Embarcação fica à deriva durante quase duas horas em Salvador

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O Ferry Boat Juracy Magalhães enfrentou problemas na saída do terminal de Bom Despacho, na Ilha de Itaparica, por volta das 19h nesta segunda-feira (7).
De acordo com informações da assessoria de imprensa da TWB, o ferry boat apresentou problemas de avaria no leme que foi agravado pelo vento forte que atingia a embarcação.
Ainda de acordo com informações da TWB a maré baixa dificultou a saída do ferry, deixando o barco sem poder de manobra. A empresa informou que encaminhou o ferry boat Agenor Gordilho para transferir passageiros e voltar para Salvador. Todo o processo levou cerca de 4h30, até a chegada ao terminal de São Joaquim, na capital baiana.

Durante o trajeto uma mulher passou mal e de acordo com informações de passageiros, a embarcação não possuía nenhuma estrutura para atendê-la. “Lá não tinha um enfermeiro, um médico. Não tinha nem termômetro. Uma senhora que passou mal ficou lá deitada nas poltronas”. Após chegar a terra firme, a mulher foi atendida por uma equipe de socorristas do Samu. Não há informações sobre o estado de saúde dela.

Quarenta e seis veículos e aproximadamente 120 pessoas estavam na embarcação. O cozinheiro Uingles Amaury, que mora no bairro de Castelo Branco, em Salvador, estava indignado com a situação. Até a meia-noite da segunda-feira ele aguardava na área de desembarque do terminal de São Joaquim, sem condições de ir para a casa.

“Só tenho o dinheiro do transporte e agora não passa mais ônibus para o meu bairro. O ponto de ônibus está completamente vazio, e tenho medo de ficar lá sozinho”, explica. Nos pontos de ônibus da região não havia policiamento e estava completamente deserto.

Assim como o cozinheiro, outras 20 pessoas sofriam com o mesmo problema. “Depois de passar horas sem direção no ferry e voltar para Salvador, nós estamos sem ter como ir para a casa”, explicou indignado o gesseiro Jadson dos Santos. Ele estava acompanhado da mulher que se sentia mal e estava deitada no chão do terminal e carregava o filho de quatro anos, que dormia no colo do pai. “Foi uma tragédia o que passamos lá dentro. Estamos com fome, ficamos sem comer e sem beber água. A empresa não nos forneceu nem água. O único dinheiro que eu tinha, que era para pegar o transporte para casa, eu comprei um lanche e dei para meu filho”, diz.


Tumulto

O açougueiro Gildivânio Santana que trabalha em Dias D’Ávila, Região Metropolitana de Salvador era um dos mais indignados com a situação. Ele comandou a manifestação contra funcionários da TWB. Aos gritos enfrentou seguranças da empresa de transporte e foi assistido pela Polícia Militar que dava reforço no local. “Estou pedindo que eles cumpram com o que foi prometido pelo comandante. Ainda na embarcação, o comandante disse que as pessoas que tivessem problemas para ir para casa, poderiam ficar tranquilas, pois a empresa ia arrumar um jeito de nos levar. Já passa da meia-noite e ainda estamos sem solução”, bradou o homem. Todos os que acompanhavam Gildivânio tentaram invadir o espaço onde estavam os representantes da TWB, mas foram impedidos pelos seguranças.

Após reivindicações, os passageiros conseguiram que a empresa pagasse um táxi para leva-los para a casa. Um funcionário da TWB organizou grupos e dividiu em táxis que cobrem a área. À meia-noite e meia, todos já haviam sido encaminhados para suas residências. A empresa diz que irá informar a causa do acidente na terça-feira (8).

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