PF abre 37 inquéritos contra empresários; suspeitos de locaute serão presos

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O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou na noite deste sábado (26) que a Polícia Federal abriu 37 inquéritos em 25 estados para investigar donos de empresas de transporte e distribuição suspeitos de locaute. “Identificamos com a maior clareza um movimento criminoso de parte dos senhores proprietários, donos de grandes empresas, que não permitem, não liberam seus motoristas [para trabalhar]. Os responsáveis estão sendo convocados para prestar depoimentos.”

Proibido por lei, o locaute acontece quando empresários impedem o trabalho de funcionários, agindo em interesse próprio e não para atender reivindicações dos trabalhadores. “O setor [de transportes] tem um oligopólio, com concentração em algumas empresas que criminosamente entraram em locaute.” Jungmann informou que foram expedidos mandados de prisão, mas não esclareceu se prisões já aconteceram.

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Ele também comentou que a Polícia Rodoviária Federal expediu 400 autos de infração contra motoristas de caminhão que bloquearam estradas, totalizando um valor de R$ 2,03 milhões até o momento. De acordo com o Código de Trânsito, é considerado infração gravíssima “usar qualquer veículo para, deliberadamente, interromper, restringir ou perturbar a circulação na via sem autorização do órgão ou entidade de trânsito”.

Jungmann disse ainda que têm sido aplicadas as multas de R$ 100 mil por hora contra entidades ou empresas que estejam promovendo interdições de estradas pelo país, conforme estipulado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O ministro atualizou os números sobre a liberação das rodovias do país. Segundo ele, ainda há 566 pontos de bloqueio parcial de estradas, enquanto outros 524 pontos foram liberados pelas forças de segurança.

“Um número praticamente meio a meio entre aquelas que se encontram liberadas e interditadas”, disse o ministro durante entrevista à imprensa no Palácio do Planalto. “Tivemos seis casos em que o desbloqueio não se deu de forma negociada, em que tivemos que utilizar o choque da Polícia Rodoviária Federal, porém sem vítimas”, acrescentou Jungmann.

A paralisação dos caminhoneiros já dura seis dias. O foco principal da Polícia Rodoviária Federal, segundo o ministro, foi liberar “corredores de acesso a aeroportos e aos principais postos de abastecimento de combustíveis”. As refinarias de Duque de Caxias (RJ) e Paulínia (SP) foram desbloqueadas.

Dificuldade de negociar e órgãos perdidos
Jungmann reconheceu que o governo enfrenta dificuldades de negociar com a totalidade dos caminhoneiros porque a categoria tem duas formas de representação: uma tradicional, verticalizada; e outra descentralizada, horizontal. O governo negociou inicialmente com o sindicalismo tradicional dos caminhoneiros, mas a outra parte da categoria não se sentiu representada, rejeitou o acordo e manteve a greve. “Há dificuldade para estabelecer canais de discussão.”

O ministro do gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, disse que a paralisação provoca prejuízos no sistema de saúde. “O Sistema Nacional de Transplantes foi comprometido. Perdemos órgãos. Existe risco de desabastecimento de itens básicos nos hospitais. De gás a medicamentos.”

Etchegoyen afirmou que a situação caminha para a normalização, mas não quis estipular um prazo para o fim da paralisação.

A entrevista concedida por Jungmann e Etchegoyen foi a segunda que o governo organizou neste sábado para tratar da greve. Mais cedo, o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) foi designado para falar com os jornalistas.

O presidente Michel Temer reuniu-se duas vezes hoje com os ministros e integrantes do Gabinete de Acompanhamento da Normalização do Abastecimento no Palácio do Planalto.

O governo publicou hoje um decreto que autoriza motoristas de órgãos e entidades da administração pública e militares das Forças Armadas a conduzir caminhões com cargas consideradas essenciais. As empresas proprietárias destes caminhões podem vir a ser ressarcidas.

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