Greve de professores pega alunos de surpresa em Salvador

0

Mesmo tendo sido deflagrada no início da noite da última quarta-feira, a greve dos professores da rede municipal de ensino pegou muitos alunos de surpresa na manhã de ontem. Muitos foram aqueles que apenas ficaram sabendo da situação após chegarem à escola e não tiveram outra escolha a não ser voltar para casa.

Na Escola Municipal Cidade de Jequié, que fica na Avenida Cardeal da Silva, bairro da Federação, cerca de 80 alunos até compareceram ao local para mais um dia de aulas que normalmente tem início por volta das 7h. No entanto, de acordo com um funcionário, apenas um professor esteve no centro de ensino. Por volta das 9h, todos já haviam deixado a escola.

Já na Escola Municipal Sóror Joana Angélica, que está localizada na Rua Santa Clara, no bairro de Nazaré, houveram atividades na manhã de ontem para as crianças matriculadas no local do primeiro ao quinto ano. Contudo, de acordo com o diretor, Alex Palma, uma reunião foi feita entre os professores para definir se eles iriam aderir, ou não, à greve.

“Eles decidiram pela adesão e as atividades, pela parte da tarde, já serão suspensas”, disse. Segundo ele, os pais foram devidamente avisados da suspensão das aulas e apenas setores como a secretaria e a direção ainda estariam em funcionamento durante a greve. A reportagem da Tribuna da Bahia percorreu outras escolas municipais pela capital baiana e constatou que, em muitas delas, as atividades também foram interrompidas.

De acordo com Elza Melo, diretora da associação que representa os docentes, a APLB, o motivo da greve é a não universalização da chamada Reserva de Jornada, que é garantida pela Lei Federal 11.738/2008 e conquistada pelos professores de Salvador através do Plano de Carreira que consta na Lei Municipal 8.722 sancionada em 2014.

Segundo ela, cerca de dois terços da jornada de trabalho do professor devem ser dedicados a interação com os alunos em sala e o restante seria utilizado para a feitura do planejamento das aulas a serem dadas. “Desde 2015 nós vínhamos brigando por isso e nada foi feito. Muitas escolas ainda estão sem essa reserva”, pontuou.

ENCONTRO NO MP
Uma reunião aconteceu na tarde de ontem na sede do Ministério Público, em Salvador, e contou com representantes da Comissão de Educação e Cultura da Câmara de Vereadores, da APLB, do Secretário de Educação do município, Guilherme Bellintani, e foi mediada pela Promotora, Rita Tourinho. Neste encontro foi justamente discutido o tema que levou aos professores a declararem a greve.
Após o encontro, o MP propôs a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

A expectativa da Prefeitura, com isso, é de que a greve seja encerrada na próxima segunda-feira, quando os professores realizam uma nova assembléia. “Hoje apresentamos o plano de finalização da universalização da jornada ao Ministério Público, que achou razoável e a partir disso, propôs um TAC que foi aceito por nós. A gente espera que com essa afirmação, com o intermédio do Ministério Público, a gente consiga encerrar a greve. Apesar dos prejuízos, o fim da paralisação seria uma boa notícia para Salvador”, disse Bellintani.

Até lá, a greve continua. Segundo a gestão municipal, cerca de 50% das escolas da rede funcionaram normalmente nesta quinta-feira. De acordo com o secretário da pasta, a expectativa é de que toda a rede esteja com a jornada integral implantada até o próximo dia 10. “Oitenta e dois por cento das escolas já estão neste processo. Os 18% restantes serão implantados até daqui a uma semana. A Prefeitura deve gastar cerca de R$ 80 milhões para implantá-la, o que é uma revolução na educação de Salvador”, comentou.

link-zap
Loading...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here