maior. A filha de dois anos tem problemas respiratórios que exigem o uso de um medicamento antialérgico chamado Montelucaste de Sódio, que custa até R$ 80. “Sem ele [o remédio], ela sente muita falta de ar, a asma ataca”, detalha.

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Para dar conta do sustento da família, Helton não fica parado em casa. Diariamente, trabalha com a venda de picolés, doces, água e pipocas. Além disso, também desenvolve atividades como ajudante de pedreiro. “Não fico esperando as coisas caírem do céu. Vivo fazendo bicos. Sei que emprego está difícil para todo mundo”, disse.

Helton tem ensino médio completo. Na carteira de trabalho, acumula experiências como ajudante de produção, auxiliar de serviços gerais e em atividades relacionadas à manutenção de estação de tratamento de esgoto. Todas as funções foram desempenhadas no Rio de Janeiro.

Apesar dos bicos, o baleiro vive a expectativa de um trabalho com salário fixo. A mulher dele, que também ajudava em casa, acabou ficando desempregada há seis meses após uma série de demissões em uma empresa Call Center. “As coisas aqui em casa estão se apertando a cada dia. Estamos contando com ajuda de algumas pessoas com os medicamentos e também com a alimentação. Outros, que não podem nos ajudar, nos auxiliam com palavras de conforto”, detalha.

Além da filha de dois anos, Helton ajuda na criação de dois enteados, filhos de um casamento anterior da esposa. Assustado com longo tempo de desemprego, ele não perde a fé. “As coisas estão difíceis, mas temos que manter a esperança”, acredita.

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