Fábricas de Calçados reclamam da queda nas exportações e aumento de custo na produção

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As oscilações do dólar ainda preocupam a indústria de transformação, apesar de o segmento dar sinais de recuperação no início deste ano. De janeiro a março, o setor cresceu 1,9% em comparação com o último trimestre do ano passado e puxou o avanço da indústria no período. Perante o mesmo período de 2011, contudo, a indústria de transformação recuou 2,6%.

As fabricantes de calçados estão entre aqueles que ainda sentem o efeito da variação cambial. “Esse tipo de inconstâncias no mercado não permite que a empresa tenha um planejamento estratégico definido para um longo prazo”, diz Eduardo Smaioto, diretor comercial do Grupo Priority, do Rio Grande do Sul, que tem as marcas de sapato Cravo e Canela e a marca masculina West Coast. “Nosso custo atualmente não nos permite uma competitividade alta como tínhamos há cerca de seis anos”, afirma.

Smaioto explica ainda que o fator que mais prejudica o setor é a composição do preço do calçado brasileiro. Os produtos químicos usados no tratamento do couro são todos importados, ele conta, o que permite uma margem de manobra tênue para as empresas. “Quando o dólar cai, podemos repassar a diferença para o preço. Quando a moeda sobe, por outro lado, não conseguimos repassar essa diferença, já que o preço do calçado já está chegando no limite”, explica. O executivo ressalta que o mercado mundial tem baixa tolerância ao preço alto dos calçados. “Aumentar muito o preço iria nos prejudicar”, diz. Ele afirma que há 15 anos, o preço médio dos calçados exportados girava em torno de US$ 8 a US$ 10. Agora, já chegou a US$ 20.

A empresa também viu suas exportações minguarem nos últimos quatro anos e agora, com a crise no mercado europeu, o desempenho recua mais. Os negócios da companhia com o exterior, que representavam 25% de seus ganhos há quatro anos, hoje estão em 12%. O país que mais reduziu a participação na compra de calçados foi a Argentina, de acordo com Smaioto. “A Argentina tem dificultado muito a entrada de calçados no país. Nós estamos parando de fazer negócios com eles e estamos perto de encerrar. Quando isso acontecer, as nossas exportações deixarão de representar 12% da empresa, para representar 10%”, diz.

Para se proteger da oscilação do dólar, as empresas do setor costumam recorrer à operações de hedge (proteção) para minimizar o impacto da alta da moeda. Nesse caso, o executivo e o a instituição financeira responsável pelo serviço definem um valor máximo para a moeda. Caso o valor seja atingido a longo prazo, o banco paga a diferença da operação. Mas, se o dólar subir mais do que o valor estipulado, a empresa fica com a diferença. “Por causa de uma previsão que não bateu com a realidade para o valor futuro do dólar, perdemos R$ 300 mil em maio”, conta Smaioto. Ou seja, o dólar subiu mais do que o valor estipulado com o banco que realizou o hedge e ele teve de arcar com a diferença.

Diante desse cenário ruim no comércio exterior, a empresa tem focado o mercado interno e conseguido bons resultados, diz Smaioto. “Estamos nos concentrando muito no nosso mercado interno. Principalmente, porque nossos calçados são muito direcionados à classe C, que tem crescido e consumido mais”, conta Smaioto. O grupo pretende ainda começar a exportar para a Rússia. “Se der certo, vamos ganhar um mercado grande e compensar a falta da Argentina nos nossos negócios.”

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