Bamor manda recado ao presidente do Bahia “Se não renunciar, vai ter que sofrer as consequências”

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Jorge Santana, presidente da Bamor, uma das mais importantes torcidas organizadas do Bahia, concedeu uma entrevista exclusiva ao Varela Notícias, após o protesto realizado na porta do Fazendão, na noite de domingo (12), momentos depois do time ser derrotado por 7×3 para o Vitória, na primeira partida da final do Campeonato Baiano.

Durante a conversa, Jorge não fugiu de assuntos polêmicos, como o apoio recebido do clube, a autonomia da Bamor, o voto de confiança dado ao atual presidente que não foi correspondido, e as cobranças que podem culminar com a saída de Marcelo Guimarães Filho, como a campanha “Público Zero”. E ainda manda um recado para a torcida rival: “Estão se iludindo achando que o time deles é um timão”.

Varela Notícias: Jorge, quando vocês perceberam que havia algo errado na atual gestão do Bahia e começaram a reclamar desses problemas?

Jorge Santana: A gente nunca possuiu um bom relacionamento com os presidentes do clube. Marcelinho pediu apoio à gestão dele e demos um voto de confiança, que foi um voto de todos os torcedores. Tivemos algumas reuniões de cobrança, algumas foram atendidas, outras não. A última tentativa foi quando Joel (Santana) chegou, já que não concordávamos. Tivemos uma reunião com Marcelinho, Joel e alguns jogadores que faziam parte das “panelas” no grupo. Eles pediram mais uma chance para conseguir o título. Teve aquela primeira goleada (5×1 em abril, na inauguração da Fonte Nova). Agora essa derrota (7×3) foi o limite. A gente não tá vendo garra dos jogadores. Alguns não têm condição de vestir a camisa do clube. E percebemos que o presidente estava meio perdido. Pedimos para afastar alguns jogadores e não foi atendido.

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VN: Que falhas vocês notaram até então?

JS: A gente enxergou várias falhas, como a divisão de base perdendo títulos, o marketing não funciona, então, tá tudo muito entregue, muito solto, sem administração. Marcelinho falhou como gestor, de um ano e meio pra cá. Então, tudo isso vem juntando, vem acumulando criou a revolta da gente. Decidimos ir ao Fazendão para não deixar os jogadores nem entrar mais lá. E, como nossas reivindicações não foram atendidas, a partir de agora enquanto esses jogadores estiverem no Bahia, a Bamor vai fazer “público zero”.

VN: Vocês acham que esta campanha vai conseguir dar certo? Da última vez que vocês tentaram, deram 20 mil pessoas no estádio…

JS: Eu acho impossível o torcedor do Bahia não ir, mas depois de levar 14 gols do rival em três clássicos… Mas só você tirar as principais torcidas organizadas do estádio, só em você não ter aquela festa na arquibancada, você já deu um grande passo. Não vai ser só um jogo, a Bamor vai se afastar por um bom tempo dos estádios. Infelizmente, nós vamos sentir na pele, mas é preciso dar alguns passos para trás para dar alguns passos para frente. É chato isso, mas o Bahia precisa ser “destruído” para ser “reconstruído”.

VN: Você acha que essa destruição acontece no Campeonato Brasileiro?

JS: Sim. O Bahia é um sério candidato ao rebaixamento. Não só o Bahia. Os torcedores lá do time de Canabrava estão se iludindo, que o time deles é um “timão”. Pegaram o Bahia aos trancos e barrancos, e quando enfrentaram alguns times mais arrumados no Campeonato Baiano, perderam. Bahia e Vitória são sérios candidatos ao rebaixamento.

VN: Até onde a Bamor recebe apoio do clube?

JS: Muita gente fala: “ah, que Bamor, as torcidas organizadas tem rabo preso”. Não existe isso. A maioria da diretoria da torcida é sócia do clube. Possui o TOB (Torcedor Oficial do Bahia), agora isso é uma questão cultural no Brasil todo, o clube ajuda suas organizadas. E com as torcidas organizadas do Bahia e do Vitória não é diferente.

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Mas no caso da Bamor, nós somos ajudados de outra maneira. O clube consegue patrocínios, indica patrocinadores. Tínhamos alguns que perdemos devido a Arena Fonte Nova, e isso já atrapalhou bastante porque toda a torcida tem um custo operacional. Tem sede, tem loja. Ela (a Bamor) vive do que vende a sua loja e dos associados e aqui na Bahia não tem cultura de integrante de torcida pagar mensalidade, como têm em São Paulo, que a “Mancha Verde” tem quase 60 mil sócios pagando.

VN: Sobre essa saída de Paulo Angioni e a chegada do novo gestor (Anderson Barros), o que a Bamor achou da decisão?

JS: Temos informações que estão circulando nas redes sociais que este gestor que foi contratado tem ligações com Paulo Angioni, o que compromete o trabalho, já que Angioni contratou muita gente com salários altos e deixou um monte de gente boa da base no banco, quando teria condição de jogar de muito profissional caro.

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VN: Vocês acham que, em algum momento, pode ter ocorrido alguma irregularidade administrativa, como um possível “caixa dois” no clube?

JS: Não tenho como provar, mas é muito suspeita a contratação de vários jogadores em fim de carreira por salários altos. Trouxeram Zé Roberto e só agora ele começa a jogar, depois desse tempo todo?

VN: você concordou com a saída de Paulo Rosales? (dispensado na segunda com mais 13 jogadores)

JS: Não concordei. Acompanho-o desde o Independiente (da Argentina). Tem um bom passe, só que não marca. Tem que ter alguém no meio de campo pra correr por ele. O Bahia joga com três volantes, mas ninguém marca. Porque não colocar o menino da base, que tá jogando muito, o Feijão, promissor e tá correndo muito. O clube trouxe quatro zagueiros, nenhum foi aprovado, e tinha Dudu emprestado a um clube do Rio fazendo um bom Campeonato Carioca? Não dá para entender.

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VN: Qual a solução imediata para o time melhorar? Contratar novos reforços ou apostar na divisão de base?

JS: O Bahia tem que contratar dois laterais, dois zagueiros, tem que dispensar Marcelo Lomba, contratar mais um atacante e um que merecia uma chance era Jael, pelo que ele fez no clube. Mesmo jogando mal, lutava muito. E tem que ter um cara ali no meio de campo, para armar as jogadas. O Bahia não tem um armador, não tem um cobrador de falta. Mesclando essas contratações com a base, você pagando o salário em dia, dá para fazer uma boa campanha.

VN: Há alguma saída administrativa para o clube?

JS: O clube tem abrir para a torcida participar das decisões, como foi prometido por Marcelinho desde o início e até agora não fez. Tem que fazer associação em massa, pela internet, com cartão de crédito, boleto bancário, baixar o valor da mensalidade, que a partir daí você vai chamar o torcedor pra dentro do clube. O Bahia tem uma diferença para todos os clubes do Brasil: Tem uma torcida que paga.

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VN: Vocês pretendem forçar a saída de Marcelinho?

JS: A gente sabe que, juridicamente, não tem como o presidente Marcelo Guimarães sair, mas vamos começar por baixo. Estamos conseguindo, isto já é fato, a renúncia de dois vice-presidentes já devido ao protesto no fazendão, por eles entenderem nossas reivindicações. E a tendência nossa vai ser isso, nós vamos começar pela retaguarda. Se estiver vendo que não tá funcionando, a gente vai exigir a saída do diretor de marketing, a saída do superintendente da divisão de base até chegar ao presidente.

Se o presidente não renunciar ou não tomar providência com o clube, infelizmente ele vai ter que sofrer as consequências, que é a cobrança, que é a única que a gente faz. Porque a gente não é de agredir ninguém.

VN: alguma mensagem direta ao torcedor?

JS: Eu quero que o torcedor do Bahia entenda que nós das organizadas não somos vendidos. Não temos “rabo preso”. Nós somos mais apaixonados que eles porque nós viajamos, nós sofremos atentados em outros estados de torcidas adversárias, nós tiramos do nosso próprio bolso, brigamos até com nossas famílias, nós deixamos de fazer tudo pelo Bahia. Se eles querem que alguma coisa mude, se unam a gente. Juntos, nós vamos poder fazer algo pelo time.

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