Ex-namorada de Bruno diz confiar na Justiça e evita ‘pensar no passado’

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Ansiosa com a proximidade do julgamento desta segunda-feira (19), Fernanda Gomes de Castro, namorada de Bruno Fernandes de Souza à época do desaparecimento e morte de Eliza Samudio, diz estar confiante na Justiça. Ela responde pelos crimes de cárcere privado e sequestro de Eliza e de Bruninho, filho do goleiro. “Estou ansiosa, confio na Justiça, mas, acima de tudo, creio no Deus que eu sirvo”, disse.

Minha família sempre esteve ao meu lado e, depois de todo aquele sofrimento, hoje estamos ainda mais unidos. Foi difícil conseguir um emprego, mas hoje trabalho como secretária em um escritório de advocacia”
Fernanda Gomes de Castro,ex-namorada de Bruno.

(A partir de segunda, dia 19, acompanhe aqui a cobertura completa do julgamento do caso Eliza Samudio, com equipe de jornalistas trazendo as últimas informações, em tempo real, de dentro e de fora do Fórum de Contagem, em Minas Gerais. Conheça os réus, entenda o júri popular, relembre os momentos marcantes e acesse reportagens, fotos e infográfico sobre o crime envolvendo o goleiro Bruno.)

Conforme a denúncia, ela é acusada de auxiliar o goleiro a manter Eliza em cárcere privado em um apartamento no Rio de Janeiro e de tê-lo acompanhado na ida para Minas Gerais.

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Fernanda, que chegou a ficar presa durante quatro meses após o crime, disse que foi vítima de preconceito pelo fato de estar respondendo ao processo, mas que procurou reorganizar a vida da melhor forma possível. “No início foi difícil sim, pois as pessoas me olhavam de modo estranho. Aos poucos, minha vida voltou ao normal”, contou.



Sobre o passado, a ex-namorada de Bruno lembra que foi complicado conseguir emprego após deixar a prisão, mas afirma que o apoio dos familiares, principalmente de seus dois filhos, um com 18 e outro com 15 anos, foi fundamental. “Minha família sempre esteve ao meu lado e, depois de todo aquele sofrimento, hoje estamos ainda mais unidos. Foi difícil conseguir um emprego, mas hoje trabalho como secretária em um escritório de advocacia em Campo Grande”, diz Fernanda.

Questionada se faria alguma coisa diferente se pudesse voltar ao passado, ela é categórica: “Procuro não fixar meu pensamento no passado e sim construir o meu futuro”. Aos 34 anos, Fernanda diz que não tem namorado e que daqui para frente pretende voltar suas atenções para o vestibular de Direito. “Se Deus quiser, um dia serei magistrada”.

Segundo a denúncia, Bruno armou o crime para não ter de reconhecer o filho com Eliza nem pagar pensão alimentícia. O goleiro nega.

Segundo o Ministério Público, oito acusados, sob ordens do goleiro Bruno, participaram do sequestro e desaparecimento de Eliza, entre eles a mulher e uma namorada do goleiro. A Promotoria acusa o jogador, que atuava pelo Flamengo, de ter arquitetado o crime para não ter de reconhecer o filho que teve com Eliza nem pagar pensão alimentícia. Bruno nega.

Conforme a denúncia, Eliza foi levada à força do Rio de Janeiro para um sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere privado. Depois, a vítima foi entregue para o ex-policial militar Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que a asfixiou e desapareceu com o corpo, nunca encontrado. O bebê Bruninho foi achado com desconhecidos em Ribeirão das Neves (MG).

Do total de nove acusados, dois serão julgados separadamente – Elenílson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza. Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, foi morto a tiros em agosto. Outro suspeito, Flávio Caetano Araújo, que chegou a ser indiciado, teve o processo arquivado.

Investigações
A polícia encerrou o inquérito com base em laudos que atestam presença de sangue de Eliza em um carro de Bruno, nos depoimentos de dois primos que incriminam o goleiro, em sinais de antena de celular e multas de trânsito que mostram a viagem do grupo do Rio de Janeiro até Minas Gerais e em conversas de Eliza com amigos pela internet, nas quais relata o medo que sentia.

Eliza também havia prestado queixa contra o atleta quando ainda estava grávida, dizendo que ele a forçou, armado, a tomar abortivos. Ela ainda deixou um vídeo dizendo que poderia aparecer morta se não tivesse proteção.

O julgamento
O júri popular do caso Eliza Samudio, marcado para começar às 9h desta segunda-feira (19), no Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem (MG), será presidido pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues. Além do goleiro Bruno, estão no banco dos réus outros quatro acusados de participação: Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão; Marcos Aparecido dos Santos, o Bola; Dayanne Rodrigues, ex-mulher de Bruno; e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro.

Os réus serão julgados por um grupo de sete pessoas, formado por cidadãos maiores de 18 anos residentes em Contagem (MG), sem antecedente criminal ou parentesco com os acusados.

Os réus serão julgados por um grupo de sete pessoas, formado por cidadãos maiores de 18 anos residentes em Contagem (MG), sem antecedente criminal ou parentesco com os acusados. Eles são sorteados um a um ao início da sessão entre 25 pessoas previamente escaladas. A juíza Marixa pediu também que suplentes estejam à disposição.

Ao todo, 30 testemunhas serão ouvidas – cinco de acusação, que são ouvidas primeiro, e 25 arroladas pela defesa (cinco para cada réu). Não há limite de tempo para as oitivas. Cada testemunha é questionada pelo juiz, pelo promotor e pelos advogados de todos os réus.

Encerrada essa fase, que promete ser a mais longa, começa o interrogatório dos cinco réus, que têm o direito de permanecer em silêncio. Depois, acusação e defesa apresentam seus argumentos para tentar convencer os jurados de que os réus são culpados ou inocentes.

30 testemunhas serão ouvidas – cinco de acusação e 25 da defesa.

Por último, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz com “sim” e “não”. Eles decidirão se os réus cometeram o crime, se podem ser considerados culpados e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, a decisão final dos jurados, a juíza dosa a pena com base no Código Penal, se houver condenação. Se houver absolvição, o réu deixa o tribunal livre.

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