WhatsApp se diz ‘horrorizado’ com mortes na Índia e anuncia ação contra boatos

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O WhatsApp enfrenta um problema grave chamado “fake news” – notícias falsas que circulam entre conversas no aplicativo de maneira totalmente fora de controle, levando usuários a cair em golpes e fazendo estragos até no mundo real.

Nesta semana, a imprensa internacional apurou que boatos espalhados pelo WhatsApp levaram a linchamentos que deixaram 27 pessoas mortas em apenas dois meses na Índia, por exemplo. Isto sem falar em casos semelhantes no resto da Ásia e até no Brasil. Agora, a empresa por trás do aplicativo resolveu se manifestar.

Em um comunicado compartilhado com o governo da Índia e divulgado pela agência de notícias AFP, um porta-voz do WhatsApp disse estar “horrorizado” com a onda de violência gerada a partir de boatos que se espalham pelo aplicativo, e prometeu tomar atitudes para conter a propagação de fake news através do app.

Uma dessas atitudes foi revelada nesta quarta-feira, 4. O WhatsApp anunciou um programa global de investimentos em pesquisas que tenham como foco o fenômeno das fake news. A empresa vai financiar até 20 projetos de pesquisa com US$ 50 mil cada.

Pesquisadores do mundo todo têm até o dia 12 de agosto para apresentar ao WhatsApp suas propostas de pesquisa científica. As propostas selecionadas serão divulgadas no dia 14 de setembro. Países onde o WhatsApp é um meio de comunicação proeminente, como Brasil, Índia, Indonésia e México, terão preferência.

O WhatsApp diz que não vai compartilhar dados de usuários com os pesquisadores selecionados para o programa. Terão prioridade os estudos que abordem a forma como usuários consomem e interpretam informação compartilhada no WhatsApp, alfabetização digital, relação com informações envolvendo política e maneiras de detectar conteúdo problemático em conversas criptografadas.

As propostas precisam ser apresentadas em inglês e podem ser submetidas na página oficial do programa de recompensa do WhatsApp.

Atacando em outros campos

No comunicado compartilhado com o governo indiano, o WhatsApp também lembrou outras ações que tem tomado para combater o problema das fake news. Por exemplo, o app vem testando uma etiqueta que avisa ao usuário de que a mensagem que ele recebeu foi encaminhada muitas vezes (indício de que se trata de uma corrente).

Além disso, o WhatsApp anunciou recentemente um novo recurso para conversas em grupo. Agora é possível criar salas de chat em que apenas os administradores podem publicar mensagens, enquanto os outros membros podem apenas ler – o que, em tese, também pode ajudar a diminuir o fluxo de boatos pelo aplicativo.

A empresa também disse que planeja uma campanha de conscientização focada nos usuários indianos, mas ressaltou que o combate às notícias falsas não funciona de maneira unilateral. O WhatsApp afirma que toda a sociedade precisa se unir para lidar com o problema, não apenas as companhias de tecnologia.

“Acreditamos que as notícias falsas, a desinformação e a disseminação de fraudes são questões que devem ser enfrentadas coletivamente: pelo governo, sociedade civil e empresas de tecnologia trabalhando juntas”, disse um porta-voz do WhatsApp. “Com a ação certa, podemos ajudar a melhorar a segurança de todos.”

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