Tragédias do Marotinho e do Barro Branco completam 1 ano

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Da janela de casa, situada na localidade do Barro Branco, na San Martin, a empregada doméstica Ana Lúcia de Oliveira, 38, assistiu, no ano passado, ao deslizamento de terra que vitimou 11 pessoas. Hoje, no local da tragédia, uma obra de contenção, que deve ser entregue em cerca de seis meses, começa a aparecer no alto da encosta.

A intervenção, iniciada seis meses após a catástrofe, não garante, no entanto, a segurança de Ana e outras 20 famílias que, um ano após a tragédia, ainda temem por novos deslizamentos nos meses de maio e junho, quando é grande a incidência de chuva.
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Há nove meses morando em um hotel financiado com recursos municipais, Ana anseia voltar para seu imóvel e, finalmente, dormir com tranquilidade nos dias de chuva.
“Sempre que chove na cidade, revivo o pesadelo daquele 27 de abril de 2015. Lembro de ver tudo sem poder sequer socorrer os vizinhos”, lamenta.

No Marotinho (Bom Juá), palco de outro deslizamento que vitimou quatro pessoas em 2015, os moradores só puderam reocupar suas casas na última semana, quando foi iniciada a implantação de mantas de concreto para a impermeabilização da encosta.

A solução encontrada pela prefeitura para evitar novos deslizamentos, embora seja temporária, renovou as esperanças de Elizângela dos Santos Góes, 38, grávida de sete meses do quarto filho, que reside no bairro há mais de 20 anos.

Ela espera que, nos próximos dias, possa trazer de volta para casa os filhos mais velhos, que deixou aos cuidados do pai, após a tragédia do ano passado.

“Depois de tanto tempo e tristeza e dor, agora vou viver o prazer de criar meus filhos juntos, sem medo de perder nossas coisas e nossas vida na primeira chuva que cair”, afirmou.

Prevenção O drama de quem viveu e testemunhou as tragédias de abril e maio de 2015 – em Salvador, 22 pessoas morreram em desabamentos e deslizamentos de terra -, motivou estado e prefeitura a empregarem, juntos, cerca de R$ 350 milhões em recursos voltados para ações preventivas.

Para o período de chuvas deste ano, além das ações tradicionais de contenção de encostas, a gestão municipal investiu cerca de R$ 100 milhões em três medidas experimentais: a impermeabilização do solo por meio de manta de revestimento, a instalação de 100 prismas para indicar movimentações da terra e a realização de simulados de evacuação em áreas de risco.

“Não podemos prever o quanto vai chover, porém posso garantir que, este ano, estamos melhor preparados para enfrentar a temporada de chuva”, afirmou o secretário Municipal da Infraestrutura e Defesa Civil, Paulo Fontana.

O Governo do Estado entregou, em um ano, um total de 19 obras de contenção de encostas desenvolvidas por meio do Plano de Aceleração de Crescimento (PAC), do Governo Federal, dentro do Plano de Prevenção de Desastres Naturais, que prevê o investimento de R$ 236 milhões para a recuperação de 109 áreas de risco em Salvador e em Candeias.

Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Governo do Estado (Sedur) informou que outras 14 em fase de execução e 65 contenções estão em fase de projeto ou licitação.

Na opinião do engenheiro e geólogo Fabrício Bezerra, as ações do poder público, embora sejam necessárias, deveria abranger questões como a ocupação desordenada e a construção irregular de imóveis.

“É necessário pensar, a longo prazo, na criação de mais espaços para que a população de baixa renda não necessite construir em áreas de risco”, afirmou.

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