Governo estuda reduzir o etanol na gasolina para tentar segurar inflação

0

O preço do álcool voltou a subir em plena safra da cana-de-açúcar. Para tentar segurar a inflação, o governo estuda reduzir a quantidade de etanol na gasolina. Enquanto isso, os consumidores fazem conta pra saber o que compensa na hora de abastecer.

O motorista José Gouveia chegou ao posto e ficou espantado com o preço do álcool: R$ 1,99. Escolheu a gasolina. “Porque o álcool está muito alto então você conseguiria rodar mais na gasolina do que no álcool. O álcool, que é um produto nacional, poderia estar bem mais em conta não está valendo a pena”.

Em plena safra o álcool subiu. Na região metropolitana de São Paulo, o maior aumento do país: 5,75%. A reação do consumidor foi imediata. Num posto de São Paulo, os frentistas dizem que antes do aumento a maioria dos motoristas abastecia com álcool, mas agora, 80% preferem gasolina.

Pelo levantamento de preços, da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em três regiões do país compensa encher o tanque com gasolina. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste ainda vale a pena abastecer com álcool.

“Pelos nossos registros, nós temos de cinco anos atrás. Até o momento, é a primeira vez que nós notamos uma alta tão persistente como ocorreu este ano”, diz o coordenador do IPC – Fipe, Antonio Evaldo Comune.

Os donos de postos dizem que não são responsáveis pelo aumento. “É um preço repassado. Quer dizer, nós temos uma coisa que a gente coloca, que é a nossa margem. Agora, quem faz preço é a distribuidora de petróleo e usineiro”, fala o presidente do Sincopetro, José Alberto Paiva Gouveia.

Os usineiros alegam que houve uma redução de 6,16% na safra deste ano por causa da idade avançada de parte dos canaviais e em função da estiagem que prejudicou o desenvolvimento das plantações.

A conta sobrou para o consumidor. “O jeito é a gasolina. Por enquanto é a gasolina”, afirma José. Mas o álcool também pode influenciar no preço da gasolina.

Rio de Janeiro
Atualmente a gasolina brasileira recebe 25% de álcool. Essa porcentagem é decidida pelo governo e sempre variou de acordo com a produção de cana. Na entressafra, quando a oferta de etanol é menor, o percentual de álcool na gasolina diminui.

Quando a produção de álcool está em alta e a gasolina tem preços elevados, o governo pode aumentar a quantidade de etanol na gasolina.

A diferença é que agora, o governo pretende reduzir a porcentagem de álcool na gasolina em plena safra. A ideia não é regular a produção, mas controlar a inflação — já que mesmo com a nova safra, o álcool continuou caro e tem puxado os preços da gasolina para cima.

Os combustíveis respondem por mais de 2,5% na cesta de itens que compõem o IPCA, principal índice de preços no país.

Especialistas do Ministério das Minas e Energia, se reúnem nesta quinta-feira, em Brasília, com usineiros e representantes das distribuidoras de combustíveis justamente para analisar o impacto que essa medida pode causar.

A redução do álcool na gasolina pode fazer com que a Petrobras – que este ano já importou 2,5 milhões de barris de petróleo – tenha que importar mais combustível.

A última vez que o governo mexeu no preço da gasolina foi há dois anos, e foi para reduzir. Na época, a Petrobras baixou os preços em 4,5% nas refinarias.

“A Petrobras está com um enorme rombo de caixa pelo fato de estar com o preço da gasolina congelado. O governo está querendo resolver um problema de curto prazo, que é o controle da inflação. Ele está querendo esconder a inflação, porque não reajusta o preço nem da gasolina nem do diesel, e com isso vai provocar um problema de médio a longo prazo que é o fato de o Brasil ter uma produção de petróleo menor do que teria se a gente fizesse os investimentos que a empresa precisa”, diz o especialista em energia, Adriano Pires.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here