Região onde casal de comerciantes foi morto é disputada por dois traficantes

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A área do bairro de Alto do Cabrito onde Luciana Souza Peixoto, 34 anos, e Joceval dos Santos Fernandes, 33, foram executados é uma região de domínio do traficante conhecido como Renato Químico, que está com a sua influência ameaçada por Everaldo Rocha dos Santos, de acordo com o comandante Edson Lima e Silva, da 14ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Lobato).

Everaldinho, como é conhecido o rival de Químico, já comanda áreas de São Caetano e bairros vizinhos como Boa Vista de São Caetano e Capelinha. “A rixa entre os dois é nova, pois a área do Corre ou Morre, Prainha do Lobato e Voluntários da Pátria era de um traficante chamado Juarez, que está sumido. Desde então, Renato Químico passou a dominar a região”, afirmou.

O comandante da 14ª CIPM disse que a Polícia Civil é responsável pela investigação, mas não descarta o envolvimento entre a morte do casal e a execução de um homem dentro de uma borracharia da mesma rua, na altura de Boa Vista do Lobato, na sexta-feira.


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Segundo um PM, que preferiu não se identificar, Everaldinho teria uma lista de pessoas juradas de morte na região. O PM informou que ao menos seis pessoas dessa lista já teriam sido executadas. O delegado titular da 3ª Delegacia de Homicídios (3ª DH), Guilherme Machado, que é responsável pela investigação, informou que não dará informações sobre o caso, por enquanto.

As equipes da 3ª DH estão buscando linhas de investigação que ajudem a elucidar o caso. Procurado para comentar as disputas do tráfico na região, o delegado Nilton Borba, da 5ª Delegacia (Periperi), esteve em uma reunião, pela tarde, e não atendeu às ligações até o fechamento. Everaldinho é o 2 de paus do Baralho do Crime, ferramenta da Secretaria da Segurança Pública para encontrar acusados de crimes de alta periculosidade que estão foragidos.

O crime
Quase sempre aberto para os clientes, o Bar 24 Horas, que pertencia ao casal Luciana Souza Peixoto, 34 anos, e Joceval dos Santos Fernandes, 33, amanheceu fechado, ontem, após o assassinato dos dois proprietários, na noite de domingo.

Alguns vizinhos, que não ouviram os disparos e estranharam o não funcionamento do bar, encontraram em frente às portas do estabelecimento algumas marcas de sangue e copos de vidro quebrados, que davam pista do que acontecera ali, na véspera. De acordo com a Central de Polícia, os disparos foram feitos por dois homens a bordo de uma motocicleta, por volta das 22h30.

Moradores da região negaram saber de qualquer envolvimento do casal com o tráfico de drogas. Contudo, outros apontaram o bar como local frequentado por pessoas ligadas ao tráfico de drogas da região.

O bar funcionava na Estrada Lobato-Campinas de Pirajá, em uma esquina na altura da Rua Maroly Lopes, há mais de um ano, sempre com o horário estendido.

Clientela
Apesar de o nome sugerir o funcionamento 24 horas por dia, os vizinhos relataram que nos últimos três meses os proprietários passaram a baixar as portas por volta das 3h. “Era o único bar aqui da área que funcionava até tarde. Tinha dias que eu acordava 4h e aqui ainda tinha gente. Sempre aquele mesmo pessoal esquisito, mas essas coisas a gente tem até medo de falar”, explicou um morador.

Quando o crime aconteceu, os moradores que aceitaram falar com a reportagem não souberam especificar se havia clientes no bar no momento do crime. No entanto, disseram que não houve barulho de discussão. Os motociclistas encostaram no meio-fio e fizeram vários disparos contra o casal. Joceval foi baleado na cabeça, ombro e mãos. Já Luciana foi morta com um único tiro na cabeça.

A polícia ainda não sabe qual terá sido a motivação por trás da execução, nem a identidade dos autores.

Enquanto alguns vizinhos apontam a clientela do bar como razão para o tiroteio, outros moradores da rua atribuem as mortes ao possível envolvimento de um filho de Luciana e Joseval com criminosos da região – a área é disputada por dois traficantes.

Família
Joceval tinha sete irmãos e a maior parte da vida morou no bairro de Fazenda Coutos, no Subúrbio Ferroviário. Jones dos Santos Fernandes, 29, um dos irmãos, comentou que a vítima sempre trabalhou como comerciante. Ele teria se mudado com Luciana para o Alto do Cabrito três anos atrás, quando os dois reataram um relacionamento que, antes da separação, durava cinco anos.

“Nós não tínhamos tanto contato assim, pois ele tinha desentendimentos com alguns irmãos, só que nunca soube da possibilidade de ele ter inimigos. Tanto que eu fui acordado de madrugada com a notícia da morte dos dois e até agora estou em busca de uma explicação”, afirmou Jones.
A ex-sogra de Luciana, Maria José dos Santos, também citou o caráter trabalhador da vítima e considerou infundadas as informações de que o casal teria envolvimento com o tráfico.

“Ela foi ‘ajuntada’ com meu filho por alguns anos e sempre foi trabalhadora. A família dela tinha um comércio em Fazenda Coutos”, relatou Maria, que disse não acreditar que tivesse nada de errado.

“Era uma pessoa muito boa”, comentou a mulher, que precisou ir ao bar para ver com os próprios olhos e acreditar na morte da ex-nora. “Um outro neto meu sabia onde ela estava trabalhando e chegou em casa dizendo: ‘Vó, Luciana morreu’. De manhã fui até o bar e vizinhos me mostraram a foto dela caída por cima das cadeiras”, lamentou Maria.

Filhos
Irmão de Luciana, José Neto também não crê no envolvimento com o tráfico. “Ela era ‘trabalhadeira’. Foi vendedora ambulante até ter o bar. Foi uma realização para ela esse bar”, comentou.

O casal deixa dois filhos, um de 15 anos e um de 17. Segundo José, o rapaz de 17 anos ajudava no bar e nenhum dos dois tinha envolvimento com drogas. “Isso é conversa do povo. Não tinham envolvimento”.

O bar funcionava 24 horas, mas por causa do baixo movimento vinha fechando mais cedo nos últimos meses. O enterro do casal será hoje, às 10h, mas a família não quis informar o local. Colaborou Giulia Marquizini.

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