Protestos contra alta da gasolina têm 6 mortos e 1.500 detidos

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Os distúrbios ligados a protestos contra o aumento do preço dos combustíveis no México, conhecidos como “gasolinazo”, já deixaram seis mortos e mais de 1.500 detidos pelo país e continuaram nesta sexta-feira (6), embora com menor intensidade.

Diante das manifestações, saques, bloqueios de estradas e atos de violência, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, apelou para a compreensão da população para a decisão de “optar pelo mal menor” e afirmou que o aumento do preço dos combustíveis foi “uma decisão difícil, impopular, mas necessária”.

O preço da gasolina e do diesel subiu entre 14% e 20% desde que o governo de Peña Nieto desregulamentou os preços e decretou o reajuste a partir de 1º de janeiro – o que causou a ira dos mexicanos.

O sub-secretário de governo, René Juárez, afirmou que “mais de 1.500 pessoas” foram detidas por atos de vandalismo e que “a soma de esforços dos governos [federal, estadual e municipal] está permitindo conter os atos fora da lei”.

Três pessoas foram mortas no estado de Veracruz, uma no estado de Hidalgo e outra — um policial — na capital Cidade do México.

Série de protestos

Até o momento, o maior protesto foi registrado em Monterrey, capital do estado de Nuevo León, onde os distúrbios e saques a lojas registrados entre a noite de quinta e a madrugada de sexta deixaram 182 detidos, 15 feridos e 27 lojas saqueadas, segundo autoridades.

“O aumento da gasolina impactou e provocou um grande descontentamento”, afirmou o governador de Nuevo León, Jaime Rodríguez Calderón, ao apresentar um balanço dos motins derivados dos protestos. O governador afirmou que não permitirá mais atos de vandalismo nem saques. “Todos aqueles que participaram dos saques vão ser perseguidos”, afirmou Calderón.

Em Monterrey, várias manifestações convergiram para a frente do palácio de governo do estado, reunindo mais de 10 mil pessoas. Um grupo de jovens tentou entrar no prédio e foram impedidos pela polícia.

Isso fez com que os manifestantes jogassem pedras e outros objetos contra o prédio, quebrando seis grandes vitrais com figuras de heróis nacionais que datam do início do século XX. Policiais e manifestantes entraram em conflito.

Na quarta, mais de 160 pessoas foram detidas por “atos de vandalismo” durante protestos no estado do México, segundo o governo estadual. Shoppings e lojas da região foram saqueados pela população e a polícia não interveio, segundo moradores.

Estado de Veracruz

Em Allende, no estado de Veracuz, pessoas roubaram gasolina e diesel das bombas de um posto de combustível na terça, segundo a agência de notícias Associated Press, e intimidaram frentistas que desligaram a energia do posto para bloquear as bombas.

Forças federais foram enviadas a Veracruz e conseguiram conter nesta sexta os saques na principal região turística, onde os protestos contra o “gasolinazo” tinham aumentado nos últimos dias.

Os 250 homens da Polícia Federal e da Guarda Nacional e centenas de cidadãos e proprietários de lojas da área do porto de Veracruz e Boca del Río impediram que atos de vandalismo continuassem.

O governador de Vera Cruz, Miguel Ángel Yunes, visitou o Centro Comercial Las Brisas e entregou centenas de vales de 500 pesos (cerca de R$ 75) para mães de família, como tinha prometido na quinta, quando confrontou saqueadores e ofereceu os vales para tentar apaziguar a insatisfação.

Mortos

As autoridades confirmam a morte de três pessoas em Veracruz. Dois supostos saqueadores morreram por causa da violência e uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida ao ser atropelada por uma caminhonete na qual supostos saqueadores fugiam da polícia.

No estado de Hidalgo, a Procuradoria de Justiça informou que dois manifestantes que bloqueavam a estrada México-Laredo morreram durante os confrontos com a polícia. Os agentes não conseguiram retirar os manifestantes e o bloqueio persiste.

Na quarta, um policial morreu e outros cinco ficaram feridos na Cidade do México, durante atos de vandalismo, segundo a Secretaria de Segurança Pública da capital.

Peña Nieto

Ao justificar o aumento dos preço, Peña Nieto afirmou que “às vezes é preciso optar pelo mal menor, e o que o governo decidiu privilegiar sobretudo as ações e políticas voltadas aos setores mais vulneráveis”.

O presidente mexicano afirmou que “não é através do vandalismo nem do roubo que a realidade será alterada”. “Devemos invocar a razão e entender, ou pelo menos escutar, as razões que levaram a esta decisão, para que nosso país, em unidade, possa enfrentar este desafio e outros que se vão vir ao longo do ano”, pediu Peña Nieto aos mexicanos.

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