Após tragédia, morador de Lajedinho não esquece o Natal: ‘festa na lama’

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Mais de duas semanas após o temporal que destruiu parte da cidade de Lajedinho, a cerca de 355 km de Salvador, moradores tentam superar as perdas para passar os festejos de Natal da melhor forma possível.

Ao todo, foram 17 mortos e cerca de 200 famílias desabrigadas. Em duas horas choveu 120mm, fazendo com que o volume do rio Saracura, que corta a cidade, subisse, causando destruição por onde passava. Mais de 70 casas foram totalmente destruidas.

Após a chuva, a dona de casa Rosimeire Reias voltou à casa onde vivia e encontrou uma pequena árvore de Natal, que usava para comemorar os festejos de fim de ano, destruída. “Agora ficou muito chateada [sic]. A gente ia passar o Natal tão tranquila. Agora aconteceu essa tragédia e não tem clima de jeito nenhum”, lamenta Rosimeire.

470f2aab768ccde17cf3e07613bdb1085958d81fAs crianças também lamentaram a dor causada pela tragédia. Algumas perderam familiares, casas e também as presentes de Natal. Lorrana Ferreira, de 11 anos, perdeu a mãe durante a enxurrada. “Ela [a mãe] falou que ia me dar um presente. Aí eu perguntei a ela o que era. Ela falou que no Natal ia me dar, mas não teve como”, conta. “Os presentes mesmo, que amiga secreta eu tava era bom, bom demais [sic]. Não vai ter esse ano”, lamenta Carlos Daniel, de 10 anos.

Sensibilizados com a situação, empresários de São Paulo enviaram mais de 600 brinquedos para as crianças de Lajedinho. A ação fez a alegria de meninos e meninas, que voltaram a sorrir. “Quando teve aquela chuva em Lajedinho aí todo mundo ficou preocupado, as criançadas pensado que não iam dar presente”, disse uma delas.

Laine Alves, de 8 anos, ganhou a primeira boneca após a enxurrada. “A chuva carregou todos os meus brinquedos. Agora, depois de toda essa tragédia, ganhei outros. […] Eu tinha pedido um tablet e um notebook antes da tragédia. Depois da tragédia pedi que tudo voltasse ao normal, melhorasse, para quando chegar ao Natal todo mundo voltasse a ser feliz”, conta a menina.

Mesmo com a tristeza, há quem não abra mão de comemorar os festejos natalinos. O aposentado José Quintino, de 93 anos, é uma dessas pessoas. “Nós vamos festejar o Natal na lama, e alegre, contente. O mais gostoso que a gente tem na nossa vida é a nossa vida, coragem e raça. Para tapar o que nós sofremos aqui, só raça”, afirma.

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