Terreiro recebe apoio da Rede de Combate ao Racismo

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Alvo de atos preconceituosos de um membro da vizinhança, o terreiro Ilê Oba L’okê, localizado na Rua Dr. José Carlos Minahim, em Lauro de Freitas, recebeu a visita de representantes da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, vinculada à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), na tarde desta terça-feira (26). No local, a situação do terreiro foi discutida e uma petição assinada por cada um dos presentes como forma de cobrar providências da administração pública do município.

O documento torna pública a perseguição sofrida pelos adeptos da casa. A versão original será entregue à Prefeitura de Lauro de Freitas, assim como as cópias para todas as partes interessadas. “Estamos dando esse suporte enquanto Governo do Estado e mostrando que as vítimas de racismo não estão sozinhas nesta luta por respeito. Estamos acompanhando de maneira integrada para que o desfecho seja positivo”, explica a coordenadora da rede, Nairobi Aguiar.

negra

Composta por instituições do poder público, universidades federais e estaduais, órgãos que formam o Sistema de Acesso à Justiça e um conjunto de organizações da sociedade civil de Salvador e do interior, a rede tem o objetivo de aumentar o grau de resolutividade dos casos de combate ao racismo e à intolerância religiosa, além de promover a igualdade racial e garantir os direitos da população negra, por meio da atuação integrada dos seus componentes.

“Com a rede nos apoiando, a gente se sente mais forte para lutar pelos nossos direitos. Um vizinho aqui da rua já disse com todas as letras que não quer que um terreiro continue na vizinhança. Depois disso, iniciou uma série de denúncias falsas querendo nos expulsar daqui. Não conseguiram e não vão conseguir porque estamos dentro da lei”, afirma o babalorixá responsável pela casa, Vilson Caetano.

Denúncias

De acordo com o coordenador do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, Walmir França, que também esteve presente no encontro, já foram registrados na unidade, até 13 de abril deste ano, 215 denúncias de racismo e intolerância religiosa.

Do total, 70 casos envolveram vítimas de intolerância religiosa, sendo que a maioria partiu de vizinhos (27%) e outros religiosos (14%). Todos receberam o suporte jurídico, psíquico e social do centro. “Nós temos a missão de identificar casos de racismo e intolerância [religiosa], acolher as vítimas e direcioná-las para que saibam se proteger e combater atitudes preconceituosas”, destaca França.

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