Reunião em Itaberaba debate o bombardeamento de nuvens para produzir chuvas no semiárido baiano

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A diretora da empresa paulista ModClima, Majory Mie Imai, reuniu-se nesta terça-feira (15), em Itaberaba, com 6 prefeitos da região (Itaberaba, Boa Vista do Tupim, Iaçú, Ibiquera, Marcionílio Souza e Mundo Novo), presidentes e representantes dos sindicatos rurais de diversos municípios, e lideranças políticas e empresariais, para apresentar as técnicas de sua empresa, especializada na produção de chuvas artificiais.

Arquitetada pelo prefeito de Itaberaba, João Almeida Mascarenhas Filho (PP), a reunião foi realizada na sede da Uneb, em Itaberaba, e contou com a participação de 150 pessoas de toda a região. A empresária foi contatada, inicialmente, para vir a Itaberaba, mas passou antes por Salvador, onde fez data show na Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, com a presença do secretário Eduardo Salles e do diretor geral do Inema, Júlio Mota, representando a Secretaria estadual do Meio Ambiente.
“Essa iniciativa é promissora e poderá auxiliar na mitigação dos efeitos nocivos da seca que assola grandes áreas do Estado da Bahia. Vamos, junto com o governo do Estado, trabalhar para que as ações concretas de bombardeamento das nuvens pelo avião da empresa especializada comecem rapidamente, após o sinal verde das autoridades”, afirma o prefeito João Filho.
Segundo o produtor rural Hernandes Medrado Filho, presidente do Sindicato Rural de Marcionílio Souza, o encontro no auditório da Uneb foi extremamente positivo, pois contou com o apoio de todas as lideranças políticas da região, independentemente dos partidos a que pertencem.
“Trata-se de uma união por uma causa maior, que é combater essa grande seca que está trazendo conseqüências negativas incalculáveis do ponto de vista social e econômico. A ação é uma iniciativa regional, surgida em Itaberaba, que sugeriu ao governo do Estado uma ferramenta tecnológica de ponta, totalmente sustentável, que já havia sido apresentada pela empresa ModClima até à ONU como alternativa para mitigar os efeitos causados pelo aquecimento global”, diz Hernandes Medrado.
Segundo ele, a região sai na frente, saindo do lugar comum das pessoas que só criticam para sugerir ações concretas. “Isso sem criar falsas expectativas em função dos resultados dessa tecnologia, que depende em boa parte da existência de nuvens específicas, tipo extrato cumulus, para que possa surtir uma grande precipitação de chuvas”, explica Medrado.
Ele anunciou duas grandes novidades. A primeira é que após a reunião de Itaberaba os produtores irão solicitar a intermediação do governo do Estado junto à ANAC para que o aeroporto de Itaberaba – início da mobilização – seja liberado para atuar como principal base de operações dos vôos na região. Segundo Medrado, a outra novidade é que o avião da empresa já está estacionado no aeroporto de Morro de São Paulo, só aguardando o sinal verde das autoridades estaduais para começar a operar na Bahia.

4 COMENTÁRIOS

  1. O projeto piloto da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado (Seagri) e da Secretaria do Meio Ambiente, que ainda estão em estudos sobre a possibilidade de produzir chuvas artificiais em parte da Bahia. Mas o lançamento do produto químico (anidrido carbônico) sobre as nuvens depende também de outros fatores, como a temperatura existente e sua umidade. Quando se lança o produto sobre as nuvens, elas se transformam em neve e depois em água, formando a chuva. Se as condições não forem favoráveis, pode apenas cair neve. A vegetação é essencial para que haja as condições climáticas adequadas para tornar precipitante uma nuvem, mas o que vejo em Itaberaba é um grande desmatamento em favor do plantio do abacaxi. Mas fico aqui torcendo para que realmente venha chover em quantidade suficiente para suprir as necessidades da agricultura e da pecuária.

      • ANIDRIDO CARBÔNICO (também conhecido como dióxido de carbono )
        Gás incolor, mais denso que o ar, inodoro e de sabor picante, quando dissolvido na água. Encontra-se na atmosfera, pois é desprendido por vulcões, águas termais
        e gasosas, originando-se ainda na respiração dos animais
        e plantas, bem como produto de combustão de quaisquer substâncias orgânicas. Muito usado em refrescos e refrigerantes artificiais. Sob forma de gelo seco, tem muitos empregos na indústria do frio.

        • A chuva contém um pequeno grau natural de acidez, que por sua vez, não agride o meio ambiente. No entanto, esse processo é intensificado em virtude do grande lançamento de gases poluentes na atmosfera, fenômeno esse, que ocorre principalmente nas cidades industrializadas, com grande quantidade de veículos automotores e em locais onde estão instaladas usinas termoelétricas.Sendo assim, as chuvas ácidas costumam ocorrer em países do primeiro mundo,nas cidades industrializadas. Acredito que poderá aumentar a acidez da chuva provocada, mas nada que venha prejudicar o solo e os seres vivos que lá habitam. O engenheiro Takeshi Imai garante que o bombardeamento das nuvens é um processo de mudanças conscientes que visam restaurar os estragos já feitos pelo homem.

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