Em anúncio, Record ignora audiência de Xuxa e Justus para festejar vice

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A Record publicou nesta semana no Meio&Mensagem, jornal dirigido ao mercado publicitário, um anúncio em que comemora a “vice-liderança” em todo o Brasil durante 2015. Para conseguir esse feito, a emissora teve que apelar para um truque: reduzir a duração dia. Para a Record ser vice, o dia começa às 7h e termina à meia-noite. Do contrário, se considerar que o dia tem 24 horas, a vice-liderança é do SBT. A vice-liderança da Record só existe se a emissora desconsiderar a audiência de parte do programa de Xuxa Meneghel, sua maior contratação nos últimos anos, que termina à 0h30, do Roberto Justus+, que começa sempre depois da meia-noite, e do Legendários, que nunca termina antes da 1h.

Apesar do sucesso de Os Dez Mandamentos, o SBT teve mais audiência na média nacional do que a Record. O SBT computou 5,0 pontos no PNT (Painel Nacional de Televisão, que mede a audiência nos principais mercados do país. A Record ficou em terceiro, com 4,7. Na liderança, a Globo fechou 2015 com 12,4 pontos.

Considerar apenas a audiência das 7h à 0h é no mínimo antiquado. Faz tempo que o dia tem 24 horas para a televisão. Há décadas que as emissoras não saem mais do ar de madrugada. Há audiências muito relevantes entre 0h e 7h, inclusive na Record. O SBT consegue cinco pontos na Grande São Paulo com o The Noite depois da 1h. No ar às 5h da manhã, o telejornal Hora 1 rende até cinco pontos de média à Globo.

Além de desprezar a audiência de parte de programas importantes (outras atrações, como Gugu, Troca de Família e Repórter Record Investigação também avançam depois da meia-noite), a Record ignora os fiéis que assistem à programação da Igreja Universal do Reino de Deus, como se o departamento de marketing da emissora tivesse vergonha disso.

A Igreja Universal ocupa a faixa da 1h às 6h da Record e derruba a média diária da emissora. Mas é graças ao dízimo dos fiéis que Record banca suas “superproduções”. A Record vende suas madrugadas para a igreja por mais de R$ 500 milhões por ano, naquele que poderia ser considerado, proporcionalmente, o espaço publicitário mais caro da TV. Não é justo desconsiderá-lo.

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