Publicado em : 8 de maio de 2012

Agricultores sem terra pedem urgência na liberação da Fazenda Gameleira em Itaberaba

Há três anos assentados na fazenda denominada Gameleira, na margem da BA – 042, trecho que liga os municípios de Itaberaba e Rui Barbosa, agricultores sem terra de Itaberaba, aguardam pela decisão do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) sobre a posse da terra ocupada. A área já foi vistoriada pelo INCRA, e agora o que falta é a decisão pela sua desapropriação para consequente demarcação das glebas e distribuição para as famílias. Comemorando o Abril Vermelho, a coordenação do MST representada pelo líder Jean, esteve reunido com as famílias na área da Fazenda Gameleira, discutindo o processo de liberação junto que depende de decisão do INCRA.

Essas mesmas famílias que aguardam uma decisão do instituto, encontram-se alojadas em barracos feitos com palha e não escondem o sacrifício pelo qual passam para alcançarem seus objetivos. “É uma luta muito comprida”, revela D. Glória, casada e mãe de três filhos, assentada que pretende ter a sua parte na posse do local, para trabalhar e produzir. Claudionor Ferreira Mota, outro assentado do local, pediu a atenção da presidente Dilma. “Peço a presidente Dilma que olhe por nós que somos trabalhadores, não sou bandido”, desabafou Claudionor, pai de seis filhos, acrescentando que “queria a terra não para roubar e sim para trabalhar”.

Divergência sobre a pose da área

Nessa localidade da Gameleira, que concentra mais de 200 famílias, tem gente que está na batalha pela posse da terra há mais tempo e que conhece um pouco mais sobre o local. É o caso de Alvino Jesus da Silva, popularmente conhecido por Vino. Antigo vaqueiro e conhecedor da história da localidade há 40 anos – nasceu e se criou no local – ele informa que a fazenda pertencia a um homem conhecido como Dr. Raul, hoje propriedade de José Filho, herdeiro da família. ‘Vino’ acompanha algumas transformações no local, como por exemplo, a chegada da Ferrovia Federal Leste Brasileiro, que dentre as mudanças que provoca no local, está a construção de casas para os trabalhadores da Ferrovia.

O coordenador do assentamento da gameleira, agricultor sem terra Fortunato Rodrigues Santos, o popular Nadinho do MST, assegura estar ocupando uma área pertencente à Ferrovia Federal Leste Brasileiro. Nadinho lembra que na ocasião da primeira ocupação entrou em desentendimento com o suposto proprietário do local, enfrentando um pedido de reintegração de posse, mas que cedeu por entender que a área pertencia à rede ferroviária. Desse modo, acabou ocupando a fazenda. Conforme Nadinho, o laudo da vistoria do INCRA apresenta condições favoráveis para a prática da agricultura na localidade.

Liderança do MST

Durante sua visita aos assentados, Jean do PT, coordenador do movimento na Bahia, garantiu que a Fazenda Gameleira está prestes a ser desapropriada pelo INCRA. Ele revelou que a liberação não ocorreu ainda, porque o proprietário entrou com processo de reintegração, quando a área ocupada pelos sem terra era considerado de propriedade da extinta Rede Ferroviária Leste Brasileiro. Detentor de longa militância em favor da reforma agrária, Jean conta que foi criado em acampamento desde os onze anos de idade e está na vanguarda, aqui na região da chapada, pela liberação do assentamento da Gameleira. Jean alega que essas questões envolvendo terras são naturais aqui no país e já não foram resolvidas por conta dos “ricos do Brasil”.

Luta justa

O líder do MST entende que a pessoa que hoje luta por terra é porque já foi expulsa da mesma, ou no passado teve algum parente que foi expulso, e que o papel do movimento é resgatar essas pessoas prejudicadas. Destaca que a luta daquelas famílias não é baderna.

Há a esperança de que esse assentamento, assim como os outros sejam resolvidos nesse processo de negociação. “A reforma agrária tem que ser vista como uma questão social e não como um caso de polícia, as pessoas pagam os impostos e esperam pela contrapartida do governo com os projetos de educação, moradia e saúde. O movimento tem esse papel de pressionar, de cobrar do governo, porque se ficar parado é pior”, ressalta Jean, ele que acredita em vantagem na venda da terra para o governo, em relação ao particular. A Constituição brasileira também é lembrada, em sua referência aos direitos que cada cidadão deve ter daí, o caráter justo das reivindicações feitas pelos assentados.

(Salvador) – Abril vermelho, mês marcante para os movimentos sociais, especialmente os de defesa da reforma agrária. Quais as ações pontuais nesse abril vermelho do MST na Bahia?

A ação, essa marca do Abril vermelho, foi criada em virtude dos conflitos de antigamente. No Pará foram mortas 21 pessoas (El Dourado de Carajás). Hoje não existem mais conflitos, em caso de chegada de oficial de justiça, procura-se a liderança do movi mento, em Salvador, para recorrer ou marcar audiência. O Abril Vermelho foi criado para pressionar a justiça no sentido de punir os responsáveis pelas mortes dos trabalhadores rurais e de fazer valer os fundamentos da reforma agrária. É uma questão que tende a perdurar porque, “ou se resolve, ou a luta continua”, adverte Jean.

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Exibindo 2 Comentários
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  1. Maria disse:

    Os nossos governantes tinham que dar qualificação profissional pra esse povo. Dar o peixe não vai resolver, voce tem que ensina-los a pescar.. Essa é minha opniao.

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