Dilma diz que Relatório do impeachment é ‘maior fraude’ da história

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A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (12) em discurso no Palácio do Planalto que o relatório da comissão especial do impeachment aprovado nesta segunda-feira (11) na Câmara dos Deputados é a “maior fraude jurídica e política da nossa história”.

Aprovado por 38 votos a 27, o relatório defende a autorização de abertura do processo de impeachment da presidente. Agora, deverá ser votado no fim de semana pelo plenário da Câmara. Se aprovado, vai para o Senado, instância responsável por julgar o mérito da questão e decidir se a presidente será afastada por crime de responsabilidade.

“Trata-se maior fraude jurídica e politica de nossa história. Sem ela, impeachment sequer seria votado. O relatório da comissão do impeachment é instrumento da fraude. O relatório é tão frágil, sem fundamento, que chega a confessar que não há indícios, provas suficientes daquelas que chama de irregularidades e tentam me atribuir”, declarou a presidente a presidente em um evento para educadores e representantes estudantis no salão nobre do Palácio do Planalto.

‘Chefes da conspiração’
No mesmo discurso, Dilma apontou o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como “chefes do golpe” e “chefes da conspiração”.

Nesta segunda-feira (11), em uma gravação distribuída “sem querer”, segundo a assessoria, para grupos de Whatsapp, Temer fala como se o processo de impeachment de Dilma estivesse concluído e como se ele fosse assumir a Presidência. Rompido com Dilma, Eduardo Cunha conduz a tramitação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados.

“Não sei direito qual é o chefe e qual é o vice-chefe. Um deles é a mão, não tão invisível assim, que conduz com desvio de poder e abusos inimagináveis deste processo de impeachment. O outro, esfrega as mãos e ensaia a farsa do vazamento de um pretenso discurso de posse”, declarou.

Procurada pelo G1, a assessoria da Vice-presidência disse que Temer não assistiu ao discurso de Dilma e, portanto, não poderia fazer comentários.

Segundo Dilma, o país vive “tempos estranhos, tempos de golpe, de farsa e de traição”.

Ela se disse “chocada” com a “desfaçatez” do vazamento da gravação. De acordo com a presidente, na gravação, “um dos chefes da conspiração assume a condição de presidente da República”.

Para ela, o áudio “revela traição a mim e à democracia” e demonstra que os “golpistas” não têm respeito pela democracia.

No áudio, o vice-presidente Temer defende um governo de “salvação nacional” porque, segundo afirmou, o país precisa de “reunificação” e “pacificação”. Ele também pede apoio de todos os partidos políticos para que a crise política seja superada e alternativas sejam encontradas.

Segundo a presidente, a gravação explicitou o “desapreço” pelo estado democrático e pela Constituição. Na avaliação da petista, “atropela-se” os ritos em curso no Congresso Nacional, numa “clara demonstração de desrespeito” pelo Legislativo, além de uma atitude de “arrogância”.

“[O áudio é] um gesto que revela a traição a mim, à democracia e ainda explicita que esse chefe conspirador também não tem compromissos com o povo”, acrescentou.

“Se havia dúvida sobre o golpe, a farsa e a traição em curso, não há mais. Se havia alguma dúvida sobre minha denúncia de que há um golpe de estado em andamento, não pode haver mais. Os golpistas podem ter chefe e vice-chefe assumidos”, declarou.

“A quem interessa usurpar do povo brasileiro o direito sagrado de escolher quem governa? Como acreditar num pacto de unidade ou salvação nacional [conforme sugeriu Temer no áudio] que sequer tem uma gota de legitimidade democrática por quem o propõe? Como acreditar que haverá sustentação para tal aventura?”, indagou.

Para a presidente, “com farsas, fraudes e sem legitimidade, ninguém pacifica, ninguém concilia, ninguém constrói unidade para superação de crises, só as agrava e as aprofunda”, afirmou a presidente.

PMDB
Depois das declarações de Dilma, o presidente em exercício do PMDB, senador Romero Jucá (RR) disse lamentar que a presidente esteja “perdendo o equilíbrio”.

Para Jucá, a presidente Dilma também apela para um discurso “ultrapassado” quando fala sobre golpe e conspiração. Jucá afirmou ainda que está conversando com a bancada peemedebista na Câmara para que o partido vote, em plenário, “o mais unido possível” no processo de impeachment da presidente.

“Eu lamento que a presidente Dilma esteja perdendo a serenidade e esteja tentando culpar outras pessoas pelo desacerto do seu próprio governo. Se a presidente Dilma quer procurar pessoas que atrapalharam o governo deve olhar para dentro do governo. Não é o presidente Michel Temer não é nenhum membro do congresso que está fazendo uma ação deliberada. Eu lamento que ela esteja perdendo o equilíbrio”, disse o peemedebista.

“[Dilma está] apelando para um enredo ultrapassado, porque falar em golpe é o que falou o presidente Fernando Collor a muitos anos atrás. Ela deveria fazer uma autocrítica e reconhecer a difícil situação em que colocou o estado brasileiro”, completou o presidente interino do PMDB.

‘Provocações’
Ao público presente à solenidade, a presidente pediu pediu que se mantenha unido e não aceite “provocações”.

“É possível novos vazamentos ilegais e facciosos. Eles podem acontecer, é possivel novas acusações sem provas que serão feitas e amplificadas por manchetes escandalosas. Muito possivelmente, sofrerei novas calunias e ataques desesperados. Fiquem atentos, mantenham-se unidos, não aceitem provocações. Não somos do ódio. Somos da paz”, disse.

Para ela “os golpistas tentarão de tudo. Tentarão nos intimidar, nos tirar das ruas e usarão todos os artifícios possíveis”.

“Não se deixem enganar por nenhuma manobra, manobras mentirosas, de última hora, sem que atuem com calma e com paz. Nós não somos violentos. Nós não perseguimos pessoas. Nós não divergimos dos nossos adversários com gestos de claro ódio. Nós acreditamos na consciência das pessoas. A verdade haverá de prevalecer e o impeachment não vai passar. O golpe será derrotado”, concluiu.

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