Família não sabia que espancada que perdeu bebê estava grávida, relata tia

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A tia da jovem que perdeu o bebê após ter sido espancada pelo namorado em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, afirmou  na tarde desta quinta-feira (28) que a família não tinha conhecimento sobre a gravidez. “A gente descobriu na segunda-feira [dia do crime]. A mãe também não sabia”, atesta Elma Augusta da Silva.

A tia de Jéssica Nascimento, de 21 anos, acrescenta que foi procurada pelo pai e pelo advogado do agressor nesta quinta-feira, três dias após o registro do caso. “Eles se propuseram a ajudar. A família propôs transferência para um hospital privado, mas ela [a vítima] não tem condições de sair daqui. O estado de saúde é grave”, afirma Elma Augusta.

Emocionada, Jeane Nacimento, mãe de Jéssica, lamentou a situação da jovem. “Minha filha está em coma, entre a vida e a morte, com um bebê morto dentro da barriga há quatro dias”, disse. “Ela falou para o namorado que estava grávida, e ele, que luta artes marciais, a agrediu do nada”, acrescentou.

Desde o dia da agressão, a tia da jovem detalha que a sobrinha está internada em coma induzido no Hospital Base de Vitória da Conquista. Elma diz que o quadro clínico aponta inflamação nos pulmões e no abdômen, além de perda de consciência e dificuldades nas funções renais. “Ela chegou a abrir os olhos ontem [quarta], mas teve um agravamento no quadro”, conta.

Maria Tereza Barcia, diretora clínica do hospital, diz que o grande problema de Jéssica é o pulmão. “Ela está usando parâmetros ventilatórios bastante elevados e mesmo assim a gente não está garantindo boas trocas”, afirmou.

A tia da jovem relata que a sobrinha estava namorando com o agressor. “Eu não cheguei a conhecer, mas sei que estavam juntos. Todos os amigos sabem disso”, explica. Sobre o andamento das investigações, ela afirma: “a nossa família quer Justiça”.

Entretanto, em entrevista ao G1, o advogado Gutemberg Macedo diz que o cliente, Américo Francisco Vinhas Neto, de 24 anos, não namorava com a vítima. “Se conheciam há duas semanas. Não havia relação de namoro, nem ocasional. Estavam juntos num grupo”, relata.

Com base em informações dadas pelo rapaz, Macedo diz que o cliente estava em um encontro com amigos na casa da vítima e que todos os integrantes faziam uso de entorpecentes. O advogado detalha que Américo Francisco teve um surto psicótico e agrediu Jéssica Nascimento.

Ao G1, a tia da vítima, Elma Augusto, disse que a polícia encontrou na casa as substâncias entorpecentes. Entretanto, ressalta que todos os amigos presentes no encontro afirmam que Jéssica não usou drogas. “Eles contam que ela não usou, justamente porque estava grávida”, defende.

Após as agressões, o advogado Gutemberg Macedo afirma que o cliente foi encaminhado para delegacia e que, justamente devido ao uso das drogas, precisou de suporte do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Após prisão em flagrante, o jovem de 24 anos foi solto mediante pagamento de fiança. Macedo diz que a situação foi acompanhada por um outro advogado, mas acredita que o valor pago tenha sido de R$ 5 mil.

Violência doméstica
Conforme Gutemberg Macedo, o cliente foi liberado pelo delegado de Polícia Civil, que configurou o caso como violência doméstica, mas entendeu que a situação era afiançável.

O G1 tentou contato com a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) para obter esclarecimentos sobre as razões que justificaram a soltura do suspeito por fiança. A titular da unidade, Decimária Cardoso Gonçalves, disse que a situação foi atendida pelo delegado plantonista Luiz Gustavo e que ele só estará na unidade na sexta-feira (29). Ela disse que não tinha detalhes sobre o caso.

A reportagem teve acesso à homologação da prisão em flagrante que foi assinada pela juíza Carmem Stela Sampaio Pereira, de Vitória da Conquista, na terça-feira (26). Na decisão, a magistrada afirma que, diante do pagamento da fiança, o caso deve ser remetido para averiguação do Ministério Público. O G1 entrou em contato com o MP, mas até a publicação desta matéria não obteve informações se a situação já foi comunicada ao órgão.

O G1 também entrou em contato com  o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), para obter informações sobre o entendimento de que o crime é afiançavel. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno do órgão.

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