Sites de compra coletiva são “Armadilhas coletivas”

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A estudante de Psicologia Marcele de Freitas mudou seus hábitos de consumo. Com cada vez mais sites de compras coletivas disponíveis no mercado, Marcele conta que está viciada e acessa todos os dias para conferir as promoções. Apesar de reconhecer as vantagens desses sites, ela caiu em uma armadilha: comprou uma torta para o seu aniversário que nunca foi entregue.
“Liguei antes, falei com a responsável, que me disse que iria entregar aqui em casa. No dia, ela desligou o celular”, revolta-se Marcele. Sabendo que  seria difícil receber seu dinheiro de volta, a estudante está tentando uma nova estratégia. Pediu que a empresa entregue a torta, inicialmente encomendada para 2 de outubro, no dia 5 de novembro. Esperando resolver amigavelmente a situação, a moça não quer divulgar o nome da doceria, por enquanto.

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Pesquisa 
O transtorno sofrido  por Marcele não é incomum, conforme aponta uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) publicada este mês. Das quatro grandes empresas pesquisadas (Clickon, Groupalia, Groupon e Peixe Urbano), todas apresentaram algum problema nos quesitos avaliados. Houve casos de cadastro obrigatório de e-mail sem acesso ao contrato; utilização indevida de dados pessoais; isenção da responsabilidade; desconto maquiado; ausência de SAC; falta de explicação sobre o direito de arrependimento e falta de informações que identifiquem os fornecedores.

O advogado do Idec Guilherme Varella diz que os problemas mais graves são os descontos maquiados e a isenção de responsabilidade dos sites. Com relação aos descontos, os sites ofertariam produtos ou serviços inflacionando os preços originais para atrair os clientes. “Isso induz o consumidor ao erro. O site coloca que o produto vale R$ 1 mil, oferta por R$ 500, mas a empresa divulga no seu site que o valor é R$ 700”, analisa Varella.

Além de ser considerada uma publicidade enganosa, o consumidor pode sair perdendo dinheiro dessas transações. Isto foi constatado na pesquisa quando o Peixe Urbano ofertou cinco sessões de ultralipocavitação (lipoescultura sem cirurgia), mais dez sessões de plataforma vibratória, por R$ 129, e informou que o valor integral era R$ 2.050. Mas, ao visitar a clínica, o Idec descobriu que o mesmo tratamento oferecido pelo Peixe Urbano sai por R$ 99. Ou seja, o valor real é menor do que o promocional divulgado pelo site, o que configura oferta falsa. Por isso, é sempre recomendável entrar em contato com as empresas antes de fechar a compra.

Já no caso da isenção de responsabilidade, Varella explica que os sites de compras coletivas não querem resolver nenhum problema com relação aos produtos/ serviços que ofertam. “Esses sites participam de todo o processo: fazem a publicidade, anunciam os preços e as características, fazem as transações financeiras e finalizam o pedido. Eles esgotam a cadeia de fornecimento e querem se eximir de qualquer responsabilidade”, condena Varella.

Fotos 
A isenção de responsabilidade não deu certo no caso de Marcelo Cerqueira. Ele havia comprado uma promoção para revelar fotos no Groupalia e quando colocava o número de inscrição do cupom aparecia como código inválido. “Mandei mais de oito e-mails, mas o site de compras coletivas só dava respostas que não faziam nenhum sentido”, conta.

Após relatar o acontecido à reportagem do CORREIO, Marcelo recebeu resposta, através de um telefonema ao jornal.  O Groupalia ligou afirmando que lamentava  o ocorrido e que entrou em contato com o cliente  a fim de “passar os procedimentos para o resgate do voucher adquirido”.

Sites de compras coletivas negam maquiagem de preços
O CORREIO enviou as denúncias do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) para todos os sites participantes da pesquisa. Dentre as queixas mais grave apontadas pelo Idec está o desconto maquiado. O site ClikOn argumenta que não há exclusividade sobre os preços. “Os descontos são baseados nos preços sugeridos pelo parceiro, mas não há qualquer exclusividade do site quanto ao percentual que será aplicado”.

Já o site Gropalia afirma que “a equipe faz um estudo da idoneidade dos estabelecimentos, além de comparar preços nos sites de e-commerce para se certificar que o desconto que está oferecendo ao seu usuário é condizente  com o que está sendo informado”.

O site Groupon comentou que as ofertas anunciadas no site não impedem que o fornecedor disponibilize o mesmo desconto: “A natureza dinâmica do nosso modelo de negócio permite que haja casos em que o parceiro possa praticar o preço ofertado no site para outros clientes que não sejam os usuários Groupon”.

Já o Peixe Urbano desmentiu a pesquisa do Idec: “Não há (desconto maquiado). Possuímos uma equipe interna especializada exclusivamente na checagem de veracidade das informações prestadas pelas empresas ofertantes, para assegurar máxima precisão e confiabilidade em todos os detalhes de cada oferta”.

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